Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
UM MISTÉRIO A SER DESCOBERTO
domingo, 22 de abril de 2012
MAIS MORTO DO QUE MAIS VIVO?
CONTOS COM DESCONTOS
TREMENDÃO GANHA PRÊMIO DE FEIURA
Interior quando faz festa, faz festa mesmo. Não brinca de brincar não. A cidade toda se movimenta e se alegra. Barraquinhas fazem colares em volta da praça, vendendo badulaques de todos os tipos. A meninada compra buscapé e linguas de sogras. O primeiro brinquedo até que tem seu lugar, mas o segundo não encontra muito amparo entre as senhoras de meia idade acima. Os homens bebem quentão e a fogueira lambe o céu de tão alta que é. O padre fica numa alegria danada, que Cristo quase pula fora do crucifixo, de tanto que ele o aperta. Pelo menos agora dá para consertar o telhado da igreja. Também vai fazer uma pintura por dentro. São Jorge está tão envolvido em manter o dragão preso debaixo de sua lança, que não tem tempo de se livrar das casas de aranha em volta de sua cabeça.
Mas o que vamos falar mesmo é da novidade da festa. Este ano lançaram o concurso do homem mais feio do lugar. Deu tanto candidato que as mulheres pensaram que iam morrer solteiras. No ano passado o concurso foi para contador de mentiras. Até gente ressuscitou para participar do concurso. Deu mentiroso de dar rasteiras em cobra. Quem ia entregar o prêmio era o prefeito. Na hora de entregar o prêmio para o vencedor, o prefeito brincou: "infelizmente não pude participar deste concurso, porque nunca contei uma mentira!". Pra quê ele foi falar isso? O ganhador apanhou o prêmio e o entregou ao prefeito: "o senhor me desculpa, ninguém merece mais este prêmio do que o senhor!".
Mas o que vamos falar hoje é sobre o concurso do homem mais feio do lugar. Não foi facil dar o resultado final, mas Paulinho Entiriça foi o felizardo. O prêmio era o que estava mais em voga no momento: um canivete corneta, bom para descascar laranjas e um isqueiro vospic, bom para acender cigarro de palha e iluminar debaixo da cama à noite, para encontrar o urinol.
Entiriça saiu todo satisfeito e foi correndo para o seu grotão. Mas a estória não termina aqui. Em direção contrária também vinha correndo Tremendão, pois mais feio do que ele, nem diarréia em seu último estágio. Claro que ele queria participar do concurso. Só que perdeu a hora. A mulher dele até que brigou demais: "bem feito, quem mandou você jogar o relógio fora!". Isto é outro caso. Tremendão há um mes atrás foi à cidade comprar conjiquinha e um despertador. Colocou os dois dentro de um saco. Na volta, sentou-se debaixo de um pé de graviola, para tomar um gole e tirar uma soneca. Foi aí que ele escutou o danado dentro do saco: tic-tac, tic-tac, tic-tac. Ele não perdeu tempo. Jogou o bichano fora e berrou: "seu danado, comprei você para me dar as horas e você está comendo a minha conjiquinha toda!".
Mas voltemos ao assunto. Tremendão vinha em direção contrária e se encontrou com Tiriça. "Uai, o concurso já acabou? Eu perdi a hora e não pude concorrer?" Tiriça olhando aquela cara feia de jibóia prenha, reconheceu com humildade a sua pequenez: "Não tem problema não, Tremendão. Toma o canivete e o isqueiro. Ninguém mais que você merece este prêmio!".
BURACO DANDO RISADAS
Seu Domingos, todos os dias religiosamente, dos seus sábados aos seus domingos, guardava antes de dormir, sua elegantérrima dentadura, dentro de um copo d'água, sobre uma mesinha, ao lado de sua cama.
Com aquela armadura de dentões brancos, ele sentia-se feliz sorrindo como um burro novo. Agora podia comer cana, rapadura, coco, mascar fumo à vontade e dar risadas de invejar marrecos.
Quando não tinha dentadura, ele passava uma vergonha da banguela da miséria. Certa vez perguntaram a ele, porque ele falava "paiaço" e não "palhaço". Ele respondeu: "é porque eu tenho uma faia nos dentes!".
Assim como um dia é do caçador e o outro é da caça, também um é de rir e o outro é de chorar.
Seu Domingos acordou numa quarta-feira de cinzas, ou melhor, de fuligem total, e não encontrou a sua bendita "bentadura". Só viu o copo entornado sobre a mesa e mais nada.
Cadê o ladrão? Por onde entrou o gatuno? Seu Domingos ficou maluco. Em que boca ia caber uma dentadura igual a dele? Quando criança seu apelido era "Boca de Coité", agora, depois do roubo poderia ser chamado de "Boca do Coitado".
Como pode um roubo com a casa toda fechada? Seu Domingos vai moendo as horas e remoendo seus pensamentos. Daí a pouco, seu neto vem gritando apavorado: "Vô, vem cá no quintal, prá vê. Tem um buraco que tá rindo sem parar!". Seu Domingos correu prá lá. Era sua dentadura na boca de um buraco de rato, faltando dois dentes. Não tem problemas, ele ia continuar a falar "paiaço", "faia", "teia", "caia d'água", mas desdentado, nem pensar.
MINHA VIDA, AGORA EM PORTUGUÊS
José Luiz Teixeira do Amaral
Se eu soubesse que você viria,
eu a teria esperado minha vida.
Teria ficado aflito o dia inteiro
no alto da colina
de minha terra natal,
brincando de não ser ninguém
com as nuvens ambulantes,
e pediria ao pássaro das penas mais
coloridas, para beijar a flor mais
bela no fundo do quintal,
jogaria um vidro de alfazema no
quarto onde iria nascer,
sorriria para mamãe e me apresentaria
a ela, como um pequenino príncipe,
antes de nascer,
convidaria o sol a ficar parado
pelo menos naquele segundo,
pois viver vale muito mais
que estar aqui,
ah! se eu tivesse consciência do
dia que viria ao mundo,
e agora o que faço com tudo isto
que a vida me deu?
Os milhares de amigos, a noção do
amor e da paz,
as multidões de estrelas do universo,
o sorriso de uma criança, eu que não
vi meu sorriso, agora o vejo na face
do teu filho,
a união com o Eterno,
Ah! minha existência, que grande
responsabilidade tu me destes!
MA VIE
Si j'avais su que vous vinssiez,
je vous aurais attendu ma vie!
Je suis toujours trés fidèle aux
impressions de mon chemin mon amie.
Quel est l'homme le plus heurex?
L'expérience est la base de toutes
les connaissances de tous,
c'est la vie!
L'innocence est la beauté de l'existence.
Où vas-tu homme?
Adieu, monsieur, à demain,
je crois que j'irai jusq'a
la réconcillation avec ma vie,
ci-gît un fils chéri de l'universe!
PEDRO PRIMEIRO, DEPOIS O RESTO
PEDRO PRIMEIRO, O RESTO FICA PARA DEPOIS
Pedro primeiro, não o Imperador da Independência, mas o primeiro em matemática, português, ciências, artes, francês e latim; também o primeiro depois do prefeito. Rapaz "estudado" do interior, ganha logo o cargo de secretário, primeiro ministro da roça, ouvidor geral, repórter, orador municipal, etecétera aos cabedal.
"Vamos para a capital, Pedro. Temos muito o que fazer" A imediata viagem continua calma. Ao lado do prefeito, seu motorista particular, que também é o maior fofoqueiro diplomado do lugar. Atrás a primeira dama ao lado de Pedro primeiro. O prefeito se vira: "quem é aquele homem que chegou há seis meses atrás à cidade? Ele tem contas nos dois bancos. Vem gente de longe encontrar com ele. A rapaziada tá toda com ele.Será que ele tem planos para ser prefeito, Pedro?"
Gente estranha, com hábitos diferentes, quando chega a uma cidadezinha daquelas, com muito dinheiro, muito movimento de gente na casa, deixa qualquer prefeito com pulgas atrás das orelhas e carrapatos no saco.
"Pedro, tem tres meses que te pedi, para você descobrir pra mim, quem é aquele cara estranho!"
Pedro primeiro gelou, depois respirou. Pedro primeiro desabotou a gola da camisa, depois abriu o vidro do carro. Ele sabia que o homem era um homosexual, que veio do Rio para morar naquelas bandas. Naquele tempo, o atraso era muito grande e não podia falar destas coisas perto de mulheres. Principalmente ao lado da primeira dama. Pedro primeiro pensou, depois falou: "Não precisa de ficar preocupado não, seu prefeito. Aquele homem é apenas um pederasta!"
O prefeito arregalou o olho pro motorista: "Dá seta meu fio, dá seta pro acostamento!" Voltou-se irritado para Pedro: "Pelo amor de Deus, que falta de atenção a sua, meu assessor! Você não sabe que estamos indo pra capital, em busca de um médico pediastra para nóis. Se você tivesse me falado, nóis já tinha contratado o homem!"
Pedro refletiu: "pediatra, para pediastra e pederastra, como saio destas?"
"Pois é prefeito, me esqueci de te falar. Eu já perguntei pra ele, se quer um cargo no município, ele falou que não. Está aposentado e mudou pro interior só pra descansar e curtir a frescura do seu chafariz e da nossa paisagem!".
PREFEITO COMILÃO
Para descrever este prefeito, primeiramente teremos que relatar o processo eleitoral. Em tudo que é canto da cidade, só se via o slogan: "vote em ZÉ DO BREJO" , "VOTE EM ZÉ DO BREJO". Ele subia no palanque e falava todo risonho: "oi gente é vote, não é bote no zé do brejo não", "se tiver que botar, bote nos do contra, bote prá capá". Um dia um eleitor falou: "seu ZÉ, o sinhô se esqueceu de nóis. Num vem aqui nem pra tomá café". A resposta foi relampejante: "esquecê doscês meu fio, credo em cruz e cruz em credo. Não faço isso nunca. Me alembro doscês todo dia nas minha oração antes de drumi".
A mulher dele ficava muito sem graça com o apelido dele, mas ele justificava com uma elegância caipiresca: "minha fia, fica fria, ocê não sabe que é pro brejo que tudo vai quando vai. Um dia num falaram que ocê ia pro brejo, e adonde foi pará? nas minha mão! Óia, se a coisa fica feia, a vaca vai pro brejo! Se o dinheiro some, o dinheiro foi pro brejo! Se a muié larga o marido, a muié foi pro brejo! Então minha fia, fica de novo fria, que o ZÉ tá no BREJO, esperando tudo de braço aberto!"
ZÉ DO BREJO ganhou de dez a zero. Tornou-se prefeito pela doidesca democracia republicana brasileiresca. Mas o homem fez loucura de reenlouquecer um hospício.
Nas escolas municipais até servente dava aulas! Isto é um absurdo se levarmos em conta o que entendemos realmente por educação. Não demorou muito, as denúncias foram se acumulando, inclusive as de desvio de verbas, é óbvio. Então, o Conselho Estadual de Educação juntamente com o Ministério Público enviou uma equipe para fazer uma inspeção na lamacenta política educacional do ZÉ DO BREJO.
Ficaram indignados com o que viram e registraram. Marcaram audiência urgente com o prefeito.
"Sr.Prefeito ZÉ DO BREJO, perguntamos a um aluno se ele já leu Camões, ele nem sabia o que falávamos!" "Minha fia nossos aluno aqui lê é com os óio mesmo!"
"Sr.Prefeito ZÉ DO BREJO, perguntamos a eles de que morreu Júlio César, o imperador romano e ninguém sabia nada!" "Minha fia, nem toca nesta morte aqui não, se não ocês vão atrapaiá a minha política. Aqui quando arguém é matado, nóis interra e não discute não!"
"Sr.Prefeito ZÉ DO BREJO, ninguém sabe quem botou fogo em Roma!" "Sabê, eles sabe sim, meu fio. O nome dela não era Roma, era Romanita. Foi coisa de chifre meu fio, mas deixa isso prá lá, que tem peixe grande na jogada!".
Enquanto o prefeito falava, exalava um cheiro não muito agradavel de sua boca. Uma pedagoga educacional, para descontrair toda aquela confusão, brincou: "o senhor hoje comeu muito acelga!"
Foi neste momento que o homem realmente levou todo mundo pro brejo, com sua resposta imediata: "não, não foi não, foi uma surda e muda!".
Quando a Câmara mandou ZÉ DO BREJO pro brejo, não tinha ninguém esperando-o de braços abertos.
RAPAZES ALEGRES
Eram alegres sim, mas não viviam rindo à toda. Não nasceram para taquara rachada. Vieram para pau de toda obra. Aliás foi nos escombros da construção civil que iniciaram sua vida gentil. Sempre depois das dezoito. Esse negócio de dar gargalhada não! Isto não é costume de quem dá no gargalo aquele sorrisinho singelo. Diziam os tres num coral: nós só rimos quando achamos graça.
Porisso eram dados. Francês e ballet ficou no passado. Não dá dinheiro. Um penteava, o outro pintava unhas desenhadas e o terceiro enfeitava noivas. O primeiro era tão especialista que endireitou o cabelo da mulher de um Juiz de Direito da última vara. O segundo desenhava botões de rosa com tanta perfeição nas unhas, que seu apelido era RC EMOÇÕES. O terceiro conseguiu casar uma irmã de caridade, daquelas devotas do só dando que se recebe.
Prezado leitor, esta é rapidinha. Estes tres amigos foram convidados para uma festa de cruzeiro em alto mar. Depois de tanto vinho, fuinho, chegaram em casa com tres sacos de nozes européias e não sabiam o que fazer com elas.
Então apareceu a grande idéia em forma de uma placa enorme na frente da casa onde moravam: MEUS AMIGOS, VENHAM COMER NOZES!
TROCA TUDO/JOÃO SABE TUDO
Dizer que a escola era ruim seria uma mentira sem medida. Professor meio doido, diretor desencabeçado, secretária desbaratinada, aluno travesso, pais hiper-protetores tudo isto faz parte do universo escolar.
Mas o que vamos falar aqui e peço que acompanhe palmo a palmo e passo a passo é sobre um porteiro sabiá-laranjeiramente chamado de João Sabe Tudo.
Meus leitores assíduos, o homem consertava qualquer coisa que aparecesse, mas de vez em quando fazia uma atrapalhada do cão do cão.
Certa vez ele fez uma garrafada pra uma professora solteirona que estava pegando espírito do caboclo pegajoso na dobra da esquina e a danada falava seis dúzias de discursos pendurados no cabide dos ouvidos cansados na hora do recreio, que não tinha paciência que dormitasse ouvindo-a. Depois que tomou a garrafada, antes de falar ela assobiava e assim o pessoal saia avisado de fininho, para não ouvir tantas baboseiras.
Já que comecei voando baixo, vamos dar um voozinho mais alto. A professora de português estava com vários problemas em casa. O rádio parou de falar, a máquina de lavar roupa estragou, o banheiro deu problemas na descarga e a lâmpada não acendia.
João Sabe Tudo arrumou sua maleta e prá lá partiu num final de semana. Cutuca aqui, futuca ali, espicha cá, encolhe lá. Abaixa assim e levanta assado. No final da tarde de sábado despediu-se, acreditando que estava tudo correto como o paletó de Aniceto.
Mas o resultado foi desastroso. Quando Aninha, a professora, puchava a corda de descarga, a lâmpada acendia. Ela que era perfeccionista em gramática, logo percebeu que para dar descarga, o esquema era ligar o interruptor da lâmpada do banheiro.
Ao ligar ao máquina de lavar roupa, o rádio começou a falar: alô, alô, aqui é da CBN, notícia prontinha no prato! Agora leitor, você já sabe como ligar a máquina de lavar roupa: é só ligar o rádio.
O pior veio depois: a sogra da Aninha, não sabe como, engoliu um rolo de fita isolante e dois parafusos de 8mm cabeça phillips.
A única coisa que João Sabe Tudo acertou até hoje, foi curar a doença do professor de matemática. Este professor só conseguia urinar, por mais enforcado que estivesse, se espirrasse primeiro. Como o João Sabe Tudo era especialista na lei dos contrários, deu de presente para ele uma caixinha de rapé. Pelo menos agora até nas calças ele urina, mas ficar sem urinar, jamais em francês. Jamais!!!!!!!!!!!!
SALIM PEGA FOGO POR DENTRO
Quibe crú, cebola, alho, tempero sírio, junto com vinho tinto engaiolado trinta anos, foi o suficiente para botar Salim suando por todos os poros.
As vezes ao banheiro foram tantas que esvaziou a caixa d'água e gastou um semestre de papel higiênico numa noitada explosiva de fogos de orifício.
Na meia farmácia de seu quintal, escaneou o boldo, a jurubeba, o mentrusto, o chapéu de couro, bardana e todos os brotos do pé de goiaba, que perdeu em horas, pelas mãos heródicas do turco, a sua última geração.
Estava tão agitado, que quando seu cão veio dar-lhe o beijo matinal nas mãos, chutou-o: "sai fora que hoje não tô dando confiança pra qualquer um! Mulher vai na farmácia comprar um remédio que tose esta moléstia antes da raíz, porque ela já secou na cova!" A turca voltou correndo, sem bula e sem método, com apenas um envelope dourado nas mãos. Naquele tempo, não era costume o uso de comprimidos efervescentes. O método de tomar comprimidos era o antigo: joga na boca goela adentro e bebe água por cima. Salim mandou logo três daqueles pra baixo da sua gula e abasteceu a moringa de sua pança com três copos d'água. Pronto: estava misturada a chama com a pólvora! Tudo começou a ferver, espumar e lançar nuvens no ar. O turco transformou-se numa caldeira ambulante. Era espuma pelas narinas, orelhas e todos os botões. O turco e a turca na rua, abraçados e gritando, lembravam cenas vietnamitas. O povo corria e pedia socorro: " andem, corram minha gente, pelo amor da santíssima trindade, ajudem, tragam baldes d'água, que o Salim pegou fogo por dentro!"
PADRE FOGE COM ESTUDANTE
Este interessante fato aconteceu há muito tempo, mas é tão extraordinário que permanece vivo por gerações. Naquela época existiam pouquíssimas escolas pelo interior afora. Então, era costume dos pais enviar seus filhos para estudar em localidades maiores ou até mesmo no exterior. Prestem atenção no que dá esta verdadeira estória.
Seu Leandro levantou-se cedinho, dirigindo-se aos campeiros: "óia, prepare a charrete com a Tinfona bem alimentada. Bastante mio e farta água na pança da esperta. Depois leva o leite na estrada, vorta rápido, deixa a sabida descansar um pouco, porque nóis vamo levá a Bárbara depois. O ônibus que vai pra longe, passa lá por vorta das nove."
Bárbara nos seus quinze estava setenta vezes ansiosa. Só conhecia emaranhado de canavial, curral, capim gordura, cocheira, inhame no tacho, ter a oportunidade de viver na cidade grande. Arrumou sua mala, seus vestidos de chita, seus pertences, passou cheiro, amarrou a fita vermelha nos cabelos e subiu na charrete. Deixou para trás, em cada curva poeirenta da estrada, um olhar de despedida, sem coisa alguma de lágrima qualquer. Pra frente, um olhar indagativo e apreensivo, com caldo grosso de esperança. Seu pai, daqueles fazendeiros sisudos, reservando lugar de mulher no canto da cozinha, ficou abanando com um prado roto na mão direita. Para ele, mulher só entra na sala, para levar xícara de café aos convidados e fica em pé, muda no canto, esperando o último gole, para recolher as louças. Quem toca a fazenda é o homem. Também espreme a cana e tira a garapa. Cuida de tudo. Só quem fala alto dentro de casa, além dele, é o cuco do relógio de parede gongando de hora em hora, para enfeitar a sala, pois quem regulava mesmo o dia, ainda era o galo, o sol, a lua, as estrelas e as estações. Mulher que ri é porque não tem modos. Mulher torra café, mói, tritura carne, soca milho no pilão, lava roupa na correnteza do rio, faz canjica, dá milho às galinhas, conserva o fogo aceso no fogão, com uma chaleira de café quentinha, comida na hora. Cirze, prega botões, faz remendos, conserva água fresquinha na talha. Bota toalha de rendas na mesa da cozinha, com diversos quitutes, no dia da padroeira. Todo aquele mundo não interessa a Bárbara.
Na república, com as colegas, tudo mescla novo. Cartas vão, cartas vem. Bárbara vai, Bárbara vem. Amigas, novos costumes, roupas curtas, badalos noturnos, barzinhos sabatinos e festas. Bárbara vai, Bárbara vem. Um namorado escondido entra em cena, por uma porta semi-aberta. Bárbara abre, Bárbara fecha. Os dias vão passando. A barriga vai crescendo. Bárbara foi estufando o umbigo, vai estufando. O padre larga a batina, dá adeus à rotina e numa madrugada silenciosa parte com Bárbara e traça sua sina. A cidade com os tempos se acomoda. À medida que o vento de outono vai varrendo as folhas das ruas, outras notícias vão chegando sobre as mais antigas.
Lá no interior, quando alguém pergunta ao Seu Leandro, "cadê Bárbara?", ele simplesmente responde mineiramente drumondiano:
"mandei Bárbara estudar em Barbacena e ela fez uma cena bárbara!"
SARNEY ENCONTRA O BERÇO DA LUA E DO SOL
Seu nome verdadeiro era Fortunato, mas por certidão de aparência registrada no cartório da percepção popular: Sarney. Sem tirar ou colocar mais nada. A cara de um, a bochecha do outro. Não tanto como o outro, mas sentia-se quase realizado, no seu mundinho pé de serra. Ah! você não sabe a ninhada de andanças que está debaixo deste "quase". Filhos criados, embora malcriados, cafezais esverdeando colinas, paiós engordando ratos, galinhas botando pingue-pongue de ovos no vento de tanto sobrar. Arreios novinhos em folha, somados a conjuntos de esporas, estribos e barrigueiras, com chicotes cravados de prata, tudo em dia. Brilhava pedacinhos de ouro em seus dentes!
Porém, aquele "quase" era o todo vazio de sua vida, tal fresta em veneziana por onde o vento noturno incomoda. Aquela dúvida antiga cor da meninice, ali estancada em sua mente: onde nasce o sol e a lua? onde nasce o sol e a lua? Esta, a sua pergunta inquietante "ões" de vezes.
Tudo já estava preparado para a grande viagem em troco da resposta dada: galinha assada com farofão ressurregindo o ex-tropeiro e animais selados para a batalha.
Fortunato decidiu primeiramente descobrir o nascedouro do sol, tendo em vista sua pontualidade diária frente à lua. Em seguida, o presépio da lua. Foram longas viagens sem sucesso algum, deixando-o cada vez mais obcecado pela procura. Mas chegava em um montanha, olhava atrás dela e o sol nascia na outra montanha. Ia para outra....o sol nascia na outra.... Sua família se preocupou com aquilo. Não duvidaram que o velho Fortuna tinha batido a caçuleta. Os membros se reuniram e decidiram o ultimato: interná-lo em um hospício no Rio de Janeiro. Coisas daquele tempo. Traçaram seu destino. Agora, vestido com um macacão botafoguense, Sarney (ali é que o apelido pegou, pois não duvidavam mesmo que era o dito cujo) comentava todos os dias: ainda vou descobrir onde nasce o sol e a lua!
Imediatamente todos o apoiaram na façanha. Uns sem dentes, outros sem roupas, alguns sem unhas, mas todos sem juizo se dispuseram a ajudá-lo, custasse o que custasse.
Chegou o carnaval no Rio: fevereiro em fogo no samba da moçada, no rodopio dos morros fervendo sob pandeiros e tamborins. O vigia do hospício delirou sambando vestido de Zorro, transvestido de Tonto, tamborilando um jogo de chaves de forma eficiente a fazê-lo cair em mãos alheias. Os loucos ganharam as ruas e se vestiram com fantasias perdidas pelas calçadas, aos montões.
O hospício deu alerta pelas rádios que só tocavam samba e não era possivel encontrar loucos no meio de milhares de napoleões, césares, fantasmas, duendes, arlequins, etc. Sarney vestido de Lampião, com uma louca feia vestida de Maria Bonita, após um fatigado dia carnavalesco, deitou-se nas areias da Praia de Copacabana. Quando o dia se ilumina, lá vem o sol de dentro do mar! O velho sorriu satisfeito. Resolveu passar mais um dia de carnaval com sua companheira naquela maravilhosa praia. A tarde veio caindo. Olhando em direção à praia, viu a bela lua cheia saindo de dentro do mar.
No dia seguinte, conseguiu uma carona em um caminhão e voltou completamente curado para a sua terra natal. O enigma de sua curiosa esfinge estava descoberto. A família percebeu que ele não tinha mais a doença mental. Sarney ficava sorrindo de feliz. Quando alguém lhe perguntava, "onde nasce o sol e a lua?", ele respondia calmamente: "seu moço, os dois nascem nas águas do mar da Praia de Copacabana!"
VEREADOR PEGA MULHER COM RICARDÃO
Vereador Gercino remoendo idéias na sombra: "mooom!mooom!mooom! Óia ô cornooo!!! lá vem o zebú!!!! cuidado que o chifre agarra na castanheira!!! Não! Isto só pode ser comigo! Toda vez que passo aqui é esta zoação! Tô sentindo até uma coceirinha no alto da moleira. Parece que tem um lombinho nascendo na minha cabeça. Se moiá de suó ele pega tamanho! Bem que tô desconfiado da Zezé. Ela tá rindo demais. Bota ropa de meio palmo e salto alto e tá deixando calo na bolsa de tanto usar.
Bem que falam que corno é o último a saber. Eu virei restoio dos fatos. É o Geraldim Rapidim com certeza. Aquele consertadô de tudo, da sombrinha ao rádio véio. Zezé leva seu rádio toda semana pra ele consertar o botão dele que emperra. Tem coisa aí. Quanta mais ele mexe no rádio dela, mais altera a minha antena."
Roção, vocês sabem como é, não? Vereador Gercino já mediu com sete palmos de fundura a sua vingança e chamou Salú que matava mosca voando. "Te dou todo este dinheiro aqui, mas quero um tiro só."
Lá na vila, Rapidim, à altura dos seus movimentos, vira prá lá, vira prá cá, na sua birosca de uma porta só, estampada pra praça. Pega aqui, abaixa lá, guarda ali, no meio de sua vida de multiuso. É o seu dia a dia.
Salú chegou aos solavancos do cavalo manga larga, apeou, olhou, mirou, atirou: baaaaammmm!
Geraldim nos seus movimentos conforme seu apelido, na sua vida de vagalume, abaixou pra pegar um parafuso que caiu enquanto a bala passou no vulto de sua sorte e cravou no centro de uma folhinha do Sagrado Coração de Jesus, onde nunca deveria ter parado.
Salú, como todo jagunço, é dado à crença profunda, e quando viu a presopopéia que fez, se benzeu mil vezes: " meu Deus, nunca errei bala em cabra nenhum e ainda fiz o crime de acertar no coração de Jesus. Não vou ser perdoado nunca!"
Geraldim que era psicólogo diplomado com mil mulheres nas macegas da vida, percebendo a situação, aproveitou para tirar o grosso da fervura do caldo: "é que tenho reza forte, meu caro. Agora só tem uma saída pra você. Se ajoelha e pede perdão a mim também, que Deus vai te perdoar."
Salú abaixou, beijou seus pés e deixou o dinheiro do mando no chão: "me perdoe seu moço, não sabia que os homen tava assim com você! O dinheiro é seu. Não quero este dinheiro amaldiçoado!"
No outro dia Geraldim juntou tudo o que tinha, botou o dinheiro no fundo da mala. Era dinheiro de dar vinte anos de conserto em rádios velhos e partiu na primeira furreca que encontrou. Deu adeus ao roção onde entrou como Geraldim Rapidim e saiu rapidinho como Geraldão Ricardão.
UNIVERSO OU DIVERSO
Certo professor me afirmou categoricamente que o universo é finito. Vamos pensar um pouco! Respondi-lhe, no momento em que entrava um outro professor.
Finito? Você tá louco? O universo é infinito! Replicou. Vamos pensar um pouco! Respondi outra vez. Como estávamos sentados em torno de uma mesa, perguntei-lhes: porque esta mesa é finita? Porque tem fim aqui na borda! respondeu um deles. Pois é, respondi-lhes, ela tem fim, porque em volta dela tem cadeiras. As cadeiras tem fim porque em volta delas tem as mesas dos computadores. Estas tem fim porque encostados nelas estão os armários, as paredes, as outras salas, etc. Todos tem um fim em comparação entre si. O que haverá depois do fim do universo para que ele tenha fim?
E se for infinito como você (o outro) afirma? O que é uma coisa que não tem fim? Que experiência podemos efetuar com uma coisa infinita?
O nosso modelo mental não alcança categorias para explicar racionalmente estas questões acerca do universo, porque nossas estruturas transcendentais da mente não tem modelos para gerenciar estas idéias, uma vez que os modelos mentais estão presos aos sentidos e para se compreender estes fenômenos seriam necessários outros sentidos.
Durante nosso processo de evolução terrestre devido à inospitalidade ambiental nós desenvolvemos sentidos de adaptação ao meio.
Talvez a intuição seja um sentido ainda em formação, que num futuro possa se abrir para novas compreensões do universo.
BIN LADEN MORREU
A notícia só não varreu os quatro cantos do planeta, por ele ser arredondado, mas percorreu pelos seus múltiplos infinitos polos. Bin Laden estava escondido numa caverna perto de uma aldeia afegã. Um jovem brincava do lado de fora da caverna fantasiado de diabo louco para assustar seus colegas. Quando Bin Laden saiu para respirar um ar mais puro e viu-se de frente com aquela criatura, tomou um susto enorme, pois pensou que o Satã Mor do Ocidente veio buscá-lo. O famoso terrorista não suportou o impacto desta impressão e morreu imediatamente.
No mundo árabe foi imensa a dor de sua morte. Mas vamos ver o que aconteceu no mundo ocidental: Bush ficou nervosíssimo. Além de não ter sido ele o assassino, já contava o prejuízo que tomaria. Depois dos seus altos lucros com a queda das duas torres que propulsionaram os negócios familiares em termos de armamentos, seguros e petróleo, um acidente deste ocasionado sem sua manobra e estratégia, não se transformaria em lucros e sim em elevadíssimos prejuizos.
Os fabricantes de armas se desesperaram. Se o estopim das guerras faleceu, como ficaria o depósito de armas fabricadas nos últimos dias?
A família inglesa e os megainvestidores das bolsas tremeram em suas bases, pelo fato não ter sido previsto anteriormente. Maldito diabo adolescente afegão!
Nos botecos brasileiros a reclamação foi geral. Como nós vamos justificar todas as cervejas e a saideira junto? Os donos de banca de jornal também ficaram muito preocupados, pois venderam muito neste dia, mas e os outros dias que virão? Só se consolaram ao pensar na situação que ficaram os jornais, as revistas e a mídia em geral.
Os professores nas escolas, embarcados sabiamente no 171 da interdisciplinaridade, não teriam mais assunto a puxar, quando quisessem murcegar suas aulas.
Psiquiatras, psicólogos, psicanalistas, terapeutas, padres, pastores, vigários e vigaristas, todos no mesmo barco entraram em pânico. Diminuiria com certeza a clientela. Pessoas não bateriam mais às suas portas com manias de grandeza, de perseguição, com toc's, depressões, paranóias, esquizofrenias e mais uma série de eczemas mentais.
E quando chegar o carnaval? Pensaram os comerciantes das ruelas sem taramelas. Outros mais religiosos jogaram fora seus porretes de bater em Judas no dia do Sábado de Aleluia.
Até o mendigo da praça chorou de tristeza. Ele que não tinha nada mais a perder, não conseguiu deixar escapar meia dúzia de lágrimas (era tudo o que tinha). Ninguém mais apontaria o dedo para ele: olhe o BIN ali!
Muitas garotas de programa entraram em parafusos. Jogaram fora suas fantasias do terrorista e com certeza diminuiria razoavelmente o número de clientes.
Logo agora no ano politico? Bradaram os políticos tupiniquins deixando cair seus dólares sob as cuecas, ao se sentarem em seus piniquinhos de ouro.
Se com BIN era ruim, sem BIN é pior! Suspirou o velho aposentado que só tinha dois assuntos a tratar com seu melhor amigo: baralho e BIN LADEN.
Até dois garotos criativos na escola, ficaram tristes. Para burlar seus professores bolaram um novo jogo: cara seria BIN e coroa seria LADEN. Quando gritavam: BIN ou LADEN? Falavam rapidamente e os professores não percebiam que era um jogo de cara e coroa e ficavam satisfeitos, pois, enganados pensavam que o assunto era cultural.
Mas a tristeza durou pouco tempo. Os donos do mundo não cochilam no sereno. Uma semana depois explodiu um café em Paris. Al Shafir assumiu o atentado. Todos respiraram aliviadamente.
EX-LULA
Dizem que tem ex de tudo. Gostaria de ver o ex-Lula. Por trás desta figura presidencial, gostaria de ver um récem-nordestino menino faminto semi-paulista bocejando um beabá junto de sua mãe. Não gosto de vê-lo depois do ex, um espécime estranho péssimo presidenciavel récem emergente rapino semen líbero libertino bramando tipo alibabá.
Não gosto de vê-lo em limusine. Prefiro-o de brilhantina entrando num fusca, prisioneiro militar.
Se tem ex de tudo, cadê você EX - LULA?
FRANCOMACOM E A IDADE DO HOMEM
No meu texto "a idade do homem", eu escrevo que na natureza nada se perde, nada se cria, nada se transforma, enquanto que Lavoisier disse que na natureza nada se perde, nada se cria e tudo se transforma. Na realidade dá no mesmo e depende do ângulo em que você olhar. Aí está a velha antítese entre Parmênides e Heráclito, no Antigo e Vasto Mundo Grego. Só vou lhe fazer uma perguntinha para movê-lo a pensar: você, caro leitor, tem a certeza absoluta de que toda a transformação que você percebe é realmente um movimento cambiante ou estático? Veja que a análise do movimento faz parte da consciência objetiva racional do homem. Será que nós temos certeza absoluta da realidade da característica do movimento ou da aparente transformação que observamos na natureza?
SÓ PARA NINGUÉM NOTAR
MANEQUIM MANÉ
O cara era professor de desenho industrial de uma escola técnica. Não posso aqui citar nomes não, que ainda tem coelho fora da toca por aí (cale-te boca!). Mas foi verdade de arregalar o umbigo. A escola era enorme e com dois andares, sendo o pátio interno em forma quadrangular, com os respectivos andares em suas laterais.
O danado era engenheiro e metido a besta desenfreada que só vendo. A garotada não parava de gritar: "Manequim! Manequim! Manequim!". Chegou um momento que o bicho desconfiou que era com ele a ponto de transcolorir sua careca draculiana. Diziam que se adaptasse dois dentes caninos longos nele e uma capa vermelha, seria imediatamente contratado por Hollywood para trabalhar num filme mais ou menos assim: "Drácula vence a estaca!".
Como disse, o ganjão desconfiou que o negócio era com ele mesmo. Conversa aqui, futuca ali, fofoca acolá: "É comigo mesmo!".
Ele era a fotocópia, o irmão gêmeo, o auto-retrato perfeito, limpinho, passado a ferro trifásico de um manequim de uma imensa loja que se instalara no coração da cidade!
Foi lá bem disfarçado, com um boné do flamengo na cabeça, viu, conferiu, mediu o boneco e não teve dúvida nenhuma: "Alunos miseráveis, descobriram meu protótipo aqui! Vou pedir a minha mulher para comprar este vascaino pelo preço que der. Vou botar fogo neste cruz-credo na primeira encruzilhada que encontrar pela frente!".
A mulher partiu destroloucadamente de viés para a loja e foi logo mandando: "Moço, quanto você quer neste manequim?" Minha senhora, a loja de sexy shop fica no segundo quarteirão!"
"Não moço, né prá isto não. Isto não funciona lá em casa já faz tempo. Se um me mata de raiva, dois nem pensar, quer dizer, você não entende o que eu falo, estou falando demais, mas eu queria levar ele pra enfeitar a minha sala, quanto você quer nele?"
"Senhora, isto aqui não vende manequim. Nós vendemos de tudo desde roupas a eletrodomésticos, mas este aí não!" O vendendor deu aquele sorrisinho de lado e deslanchou:"A senhora não sabe o lucro que este bicho tá dando prá nós! Depois que botaram ele aí, nossas vendas cresceram tres vezes mais. Ele já se tornou nosso garoto, ou melhor dizendo, nosso careca propaganda! Tem mulheres que já beijaram a careca dele!"
"Moço, se beijaram a careca dele, manda elas levá ele pra casa!" Desaba a mulher numa ponta de ciume. "Minha cara, se nós não vamos vender o cabra, dar ele pros outros muito menos!"
A mulher começou a pensar:"Lá em casa ele só enche o saco. Os vizinhos não gostam dele. Ele é considerado antipático por todo mundo. Agora aqui na loja o bicho é querido por todos. Não dá pra entender este mundo. É por isto que as lagartixas ficam em cima do muro tribatendo as cabecinhas e dizendo: este mundo tem coisas, este mundo tem coisas". Em volta dela havia dezenas de alunos que se revezavam na loja para ver o manequim parecido com o professor. Ela não os conhecia. Seu diálogo com o vendedor foi pego desnudo. No dia seguinte enquanto o professor passava no pátio, os alunos gritavam: "Manequim mané! Manequim mané! Manequim mané!".
PAZ E AMOR
Conheço um sujeito chamado Seu Patrício, que apesar da nacionalidade de seu nome, é muito mais meu conterrâneo do que seu.
Uma vez, acompanhei-o até a Farmácia para comprar um analgésico.É até dificil de compreender como um homem pacífico igual aquele, tinha dores de cabeça. O farmacêutico era muito velho, mas levando em conta sua longevidade, não estava ficando biruta, pelo contrário, era mais vivo que o seu próprio celular.
A farmácia naquele momento matinal, ainda vazia, somente com uma senhora envolvida numa meia discussão com o farmacêutico: "eu não estou entendendo esta letra do médico não, minha senhora! Só ressuscitando Champollion para decifrar estes hieróglifos! Deixa eu ir lá dentro perguntar ao meu filho para ver se ele entende!"
Enquanto o farmacêutico estava lá dentro, a mulher voltou-se para Seu Patrício: "este farmacêutico tá tão velho, que tá caducando! ele nem sabe mais ler nome de remédio nas receita!". Seu Patrício retrucou: "concordo plenamente com a senhora!". Nisto o farmacêutico voltou com o remédio na mão: "tá aqui, minha senhora, meu filho descobriu o quê que é!". A mulher levou o remédio e ainda deu uma olhadinha de soslaio e sorriso por meu amigo que lhe retribuiu subliminarmente.
Meu amigo pediu a aspirina e nisto o farmacêutico sussurrou-lhe: "esta mulher tá ficando doidinha da silva! Não tem mais paciência prá nada!" "Com certeza, concordo plenamente!", retribuiu meu amigo.
Na saída, já na calçada da rua eu não aguentei e falei: "Seu Patrício, não estou entendendo mais nada. Quando a mulher falou que o farmacêutico estava ficando doido, o senhor concordou com ela. Quando o farmacêutico disse que a mulher estava ficando maluca, o senhor concordou com ele! Afinal de contas, quem é que está certo nesta história?" Seu Patrício olhou para mim e replicou: "Você também está com a razão. Concordo plenamente com você!".
Se pudesse mudar o nome das pessoas, mudaria o nome de Seu Patrício para PAZ E AMOR.
Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 05:14 0 comentários Links para esta postagem
sexta-feira, 15 de outubro de 2010INCÊNDIO E PREGUIÇA
O camarada se chamava Mané do Trato(porque ele não cumpria nada que combinava com as pessoas), de forma que ele afirmava uma coisa e deixava o sujeito no maltrato. Mané do Trato foi cincoenta por cento responsavel pela saída do padre pra sempre. Mané era muito preguiçoso. Vamos começar pelo padre, conforme nos indica o título deste caso.
O padre organizou uma festa muito grande no dia da padroeira. A Igreja ficou apinhadinha de gente que nem pé de jabuticaba no cio. O padre ficou do lado de fora preparando os incensários, porque ele queria fazer um fumacê danado de cheiro de incenso para deixar em delírio a comunidade.
O homem estava todo entusiasmado. O fumacê começou na entrada da Igreja. Dois puxa sacos balançavam os incensários de forma que no meio daquela bruma doida de fumaça, quase não dava pra ver o padre, a não ser a sua carecazinha de Santo Antônio que saiu boiando sobre a penumbra cheirosa dos incensos ardentes.
O padre foi entrando, foi entrando, foi entrando devagar.... até que um garoto soltou o grito: "O padre tá pegando fogo minha gente! O padre tá pegando fogo minha gente!". O povo pulou em cima do padre com tapetes na mão, rasgaram o resto de sua roupa, embrulharam ele numa toalha. Ele queimou um pouco as pernas, pois o fogo começou a pegar pelas bordas das suas vestes sacerdotais. A festa acabou sem começar. O padre marcou para outro dia, mas ficou muito envergonhado e sem graça.
Agora vamos voltar pro Mané do Trato. Este cabra era preguiçoso de inchar. Ele tinha uma carroça de burro para fazer uns pequenos biscates. Ele ganhou uma tinta vermelha para pintar a carroça. Como ele era muito prequiçoso, resolveu pintar a carroça com o burro amarrado. Pegou jornais e papelão e forrou o burro para ele não pegar tinta. Colocou o latão de tinta ao lado da carroça e com uma bomba manual de pulverizar insetos, ele conseguiu pintar mais ou menos a carroça. Ele cansou logo porque era preguiçoso demais e resolveu deitar debaixo de uma árvore na praça, para descansar e também esperar a tinta secar.
Nisto vem o padre, o tal que pegou fogo. Quando ele passou perto da carroça, devido ao cheiro da tinta, ele deu um espirro. O burro se assustou debaixo de seus jornais, enfiou o rabo no latão de tinta, bateu com ele prá lá e prá cá, dando como resultado o padre pintado de vermelho. Imaginem vocês, um padre careca pintadinho de vermelho dos pés queimados até a cabeça!
O padre não aguentou. Apesar de toda a sua fé, arrumou a mala e nunca mais voltou naquele lugar.
ACIDENTE INEXPLICAVEL
Como foi que a irmã de caridade segurou o Damião e soltou o Cosme, isto ninguém saberá, porém o resto vamos ver com o desenrolar da estória. Tá certo que a curva era perigosa. O movimento intenso, a chuva fina e que todos estavam a mil por hora. Mas como entender tudo aquilo?
Amontoados num canto da estrada: duas rodas de bicicleta sem o resto da mesma, o capô de um fiat, o banco lateral de uma moto, o resto de uma cadeira de primeira classe de circo, o pedaço de uma placa advertindo Devagar Escola, um carrinho de picolé (o vendedor estava do outro lado rezando o terço e se benzendo), um São Cosme quebrado sem o São Damião ao seu lado (a única coisa que rimava naquela situação).
O saldo de feridos era o seguinte: um rapaz apressado perguntava se alguém havia visto uma orelha por perto, ao que um outro respondeu: "vi um cachorro carregando a mesma!".
O outro acidentado era um senhor sem as duas pernas e que dava gargalhadas por não ter morrido ali no acidente... o vendedor de picolé se benze tanto que parece pai de santo no auge da incorporação... a irmã de caridade foi socorrida por uma beata... o dono do fiat todo arranhado gritava: "fui enganado agora é tarde!".
Ninguém entendia o que aconteceu. "Cadê as pernas do moço?" Um bêbado respondeu: "A cigana jogou no poço!".
"Cadê a orelha do motoqueiro?" "O padre jogou no galinheiro!". "Cadê o circo que perdeu a cadeira?" "Tá com o palhaço falando besteira!" "Onde foi parar o São Damião?" "Foi dar na sua mãe um pescoção!" "Tirem este bêbado daqui senão ele vai pra lista dos acidentados!"
"Eu não saio porque sou a única testemunha que viu e que sabe como foi o acidente!" Berrou o bêbado.
"Então explica pra nóis devoto do conhaque São João da Barra e da cachaça Santa Terezinha, como foi tudo isto?"
"O que vocês pensam que é roda de bicicleta, cadeirinha de circo e homem sem pernas, é um deficiente físico que vinha em sua cadeira de rodas pelo asfalto, em grande velocidade, fez a curva engavetando sobre o vendedor de picolé, ambos se embolaram e se arrastaram até o ponto de ônibus, atropelaram a irmã de caridade; em direção contrário vinha o fiat e a moto que se embaralharam, encapotaram, a placa de sinalização pendeu e cortou a orelha do motoqueiro... agora se vocês me perguntarem como foi que a irmã de caridade segurou o Damião e soltou o Cosme, isto eu não sei responder não!".
ESPERTEZA SÍRIO-LIBANESA
Naquele tempo, não estou falando do tempo em que os bichos falavam, mas do tempo em que os turcos comerciavam à vontade entre as serras interioranas; tudo era diferente e ninguém passava desodorante debaixo do sovaco, porque as outras coisas todas cheiravam todinhas, desculpem-me o pleonasmo; mas era assim mesmo, pois laranja perfumava do pé até a beira do rio e se você colocasse uma meia dúzia de goiabas dentro de casa, ela ficava toda engoiabada.
Seu Serafim sofreu derrame e ficou entrevado (nós da cidade já falamos AVC e paraplégico) e pediu para seu sobrinho (saudades do "bença pai, bença mãe, bença padinho, bença madinha", infelizmente o tempo prá crescer e vigorar como tempo, precisa de devorar as coisas boas); então como dizia, Seu Serafim derramado e entrevado pediu ao seu afilhado (já está parecendo aquela poesia da pedra no meio do caminho de Drumond), mas volto de novo; Seu Serafim entrevado e derramado pediu ao seu afilhado para comprar na Loja do Turco um São Jorge. Todo mundo tinha este quadro na sala de visitas.
"Seu Mamed, meu padinho mandou comprar um São Jorge pra ele!" O turcão foi até as fundos da loja e revirou tudo quanto é santo de forma que até Santa Terezinha dos Indigentes ficou coitadinha de pernas pra cima, em posição caridosa, sem nenhum pudor. Não achou de jeito nenhum o danado. Então ele pensou: "Se o fim do Serafim foi ficar abobado e travado, ele nem sabe mais como é o São Jorge e vou enfiar nele este São Pedro aqui, por que também aquele menino é novo e não vai desconfiar de nada."
O menino olhou bem pro São Pedro, com aqueles olhinhos azuis e um molho de chaves na mão e bradou: "Né esse aí não! O que o padinho quer é aquele que tá montado num cavalo alazão, vestido de soldado, com uma lança nas mão enfiada na guela de um dragão!"
O velho turco não perdeu tempo: "Menino, deixa de sê bobo! Quê quê cê tá prendendo no grupo escolar? Não viu que os tempo mudaram? São Jorge vendeu o cavalo, a sua espada, sua lança, sua armadura de prata e juntou dinheiro. Com o dinheiro juntado comprou um carro. Tá vendo o molho de chaves na mão dele? É chave do carro, da garagem e da casa nova que ele comprou!"
O menino enfiou o quadro debaixo do braço e o turco anotou na caderneta do Seu Serafim o preço do São Pedro no lugar do São Jorge, para aumentar milagrosamente sua fortuna.
Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 02:26 0 comentários Links para esta postagem
sábado, 2 de outubro de 2010SALIM ASSIM ASSIM
É impossivel a gente imaginar uma cidade interiorana sem um turco. Turco? Turco é a mãe! Eu sou sírio-libanês! Eles reagem assim assim. Para eles o turco é porco, sem capricho, relaxado, come com a mão e prepara a massa do pão com os pés. Embora toda a reação e salvando-se todas as mamães, os sírio-libaneses continuam turcos para sempre.
Salim era um destes. Começou como mascate e arrecadou além de uma bela fortuna, mais anedotas que as mil e uma histórias contadas por Sherazade ao Rei Baribê.
Certa vez, ele chegou em uma fazenda com seus dois animais abarrotados de mercadoria. Estava torto de cansado, porque morto, nem quando dormia com um olho para vigiar suas mercadorias com o outro. O que ele queria mesmo era comer e dormir.
Acontece que a mulher do fazendeiro, casadinha de novo, estava para dar a luz. Ele já chegou correndo: "Ah! que bom Seu Salim! Preciso que o senhor volte urgente para a Vila trazer uma parteira para minha mulher, que já está às portas de dar a luz!"
O turco replicou imediatamente, para poder dar seu golpe no inexperiente marido: "Não precisa disto não! Eu fui o parteiro oficial de todo o Líbano e toda a Síria! Ajudo a sua mulher a dar a luz e ainda confecciono um patuá para o bebê! Só que para fazer o patuá, eu preciso de comer bastante e me trancar num quarto porque vou rezar a noite inteira pelo destino do menino! Este patuá nunca poderá ser desmanchado de forma alguma!". Vocês entenderam, não é? O golpe dele era simples. Ele tinha noções de parteiro de tanta estrada que andou. O negócio do patuá era para ele poder comer bem e dormir sem ninguém incomodá-lo.
Os anos passaram. A fama de Salim comeu poeira de todas as encruzilhadas. Todo mundo já sabia que ele era bem mentiroso.
Dez anos depois, o fazendeiro resolveu desmanchar o patuá costurado e pendurado com um cordão de nylon no pescoço do Yazib (nome que o turco teve a honra de dar ao menino). Sabem o que estava escrito? Não? Pois vejam: "SE PARIR PARIU, SE NÃO PARIR VAI À PUTA QUE PARIU!".
CUIDANDO DE SI
Meu prezado amigo e irmão, não somente deixeis que morra vosso pássaro cantor, mas não permitais que o levem ou que o aprisionem em gaiolas aparentemente de ouro.
Muito mais que fingir-se fraco quando estiverdes fortes, ou fingirdes fortes quando estiverdes fracos, estejais atento para perceber o momento certo de colocar cada roupagem.
Não vos incomodais com as pedras que vos atiram. Aproveitai todas elas. Transformai estas pedras em ladrilhos para que possais forrar vossa escada de Jacó.
Não se separais do todo, do invisivel, do inominável, pois nenhuma folha cai de uma árvore e se perde, nenhuma gota que esvoaça, desaparece e nenhum ramo de erva que seca se evapora; todos eles voltam ao seio do grande uno para que possa permanecer a constante sinfonia universal.
Muitos dirão de vós que falais de coisas estranhas, mas não lhes deis ouvidos, pois vós não tendes culpa alguma da pequenez de seus universos mentais e sabeis que uma lesma não é digna de alçar o voo de uma águia.
Aprendeis com os mais simples, porque eles estão mais próximos da origem do cosmo. Compreendeis os mais fracos porque eles são conforme suas próprias medidas.
Ajudai dentro de vossas possibilidades aos necessitados, mas não o fazeis isto para ganhar coroas de ouro, como fazem os fariseus, e que seja esta atitude o vosso natural de viver.
Quando não fordes compreendidos, não vos revolteis, porque Aquele que vos dará vosso salário é o Pai da Compreensão. Estes outros são filhos da inveja, do verbo latino invedere, isto é, ver com maus olhos e esta não é a forma de olhar do Eterno, que só vê com bons olhos, porque tudo que Ele vê, Ele vê que é bom.
Não vos identifiqueis com o vosso ofício ao ponto de pensar que é o todo de vós. Ele é apenas uma parte de vós, de onde ganhais vosso pão, mas ele não sois vós. Somente vossa alma unida ao uno sois vós mesmos. No universo ninguém trabalha por conta própria.
Considerai o local de vosso ofício como um espaço sagrado onde se reunem todos aqueles que não por uma coincidência, mas por uma sincronia divina, ali estão reunidos, para junto de vós completar uma jornada.
Amai ao uno sobre todos as coisas, cuidai de vós mesmos como uma mãe cuida de uma criança, considerai vosso próximo no respeito e na tolerância, mas não percais a reverência por todas as coisas, porque elas são o fruto do sacrifício cultural de todos aqueles que vos antecederam.
Não vos preocupeis exageradamente, pois a própria palavra preocupar carrega a sua ingenuidade própria: pre(antes), isto é ocupar-se de uma coisa antes que ela aconteça!
Estejais atentos a cada minuto de vossa vivência, pois é o único que vos pertence. Para o passado mandai uma mensagem de perdão, não só para aqueles que vos prejudicaram, mas também para todos aqueles que tenhais prejudicado. Para o futuro mandai uma mensagem de promessa e de esperança, porque tendes certeza que viveis da forma mais correta possivel.
Nunca percais a confiança. Confiança tem muito a ver com "fiar", com "fé", na sua origem léxica, portanto, não abandoneis o tear sagrado onde aprendeis a tecer o manto da sabedoria.
Eu vos desejo um bom final de semana.
IMPOSTO COMPLICADO
O cara era cabo eleitoral do deputado - seu nome: Bonifácio. Vocês percebem que pela raíz latina significa bem feito, coisa que foi feita certinha. Mas não foi isto que aconteceu não e vocês me acompanham que vão ver.
Bonifácio morava num lugar de divisa. Você sabe o que é lugar de divisa? É aquele que passa um rio no meio de duas cidades que fazem divisa entre dois estados. Pois é aí que a coisa pega.
O deputado colocou Bonifácio como fiscal de barreira no outro lado do rio, lugar certo para puxar a sardinha pro lado de cá, ou melhor para o seu estábulo eleitoral.
Com uma caneta Bic, um lápis e uma prancheta o dito cujo botou pra quebrar. Um dia ele recebeu o seguinte telegrama: "vistorie todo o dorso do rio, veja quem está passando mercadoria sem imposto e guarde sigilo."
Bonifácio largou a boca da ponte onde trabalhava, arrumou um barco, arregaçou as mangas e partiu para a sua missão.
Uma semana depois respondeu o telegrama da capital, com o seguinte telegrama: "vistoriei, ouviruei e tocaruei não só pelo dorso, mas também pelo amargorso de todo o rio, prendi vários vigaristas, multei, mas não vi em lugar nenhum o tal do SIGILO, que deve ter fugido prá bem longe."
A Direção vendo a incapacidade do homem, transferiu-o para uma parte mais distante da beira-rio, onde tinha somente uma ponte de madeira com pouco movimento. Mas Bonifácio não estava para perder tempo.
Vinha um enterro do outro lado e Bonifácio exigiu que mostrassem a nota fiscal do caixão. Como não tinha, ele prendeu o caixão com o morto dentro. "Isto só vai dar sequença, quando as nota tivé nas minha mão!"
A viúva chorava e gritava:"Ah! meu Deus, o Beto quando era vivo nunca pagou imposto nenhum e agora depois de morto vai ter que pagar imposto do seu caixão!"
Bonifácio retrucou: "Então vocês levam o morto e deixam o caixão aqui!"
Bonifácio saiu correndo e apanhou uma toalha da repartição: "Aqui, enrola o morto nisto e toca o enterro!".
Assim fizeram. Um bêbado vendo o enterro passar com aquela toalha selada ALFÃNDEGA, gritou:
"Até que enfim vocês reconheceram a morte do nosso sistema tributário brasileiro!".
A viúva continuou chorando:"Ah! meu Deus, o Beto nunca me falou que ele sofria do sistema urinário dianteiro!"
VEREADOIDO / VEREADOR DA DOIDEIRA
O cara era mais enfeitado que burro de cigano. Estava completo, enlatado para empaturrar o distrito e colorir o poente. Cirurgiando-o dos pés à cabeça, lá vai ele todo produzido: canivete corneta pendurado na presilha sobre a banda da bunda à direita, um espelho ovalado com uma figura repartida de uma sereia mestiça com miss missanga, na presilha da banda da bunda à esquerda, um cortador de unhas de lagarto na presilha da frente, camisa xadrez, calça tropical, chapéu de palhinha.
Uma botina vulcabrás ainda batizada de lama com estrume num barulho treco-treco pendurando pelos degraus da escadaria em direção à Igreja. Testemunha de casamento que chega atrasado, com certeza está prá lá de suado e soltando bafo de pintada pelas ventas.
A Matriz repleta dos santos fazer caretas, de São Sebastião esquecer de suas flechas alojadas no corpo e de São José quase deixar o menino Jesus cair na careca do padre, porque mijar já havia acontecido pela santa providência de uma goteira paciente no teto.
Do jeito que o homem chegou, o homem entrou como um asno engasgado com mamona. Mas onde se alojou? Certinho em cima do rabão do vestido da noiva. Com um empurrão de um boiadeiro, conseguiram tirá-lo de cima. Caiu sentado no colo de uma velha rezadeira, que lhe plantou uma mordida na orelha com dentadura de dezoito dentes e meio, sendo o arco de baixo em forma de serrote, além de enfiá-lo guela a dentro, um rosário de cinquenta anos de rola-contas.
Mas o cara continuou assim mesmo como testemunha. Afinal de contas como candidato a vereador não podia dar vexames.
Um menino gritou: "lá vai a noiva Vulcabrás!", enquanto sua calda deslizava pela nave paroquial, com o selo da botina borrada. Por incrivel que pareça, o noivo se chamava Brás, de forma que toda a roupa suja foi lavada em casa.
Assim, de batizados, casamentos, enterros e festas de aniversários o cara virou vereador.
Para Presidente da Câmara foi apenas um salto mortal de doideiras. A loucura no Legislativo foi tanta, que veio gente da República pra vistoriar o tresloucado. Examinaram a papelada toda e um promotor gritou: "O senhor merecia ir para um sanatório!".
O maluco não sabia o que significava isto. Tinha escondido por trás de uma santa padroeira na cozinha da Câmara, um pai dos burros completo.Em homenagem a ele, colocou o nome de seu jegue preferido de 'ORÉLIO'. Abriu o livrão. Mas não se lembrava do nome para onde tinha que ir...."ssss....se....sen......sena....SENADOR: alto representante da república brasileira!" "Nossa mãe, onde foi que o promotor me colocou! Alto político da minha nação!".
Voltou troteando: "Obrigado, muito obrigado, eu não merecia tanto!". "Merece sim, e com camisa de força!" "Nossa, o homem quer que eu seja promovido já!".
A doideira continuou a todo o vapor. O danado traçou um projeto revolucionário de abastecimento de água. Um engenheiro contratado avisou: "Presidente, o seu projeto desobedece a lei da gravidade!"
"Não tem problema não, nóis reuni a Câmara e faizi um projeto de lei mudando esta tá de lei da gravidadi!".
MAZZAROPI IMORTAL
O caipira é um Mazzaropi imortal. Mazzaropi foi um gênio, uma mistura casamental de Carlitos com Mané Garrinha. Melhor seria seu nombre soando "Mazzaritos". Leitores assíduos, nesta verduralíssima estória vamos rememorar o caipira. Porém, segura-se aí frente à tela do seu computador, senão você cai e pira. Ele não é nada bobo. Quando lá nos cantos de serra donde vim, um deles chegava numa venda, com sua dona ao lado, perguntava: "moço cuanto custa isto?" "é tanto!" "tudo isto moço?, eu só tenho isto aqui!" "Ah! vai por isto mesmo!". Assim o caipira ia comprando tudo pela metade do preço e levava em sua conversa miúda os turcos no embornal.
Um dia, um deles entrou na Matriz e ficou olhando tristonho para Cristo crucificado. No alto da cruz estava escrito a sigla latina INRI (IESU NAZARENUS REX IUDAEORUM), ele não sabendo o significado perguntou a um outro caipira, mais letrado: "Zé, quê quê tá scrito na cabeça do condenado?" "Óia Bastião, é INRI" "Quê qué dizê INRI?" "Óia Bastião é a aberviatura do carpinteiro que fez a cruz e se chamava INRIQUE!". Interessante quando foram na Capital e na beira da estrada viram aquele casarão bonito com um nomão galã de cara. "Zé, quê queê stá scrito lá?" "Bastião, é MOTEL!" "Quê qué moté?" Enquanto Zé pensava, um velho sentado atrás no ônibus sussurrou no seu ouvido:"É lugar de encontro de casais!" Zé olhou para Bastião e falou no seu ouvido: " Na nossa terra Bastião nós fazemu bobice atrás da moita. Aqui é muito grande, eles fazi no Moitel!".
Mas os anos passaram e Bastião resolveu de corpo e alma,com dois remendos na bunda, entregar-se a Jesus: virou evangélico. Venha como vier e deixe Jesus entrar! Já tinha aprendido a juntar palavras e gaguejar um alqueire de palavras sobre um livro.
O pastor mandou seu recado: "Bastião, si tivé arguma duveda, mi pregunta, tá?". Um dia ele chegou correndo: "Pastô Sálvio Pinto, Jesus era casado?" "Tá doido, Zé, onde tu tirô istu?" "Na biubla eu li: Jesus táva na cruiz e aos seus pé jazia a sua Tunica!" "Né Tunica não, é túnica uma capa que se usava naquele tempo!".
Duas semanas depois:
"Pastô Sálvio Pinto, casado eu sei que num era, mais ele era muito complicado e difici de se lidá!"
"Pelo amor de Deus, pu quê sê fala asi?" "Óia, li na biubla. Jesus vinha de jirico e entrou na cidade de jerusalé de jumentu. Que diferença faz ocê tá no lombu dum jirico e passá pru lombu dum jumentu?"
"Né jirico não Bastião! É da cidade de Jericó!".
Bastião baixou sua cabeça e jurou não falar mais nada. Até que um dia... "Pastê Sálvio Pinto, agora num dá não. Este tá de Paulo eu num quero lê não! Ocê sabi qui sou flamenguista e este homem só iscreve carta pros corintio!"
Bastião deu uma querentena de descanso ao pastor. Mas era inquieto demais. Não aguentava ficar sem uma real explicação.
"O sinhô sabe quandu Jesus vai vortá?" "Nem os anju do céu sabi, Bastião!" "mais divia sabê. Ocê já pensô si ele vié entre dezembro a março? Du jeitu caqui chovi, pastô, o coitadinhu vai moiá de dá dó!".
UM NUEVO OLHAR SOBRE O MITO DO ÊXODO
Segundo a Bíblia, Moisés é filho de AMRAM e JOCHEBERT, da casa judaica de Levi, da linhagem de Jacob e Abraão. O Egito temendo o número crescente de judeus, mandou matar todas as criancinhas. Seus pais o esconderam por três meses em casa e depois colocaram-no em um cestinho no rio, onde a filha do Faraó Seth I banhava-se. Moisés foi criado como príncipe, sendo muito amado por Seth I, que desejava fazê-lo faraó, o que trazia a inveja de Ramsés II, seu filho. Posteriormente vou escrever uma maravilhosa narrativa a respeito de tudo isto. Porém, agora, o que me interessa é desvendar este mito, de forma espiritual. Vamos lá. Moisés somos nós mesmos. Temos nossos pais verdadeiros, essência do Ein Sof divino, mas desde cedo somos jogados no rio da vida, onde banha uma princesa que é nosso ego, parte de nossa personalidade. Nosso ego nos assume, mas em certo momento, tomamos consciência de nossa verdadeira essência e para escaparmos do egoismo total, somos obrigados a renunciar a tudo que a vida nos oferece, em outras palavras, precisamos de lutar contra o Faraó. O Egito representa a terra de nossa escravidão, ou o mundo ao qual estamos presos. Mas sairmos sozinho não adianta. Ir para Midian (outro lugar), se casar com Zípora (ter outras idéias) a filha de Jetro (o mundo do conhecimento), somente não basta. É necessário voltar e buscar os outros que estão escravos, isto é, estão presos também às obediências egoísticas. A saida para o deserto representa a coragem de começar tudo de novo, herança muito viva até hoje dos filhos de Israel. O manah, alimento que IAVÉ mandava todos os dias, significa o sustento espiritual que o Eterno derrama sobre aqueles que decidem mudar de vida. Moisés tinha dois irmãos: Myriam, que tem tudo a ver com a terra e Aaraom, espécie de sacerdote, ou forma de ligar-se da terra ao céu. Aos pés do monte Sinai (Monte Horeb), os judeus ficaram quarenta dias esperando Moisés descer com o TORÁH, o ensinamento sagrado. Quando Moisés desceu, grande parte dos judeus adoravam a um bezerro de ouro (Boi Ápis). Iavé decretou que nenhum daquela geração chegaria a Canaã, a terra prometida. Isto indica que devemos ter paciência, para que possamos receber todo o ensinamento e que também se ficarmos presos ao passado, não chegaremos a um estado superior de espírito. Moisés vagou com seu povo, quarenta anos pelo deserto. Por aí se vê, que o trabalho em busca da iluminação espiritual não é rápido e nem fácil. Vamos pensar um pouco nisto? A palavra ÊXODO, ex - sair para - odus - fora, caminho, significa sair para fora, largar o lugar onde está. Ora, você quer curar a sua depressão? Então me escute. Saia para fora de onde está. Abra-se ao mundo, ao universo, a novas idéias. Faça boas alianças, reata seus laços familiares e sagrados. Faça como fez Moshe! Olhe o que Moisés fez: fez uma aliança com o ALTÍSSIMO, O EU SOU, IAVÉ! Mas também fez alianças com personas boas, como seu irmão AARAON e sua irmã MYRIAM. Não cortou seus vínculos ou laços. Antes de sair do Egito (da escravidão) reconheceu seus pais e abraçou seus irmãos, não passando por cima de seu povo. Pois bem, uma pessoa com depressão, se ajoelhar-se e pedir a benção do ETERNO, se reconhecer seus vínculos, saber-se inserido em uma família, em uma irmandade, se também atar laços com boas pessoas, que pensem positivamente, que construam novas oportunidades e abrindo-se a renovadas idéias e pensamentos transcendentes, com certeza a depressão não encontrará lugar para fundamentar suas raizes. Esta também é uma outra visão do mito do êxodo. Moisés manda construir uma ARCA DA ALIANÇA e dentro dela coloca as duas tábuas da lei, a vara de AARAOM e um vaso de maná. O que isto serve para a minha compreensão? Ora, a ARCA DA ALIANÇA é o seu próprio coração. É nele que você tem que guardar a revelação divina, a presença do sacerdote e o instante primeiro em que recebeu todas estas dádivas. Vamos pensar um pouco nisto?
FERREIRA GOULART: UM GÊNIO NECESSITANDO DE UMA RESPOSTA
Com todo o respeito pela vida e pela obra do grande poeta Ferreira Goulart, escrevo este artigo com o objetivo de responder-lhe uma inquietude, onde na entrevista de hoje, na CONEXÃO ROBERTO DÁVILA, ele a deixou bem claro, quando afirma que DEUS foi uma invenção humana. Declarou na entrevista, não ser contra às religiões e que elas exercem um papel relevante dentro da sociedade. Mas em seu olhar tão doce, percebi um pouco de amargura, pela insegurança ante à reposta da falta de sentido ao mundo e à vida.
Ferreira Goulart é acima de tudo um gênio. Em nosso país, onde vemos cada vez mais o vazio da criatividade em quaisquer áreas, no seio de nossa sociedade, nos encurvamos diante deste valor sobrehumano, na arte do pensamento da poesia e da filosofia.
Nós podemos fazer cafezais, plantando pés de café. Estar na lista dos maiores produtores mundiais de petróelo, explorando nossas costas marítimas. Ser um dos primeiros no mundo, na elaboração da pedra mármore. Porém, seres humanos, não se elaboram assim. Portanto, é com imenso orgulho e respeito que escrevo, assim como respondo ao nosso poeta maior Ferreira Goulart. A pintura não é somente misturar cores. A pintura tem que te levar para a emoção. Ela precisa de convidá-lo a entrar com o espanto para dentro da tela. A música necessita de mexer com o seu estado emocional. Ela tem urgência que interfira no seu estado anímico, para um mundo lúdico e fenomênico. Toda arte funciona desta forma. A resposta ao insondavel, nunca será satisfeita, porém, é mister que a procuremos por trás das telas dos pintores geniais, entre cada palavra da poesia perpétua, assim como no reino invertido da arte. Pois, você poeta, entenderá nas linhas mais abaixo, que faz parte deste jogo.
Engraçado, quando Ferreira Goulart depõe sua idéia sobre capitalismo e socialismo. Ele sabe perfeitamente que o capitalismo chegou a um nivel desastroso de desrespeito humano a partir da revolução industrial. Também sabe que o socialismo foi uma resposta para reorganizar este movimento.
O capitalismo é a própria natureza. Ela é selvagem, porém inventiva, criativa, multirelacional, amoral e caótica, porém produtiva incessantemente. O socialismo já é uma invenção humana, ou melhor, uma intervenção da consciência para corrigir a selvageria do capitalismo. Agora imaginem um país dominado por uma dúzia de socialistas, enquanto outro país é controlado por milhões de capitalistas. Portanto, depois que criaram as leis trabalhistas e as leis reguladoras do capital, o capitalismo ficou mais social. Pois bem, o capitalismo, se deixar, ele chega ao extremo, pois é a própria natureza. Ele precisa é deste termostato de leis sociais para controlá-lo.
Agora sim, é que vou responder, repito, com toda a reverência, à dúvida de Ferreira Goulart, quanto à existência de DEUS.
Quando o poeta diz que a vida não tem sentido, ou DEUS foi inventado pelo homem para dar significado a ela e que ELE foi criado para surpreender o acaso (por exemplo, confiando em DEUS eu me esquivo de balas perdidas), o grande literata necessita de uma ajudazinha aí.
Na mesma entrevista, ele fala que não compreende o universo. Vivemos como um insignificante microgrão, dentro de uma galáxia com outros trilhões de planetas, astros, estrelas, etc.... além do mais existem bilhões de galáxias assim, com quatrilhões de corpos celestes... não dá para entender, a ciência não explica nada até agora. Também relata que o BIG BANG é uma teoria vazia. O poeta captou a mesma idéia que tenho, ou talvez nós poetas somos filhos da mesma luz.
Pois é, meu amado poeta Ferreira Goulart. Pense ao contrário. Tudo é divino e maravilhoso, já dizia Milton Nascimento, antes de nós. Você é divino e maravilhoso. Esta inspiração que o faz escrever poemas fantásticos vem da luz divina, para que nós humanos possamos ver, o que os nossos olhos objetivos não alcançam.
O universo é infinito porque é divino. O universo não é humano. O humano também tem uma fagulha da divindade em si. Não é através de nossa imensa mente racional que vamos compreender tudo isto. É somente pelas frestas desta atômica chispa divina que há em nosso ser, que poderemos entender todo o manancial cósmico, por uma integração com ele.
Antes do Big Bang? Com perguntas como antes, depois, qual foi a primeira coisa criada, não chegaremos a lugar algum. Este é um procedimento racional. O proceder da resposta vem da permanência da dúvida e do campo intuicional. O Big Bang está acontecendo em milhares de lugares do universo, agora, em maior ou menor proporção, inclusive no nosso próprio corpo, com átomos, células, sistemas, etc.
Mas meu caro poeta, não se preocupe demais. Você tem a alma pura e o coração de um menino. Você está equipado para entrar no reino dos céus.
Ele começa a entrevista dizendo sobre a solidão. Não é possivel estar sozinho não é meu poeta? Se você escreve, tem o papel que foi feito por alguém, tem a caneta, ou o computador, o teclado, a tecnologia. Está tudo isto junto comigo. Estou aqui escrevendo este blog, por exemplo. Estou só? Talvez a vizinha debaixo diga que sim. Mas quem fez todo este aparato tecnológico? Quem colocou os janelões do meu escritório? Quem deixou este apecto de limpeza nele? Quem podou as árvores do meu jardim? Se continuo a perguntar, deixo de ser um solitário e passo a ser um solidário.
O poeta também se refere à questão de insistirmos em ter razão. Ora, de que adianta você ficar com toda a razão deste mundo e ficar sozinho? Você tem razão, repito, mas está completamente só. Não é preferivel ter menos razão e estar junto com todos? Pois é justamente isto que os homens tem que aprender para acabar com as brigas, as polêmicas intermináveis, as inimizades, as separações, inclusive as guerras. O judeu tem razão, o palestino também tem suas razões. Se ambos procurassem ter menos razão viveriam melhor, com menos prejuízos de vidas, de alegria, de sentido de viver.
O poeta fala também sobre a arte. Pois é, o que me faz aceitar que uma obra é artística realmente? Ora, quando ouço Beethoven eu sei que é bom. Quando vejo Cézane, também sei que é pintura de qualidade, etc. Quando leio Drumond ou Ferreira Goulart, sinto que são poetas de excelente qualidade.
A poesia organiza verbalmente a lógica e a ultrapassa como norma de linguagem. Assim também toda a arte se comporta. Se digo, "vou comprar pão, isto não é poesia".
Ferreira Goulart, você está com sua eterna poesia, mais perto do céu, que muitos outros carregadores de livros sagrados debaixo do braço, ou que vivem a bradar o nome de DEUS a todo momento, mentindo, explorando o próximo, enganando em nome de DEUS à Humanidade.
QUEM NÃO QUIS(ser) RIR VÁ TOMAR REMÉDIO
QUEM VAI SER O COMILÃO
A mulher apareceu toda nervosa na praia. Uma sacola na mão, mexendo e rebolando e foi logo dizendo: "Moço, o que tá aqui dentro é minha gata. Eu vou soltar minha gata. Meu marido me falou que se eu não soltar a minha gata, ele não vive mais comigo! Pensei na praia porque dá muito peixe na areia e de fome sei que não vai morrer"
"Mas não é assim não, minha senhora, que se solta uma gata! Ela volta de novo para sua casa. Estes bichos são inteligentes demais. O negócio é a senhora voltar pra casa e dar uma duzentas rodadas com a gata dentro da sacola, e vir para cá, que eu mesmo resolvo o problema da sua gata e ela não volta mais pra casa. Vai lá, que eu espero aqui!"
Dentro de duas horas a mulher voltou com um rocheão no rosto: "Tá vendo, comecei a rodar, a rodar, a rodar, sem mais nem menos caí e bati com a cabeça na parede, mas rodei até a gata desmaiar! Pode ver que ela tá dormindo desmaiada dentro da sacola!"
"Me dá aqui minha senhora. Deixa que volto já com a sacola!"
O homem desapareceu no meio da areia e dos arbustos entre as barracas. Meia hora depois voltou: "Pronto minha senhora. Arrumei um entretenimento para o meu gato. A minha mulher já tinha dado meu ultimato. Agora eu quero ver se ele vai ficar trepando o dia inteiro só em cima do telhado!"
SAÍDA ORIGINAL, POR UM POMBO CASAMENTEIRO
Pedro acordou sobressaltado. Nem era para tanto. O relógio ali em frente na mesinha, marcava 6:15 hs. Nem vontade de levantar-se. Sonhava que o mundo se transformara num conto de fadas. As casas eram macias, feitas de ededron. Os carros de borracha, não havia postes no meio da rua. Todas as pessoas sentiam-se como irmãos e irmãs. As cidades margeavam às praias mais lindas e pitorescas do mundo. Mas, tem que ser rápido. Tomar o banho. Fazer o desjejum. Apanha a pasta. Desce num minuto o elevador. No quadro de aviso do prédio: "Vai faltar água amanhã". O porteiro está cochilando. Custa abrir-lhe a garagem. Nem se pode chamá-la assim. Uma apertagem onde encaixa um pouco do seu carro. Vive só e sempre aflito. O trânsito virou um fim de mundo. Calor, buzinas, engarrafamento total. Para em frente à loja. Precisa de comprar um mouse. O dono da mesma não consegue abrí-la, pois a porta de aço enguiçou. Procura por outra loja. Anda no meio de milhares mais afobados do que ele. A moça custa atendê-lo. Ele dá uma nota de 50. Ela não tem troco. Pede para esperar. Vai fazer dinheiro na lanchonete ao lado. Volta comendo um bom bom. Ele retorna correndo. O pneu do carro furado. Parara em cima de um tampão da prefeitura que estava muito enferrujado. Lembra-se de seu maravilhoso sonho. Do seu mundo de Branca de Neve e anões encantadores. Mas a realidade é monstruosa. Amaldiçoa a todos e a tudo. Pervetido estado capitalista moderno que criou uma condição insuportavel de se viver. Para comprovar seus reclames um drogado lhe pede dinheiro para fumar mais craque. Sente-se um impotente diante de tantos problemas. Nisto acontece o inesperado: um pombo pousado sobre um fio, defeca sobre sua camisa. Agora não! Voltar para casa, nem pensar. Teve uma ideia. Entraria em um banheiro, tiraria a camisa para lavar. Foi o que fez. Chegou na pastelaria. A moça atendeu-o. Ele abriu logo o verbo. Ela se dispôs a tirar a sujeira da camisa dele. Ele ficou num canto, sem camisa, tomando um caldo de cana e comendo um pastel. Dentro de 10 minutos ela voltou com a camisa lavada e passada por um ferro a vapor. Um sorriso de encantamento, acalmou-o. Dali nasceu uma conversa. Desta um namoro. Deste uma mudança total de pensamento. Tão grande, que comemoravam a data de seu casamento, no dia em que o pombo defecou em sua camisa! Lembremos, que para tudo, pode ter uma saída e uma solução original.
MACHÃO CARREGA CEARENSE NAS COSTAS
Carnaval dá de tudo e de tudo que dá. Marcão, o super, o fortão, levantador de pesos, tipo Mr.Universo, ou Max Hulk para os mais íntimos, resolveu realizar um sonho inédito: carregar o Ceará, um cearense cabeça de abóbora d'água nas costas, em um folião de carnaval.
Marcão fantasiado de homem da idade da pedra (vê-se que a coisa é inerente à humanidade), colocou Ceará na cacunda, fantasiado na cabeça de globo terrestre e bebeu, pulou e sapateou debaixo do cearense por uma tarde e meia inteira de deixar todo mundo impressionado.
A esposa, muito atenciosa, sempre ao lado, atendendo-o com suas preferidas latinhas de cerveja: "É um sonho antigo dele! Ele já ganhou vários prêmios de levantar pesos. Desta vez quis fazer o papel de Átila carregando o mundo nas costas! Ele está realizado! Agora é o peso que está levantado na cacunda dele"
Uma senhora se aproximou e disse: "Seu marido é forte mesmo! É um verdadeiro machão com este nordestino inquieto nas suas costas!"
Um senhor desabafou: "Pra carregar um homem nas costas, assim desta forma, tem que ser macho mesmo de verdade. Muito mais macho do que eu. Não é qualquer um que aguenta carregar um homem nas costas assim!"
O cearense explodia de alegria e bebia todas via satélite. Suava e mijava pelas costas do Marcão abaixo e de quando em vez dava-lhe umas duas dentadinhas nas orelhas, o que deixou ambos, mais realizados do que nunca. No carnaval todas as portas são abertas, depende de você escolher a predileta, para realizar todos os seus desejos reprimidos.
CHUPA CABRA APARECE ATRÁS DE UMA IGREJA DURANTE O CARNAVAL
Raimundinho era feio de doer. Ele não veio do nordeste à moda dos outros. Foi expulso de lá e jogado sobre a lona de um pau de arara. Surgiu à luz numa cidade grande, caindo nos braços de uma senhora bondosa e cuidadora da Igreja Católica, rezadeira do terço três vezes ao dia. Criou-o com dó e carinho, abraçado a um crucifixo.
Ele queria porque queria pular carnaval. Afinal já estava com seus dezoito anos, embora parecesse, doze debaixo de sua magreza de competir com bacalhau de feira e de sua feiúra que era a felicidade geral do bairro, por espantar qualquer tipo de mosquito, inclusive o temido da dengue.
Da.Domingas, nome apropriado para o seu catolicismo ferrenho, de tanta pena, resolveu fazer uma bela fantasia de O Pequeno Príncipe para Mundinho. Costurou uma capa azul muito grande com punhos e golas vermelhas e dezenas de botões brancos, enormes, descendo da gola às bordas de suas botas prateadas. Comprou-lhe um cajado dourado e uma peruca amarela. Adaptou-lhe uma máscara do personagem infantil e deu-lhe asas à imaginação no meio dos foliões.
Raimundinho nunca pulou tanto em sua vida. Nem no tempo em que não era realmente criança, lá no nordeste, onde a fome disfarçada com farinha e rapadura rouba três quartos da infância, era obrigado a passar sobre o braseiro das festas de São João. A vontade de urinar foi tão grande, fora uma chuva enorme, que Mundinho resolveu fazer o serviço atrás de uma igreja evangélica. Morto de cansado, sem a peruca, aparecendo somente seus cabelos espinhentos cheios de caspas e perebas, sem a máscara, já perdida na nona hora do show e com aquela cara feia de quem estava com febre aftosa, passou para a frente da igreja, no momento em que os crentes saíam do culto. Quando viram aquela figura sem pai nem mãe, sem genealogia alguma,com botas e capas draculanianas, um cajado mijado, sem correlação com qualquer coisa humana sobre a face da terra, gritaram: "Volta inimigo, regresse para os confins dos abismos infernais de onde viestes!" Mundinho tentou falar: "Vocês nem sabem direito o meu nome...." Eles o interpelaram na hora: "Não fale seu nome aqui não, aqui é lugar santo. Regresse à noite profunda de onde saistes e que nós possamos seguir em paz, depois de uma noite de vigília!"
Raimundinho, triste correu para trás da igreja. Jogou fora sua capa, dentro do córrego que passava nos fundos, atravessou vários quintais e chegou em casa pelos cantos do quintal, regado pelo seu vale de lágrimas.
Foi seu primeiro e último carnaval. Nunca mais iria pular carnaval. Ele mesmo ficou assustado, pois no outro dia correu um boato que um chupa cabra estava escondido à noite dentro da cidade.
ALGEMADO ATÉ NO SACO
A ordem do delegado era indubitavel: se mijar no meio da rua, prendam, algemam sem pena nenhuma. O prefeito colocou banheiro para todo mundo. Não quero atentado ao pudor.
Mas o sujeito tinha bebido todas e meia quase todas as outras e começou a mijar fonte sem fim num canto escuro da praça. O policial nem pensou duas vezes, mesmo no meio do escuro algemou o cabra, meteu no carro e rumou pra delegacia.
A surpresa foi grande. Na pressa e na escuridão, ele algemou a mão que segurava o "pinto", junto com os testículos, enquanto o camarada escondeu o outro braço atrás. Quando o delegado viu aquela cena cinematográfica gritou: "desalgema a mão, o pinto e o saco! Se não nós vamos nos danar. Daqui a pouco ele nos mete um processo por incapacitá-lo de gerar filhos, por impotência sexual, por frigidez total, por opressão ao pinto, por trincamento nos ovos, por assédio sexual, por introdução a tendências homofóbicas, por ejaculação precoce e nem sei por quantas coisas mais. Solta o homem, enquanto ele está ainda de fogo e não se lembra de nada!" Com seus balangandans soltos e seus dois braços livres, o cara já saiu pra rua berrando: "pode vir no gargalo, que eu me entalo! E entrou bambeando no primeiro bloco da esquina".
CAIXA DE SAPATOS VIRA CAIXA DE SEGREDOS
O camarada saiu do terminal de ônibus com a barriga empaturrada de pastéis, quibes, mariolas, sucos de entalar até o tubo/cubo. Não deu meia hora, em plena avenida seu organismo entrou em caos do marróquio até ao egito. Olhou prá lá e prá cá, nada de banheiro. Percebeu um início de construção e partiu para despachar seu sedex via intestinal. Olhando em volta, notou duas caixas de sapatos vazias, com duas sacolas de plásticos bem grossas e uma bela bolsa, tudo isto da melhor marca no mercado. Revoltado com sua situação social, pensou: "despacho tudo em cada sacola de plástico grossa, bem dividido, coloco nas caixas de sapato número 40, jogo dentro da bolsa, tudo da melhor marca, entro no ônibus e finjo que esqueço no banco. Fica tudo à mercê do primeiro otário" Não só ficou à mercê, como na mais justa e perfeita medida de um jovem dos seus 18 anos de inexperiência. O cara levou a bolsa pra casa e chamou a família inteira de sua periférica amizade: "venham todos ver o show que vou dar com a sorte que levei. Achei um par de sapatos do mais caro do mercado, de cromo alemão legítimo que algum idiota foi comprar pro patrão e esqueceu dentro do ônibus. É meu número exato. A gentada toda se juntou em volta dele. Botaram um rap paradão. Ele tirou as tampas das caixas e gritou: já estou pulando dentro do bicho direto para batizá-lo. Pulou.... as sacolas de plásticos explodiram e voou merda pra tudo quanto é lado.... todo mundo ficou borrado da cabeça aos pés!!!!!" Apenas sua avó octogenária que não havia entrado na roda, porque detesta rock pancadão, gritou do canto da sala: "eu já avisei a vocês meu povo, que pobre quando dá muita sorte, costuma se afundar na merda!"
BEDUINOS BRASILEIROS
Eu não tenho dúvida alguma que já vi o Bin Laden disfarçado em mendigo, numa pracinha de Campos-RJ. Estou falando isto, para comprovar como o brasileiro se parece com o resto da mouraria africana e da "araberia" do médio oriente. A mouraria instalada em Portugal e Espanha desde o ano de 711, juntamente com a vinda para cá e remisturada aqui com a mouraria luso-africana e toda a judiaria , não tem como duvidar a correspondência física de todos estes povos. O nosso povo deveria chamar-se caldeireiro, isto é, povo feito no caldeirão, miscigenação de árabes, europeus, negros, judeus, índios (o índio é um ser asiático), etc.
Anuar Sadat, depois de morto, foi visto várias vezes na Bahia e apareceu subitamente numa praia no litoral norte. Sadam Hussein vive pescando no pantanal matogrossense e não foi enforcado coisa nenhuma, segundo testemunhas oculares.O irmão de Sadam que também foi enforcado, viram-no agarrado com uma mulata em Angra dos Reis. O filho de Kadafi foi fotogrado numa roda de samba de um morro carioca. Já viram Kadafi assentando ajulejos numa obra da beira mar. Não há dúvidas algumas que seja ele, pois o camarada é surdo-mudo. Isto aumenta a suspeita. Não é à toa que em nosso Hino Nacional está escrito: "em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte!".
TERROR NO HOSPITAL
A cearense foi internada às pressas com infecção na vesícula. O longo tempo para a consulta inicial, mais meio século para preencher as fichas e um milênio para ser conduzida ao quarto. Depois é o praxe: soro, remédio para dor, diazepan, entra enfermeira, sai enfermeira, um médico chega de manhã outro na tarde de natal, enfim, ela vai esperando a hora de sua cirurgia de não sei quando.
Dormindo o dia inteiro, no quarto de enfermaria, conseguiu logo amizade com duas pacientes, e foi tentando bordar sua rede de dormir acordada no balançar de cada hora. Porém, chegou uma noite, em que a coisa pegou. Ela, mais duas amigas começaram a escutar uma conversa esquisita na sala das enfermeiras: "De quem esta boquinha? De quem esta orelhinha? De quem este pescocinho? De quem este bracinho? De quem este peitinho? De quem esta perninha? De quem esta.....?"
A cearense que era diplomada na faculdade da vida além juazeiro, chamou as duas colegas e disse baixinho: "Vamos cair fora daqui amigas, que tem uns esquartejadores malditos neste hospital!"
Ponta ante ponta dos pés, as três fugiram, enquanto um enfermeiro e uma enfermeira reproduziam seus amores proibidos.
Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 02:59 0 comentários Links para esta postagem
quarta-feira, 2 de março de 2011PROCURADO PELO IBAMA
A notícia animalar sobre o dito cujo é tão antiga, que dizem que ele já foi capa da revista Globo Rural. De sapatos apertados ele maltrata os pés de pato. Quando abaixa desgasta o bico de papagaio. Com os cuecas muito justa, machuca o pinguim. Alguém deu um tapão em seu rosto, porque ele é gavião. Quando sai de mansinho dizem que tem andar de lagarto. Por seu muito fofoqueiro tem lingua de sapo. Quer cortar o topete empinado porque estão lhe chamando de pica-pau. Como fala grosso e apressado também é apelidado de perú. Como só fica de olho nas mulheres, já jogaram pedras em seus olhos de jibóia. O caso dele não é de polícia. É caso de Ibama!
GATO GATUNO
A história de hoje tem três personagens famosos: um rato, um gato e um cão. Este cão entra pela luz da veneziana da história. Entra de soslaio. Na ponta das patas traseiras, sem balançar o rabo.
O gato atrás do rato, o rato na frente do gato, o gato enfia as patinhas debaixo da cristaleira, o rato escapa pela saliência do rodapé. O gato parte em disparada, o rato entra no ralo. O ralo não dá para o gato. Passa um determinado tempo. Começa um latido: au! au! au! au! O rato pensa no ralo: "agora possa sair, entrou um cão na pista!". O rato sai e o gato pula em cima dele e o segura. O rato se surpreende: "cadê o cão?". O gato responde: "meu amigo, neste mundo globalizado, quem não fala dois idiomas morre de fome!"
Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 02:25 0 comentários Links para esta postagem
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011A FILHA DO POMERANO
Schimidt, o velho pomerano estava todo feliz em sua colônia. Ia embarcar para São Paulo para visitar sua filha Giselda, que fazia anos não via, mas sonhava com ela todos os dias. Mal a furreca apareceu na estrada empoeirada, o homem entrou e partiu para a rodoviária, na curiosidade do grande encontro.
Os dias passaram sem nenhuma notícia e com muitas nuvens pesadas, relâmpagos e chuvas rápidas à tarde.
De mangas compridas, chapéu marrom na cabeça e uma velha mala desengonçada, lá vem o surrado alemão, pela estrada chegando de viagem. A curiosidade foi enorme, foi tão grande que explodia alegria por todos os lados.
"E aí, Seu Schimidt, como está a Giselda?" O velho responde entre alegre e triste, naquela meia lua do tamanho de uma dúvida qualquer: "De um certo modo ela está muito bem. Ela é uma mulher de negócios. A casa dela vive cheia de negociantes. Os homens sentam-se no sofaço grande que quase somem dentro dele e esperam a hora de ser atendido por ela. Ela costuma ficar muito tempo com eles lá dentro. Mas ela atende a todo mundo. Teve um que achou que eu ia fazer negócio também. E falou que eu não tinha cartucho pra ela, porque ela é muito boa negociante. Falei que era pai dela e ele ficou quieto. Mas eu estou muito triste de outro lado. Lá eles mudaram o nome de batismo de minha filha. Eu coloquei com tanto orgulho o nome dela de Giselda, mas eles mudaram para Dona Pirranha!"
MULHER JOGA CASA DE MARIMBONDOS NO MARIDO
Eles trabalhavam de meeiros lá na roça. Ou melhor, quem trabalhava mesmo era a mulher dele, Soninha. Ele balançava numa rede o dia inteiro, pitava seu cachimbo de barro e o resto que a vaca tussa.
Uma vez, uma pessoa ficou com tanta dó dele que ofereceu pra ele um saco de milho, um de arroz, um de feijão e outro de café. Eles fez as seguintes perguntas: "O milho está descascado, o arroz está pilado, o feijão está tratado, o café está moído?" Como a resposta foi não, ele recusou a oferta.
Soninha passava todos os dias perto de uma velha construção jesuítica, que escondia no meio do mato uma casa de marimbondos. Ela jurou para si mesma e todos os anjos, que ia colocar aquela casa de marimbondos num saco de estopa, subir em cima do pé de manga e jogar no Joaquim, quando ele estivesse na nona hora de seu sono às 3 hs da tarde. Foi o que ela fez. Quando a casa de marimbondos caiu sobre o bem coitado, o barro se desmanchou e cobriu-o todo de moedas de ouro. Na realidade aquela casa era uma urna feita de barro, que os jesuítas esconderam ouro, com a intenção de um dia voltar para pegar. Não voltaram, porque Marquês de Pombal, primeiro ministro do Rei D.José I, de Portugual, em 28 de junho de 1749, abaixou um decreto expulsando todos os jesuítas dos domínios portugueses.
Juntaram aquele ouro todo, de anos escondido. Foram pra cidade grande. Compraram um prediozinho que tinha dois pontos de comércio em baixo e dois apartamentos, além do deles. Passaram a viver só de aluguel, numa boa vida de dar água na boca.
Joaquim começou a ter problemas de rim e os médicos disseram que ele tinha um montão de pedras no rim. Precisava de tirar todas elas. Soninha, que não entendia de nada, era semi-analfabeta comentou com uma vizinha: "Eta homem de sorte, este Joaquim. Vivia dormindo. Joguei marimbondo nele que se transformou em pepitas de ouro. Agora ele fica doente. Está com o rim cheio de pedras preciosas. Depois da cirurgia é mais dinheiro que vai entrar pra nóis! Até a doença aumenta sua riqueza!"
Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 08:49 0 comentários Links para esta postagem
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011O ESPELHO
Tem um ditado oriental que diz que tudo está no espelho. É no espelho que olhamos nossa face. Vemos a passagem dos anos mais claramente. Mas nele, podemos também olhar bem dentro de nossos olhos e termos certeza se somos felizes, se fomos justos e honrados, se amamos ao Eterno Criador acima das coisas materiais, se respeitamos nosso próximo como nosso irmão. E quem sabe, pudermos como Alice atravessar para dentro do espelho e explorar ao máximo todos os acontecimentos de nossa vida. Percorrer os vales floridos por quais passamos, as montanhas altíssimas que atravessamos. Sondar os corações daquelas pessoas que amamos. Advinhar nas cinzas do passado o que ficou de útil e aproveitavel. Se pudéssemos em nosso regresso deste longínquo espelho inconsciente, regressarmos com as mãos cheias de rosas para oferecermos aos nossos irmãos e as palavras plenas de perfumes e sabedoria para engrandecer-lhes a alma.
GOOGLISTA E O PEÃO BOIADEIRO
Há casamentos de todos os tipos e nós não temos nada com isto. Hoje, dentro do próprio sexo, fora do próprio sexo, com sexo, sem sexo, dois ou mais sexos, a coisa diversificou e tomou rumos e não cabe neste contexto nenhuma condenação.
O que vamos falar é de uma secretária de uma grande empresa que se casou com um peão boiadeiro. A gente olhando de cima este casório, até que acha a coisa mais linda do mundo. Beleza pura. Só que a moça é pós graduada em administração, fala inglês e o cara só sabe mesmo socar o rabo na cela e levantar poeira no rodeio.
O cara, de tanto ver bicho chifrudo começou a pensar que era um deles. Olhava para um touro no canto do curral: "olha eu ali com certeza!". Mas, ganhava um dinheirinho arrumado com aquela doideira dele e resolveu contratar um detetive particular para inspecionar sua linda e frágil mulherzinha. Falo linda e frágil, porque toda a vizinhança morria de pena dela: "Meu Deus, como ela aguenta aquele peão boiadeiro? O cara só monta em bicho bravo com violência e tem uma força de arrancar raíz de mandioca com as mãos!"
Logo de início o detetive matou a charada. Nem precisava tanta escuta, tanto grampo, tanto acompanhamento sorrateiro. Não era um "brodi", um amigo íntimo que ela tinha. Era um blogger da google que ela gostava muito de ler.
Depois o cara desconfiou que ela era amante de um coroa famoso e rico. O detetive partiu para a ação. Enfim, o coroa ricaço não era seu ERMAIL e sim seu Email pessoal.
O tempo passou, mas o cara parecia que era psicopata. Pensando bem, para arriscar a vida em rodeios igual a ele, só sendo meio doido mesmo. O detetive foi chamado de novo, sabe pra quê?
O cara disse que sua mulher agora queria relacionar com alguém que "botasse pra gemê"! Em outras palavras, ela acabara de criar uma conta gmail. Assim não dá, né minha gente?
CABEÇA DE PREGO NÃO AMASSA MARTELO
HOMEM QUE VIROU UMA BORBOLETA(FREUD ENTRA NA HISTÓRIA)
Pablo chegou em casa por volta das seis. Como sempre, tirou os sapatos, esticou as pernas, ligou a tevê, desabotou a gravata e grudou os olhos que não saiam da tela por nada. Por nada? Deu um branco na tela, justamente no momento em que ele se sentiu leve. A mulher mesmo uma vez falou com ele: "da forma que você chega todo dia em casa, se espicha, vai acabar virando uma folha de papel, de tão leve que quer ficar!" Mas ele olhou no reflexo do aparelho de televisão, que não era ele mais e sim uma borboleta. Bem grande eram suas asas e de cores diversas, as mesmas de sua gravata. Parece que foi a partir do casulo da gravata que ele se transformou numa borboleta. Logo ele, que era tão machão, que contava piadas de bichas, que discriminava os homossexuais, via-se agora ali, de frente consigo mesmo em forma de uma borboleta!
A porta se abre e entra sua esposa. Ela é pedagoga de uma escola e está bastante cansada. Mas precisa se dirigir para a cozinha e fazer o jantar para o exigente marido. É todo dia a mesma ave-maria. Ela nem sabe porque ele não chegou ainda, ou melhor, não olhou bem para o braço de poltrona!
A filha chega em seguida. É adolescente, está com um namorico escondido do pai. Enquanto abre a porta, seu celular toca, mas como a poltrona está vazia, enfim poderá atender ao seu namorado!
Pablo em suas asas tem mil mandalas que são olhos e ouvidos para o mundo. Escuta a conversa inteira. "Minha nossa, minha filha já foi até em motel. Pelo amor do Deus das borboletas. Essa eu não esperava!" A filha passa os olhos na tevê, muda de canal.
Olha para o canto e toma um susto: "Vem cá mamãe. Vem ver que linda borboleta aqui no braço da poltrona!" A mãe vem com uma pizza pré cozida na mão e exclama: "nossa, esta é das grandes e muito bonita mesma!" Pablo gela. Como poderia um dia ser chamado de bonita, pela própria família!
"Mãe, papai não chegou ainda! Ele não é de passar desta hora!" "Deixa prá lá minha filha, tomara que ele comece a demorar, pelo menos não enche o saco da gente!" Pablo tem vontade de falar, mas não consegue, o máximo que pode fazer é bater suas asas, para chamar a atenção e dizer que não concorda com aquelas ideias.
"Viu mamãe, que bonita que ela é! Parece que gostou de nós, pois bateu as asas e não voou lá pra fora!" Pablo empalideceu. "Mamãe! É uma borboleta fruta-cor. Ela mudou um pouco o tom colorido de suas asas!"
"Minha filha, borboleta é sinal de esperança! Que ela seja bem vinda ao nosso lar!" É a primeira vez que Pablo se sente querido, ou melhor na altura do campeonato, se sente querida. Mas chamada de fruta-cor...?
As horas vão passando. "Mamãe o que houve com o papai? Nunca chega!" "Minha filha eu já desconfiava dele, eu vi mancha de batom na camisa dele! Se ele não voltar, não tenho saudade nenhuma! Até você terá mais liberdade se isto acontecer. Seu pai é enjoado demais!"
Pablo nem podia esperar por esta. Lança-se num voo, ganha o corredor, a filha sai correndo atrás e ele cai no chão perto do guarda-roupa. Ele, no caso ela.
"Vem filha, comer a pizza que já está pronta!"
Pablo fica triste. Sente que não faz diferença nenhuma naquela casa. Uma mulher, uma filha e um gato. Espera aí, um gato? Gato come borboletas! Ele, ela no real, ser comida por um gato? Não poderia estar aí a essência do seu homossexualismo reprimido? De tanto criticar homossexuais, ele poderia ter no inconsciente algo escondido. O analista já lhe havia dito isto! Agora estava prestes a ser comido por um gato! Não seria um desejo reprimido? Foi isto exatamente o que aconteceu. O bichano não perdeu tempo e papou Pablo, com toda a sua elegância.
Pablo nunca mais voltou. Foi para a lista dos desaparecidos. Sua foto está em várias partes da cidade. A mulher, bem aqui, nem aí. De vez em quando ela diz para a filha: "Não te falei que borboleta traz esperança! Pois é, de agora em diante, não temos mais aquele chato nos nossos pés. Lembra daquela peruana que ele namorava. Não tenho dúvida nenhuma que ele fugiu com ela. Pablo sempre foi maluco. É só olhar os irmãos dele, que você já sabe como ele é!"
Pablo acorda assustado da poltrona. "Bésame querido! Desde esta manãna no nos vemos. Yo quería verte. Podríamos caminar un poco esta noche, en la calle!"
O calor de Lima é insuportável, mas o amor é uma loucura que ninguém consegue explicar. Mas há coisas que só Freud explica!
ROSTO DA MULTIDÃO
Um senhor passa apressado com uns papéis na mão, em direção ao Pague Rápido. Duas mulheres se dirigem para um carro estacionado à beira da calçada, onde tem um homem nervoso esperando por elas.
Aquele office boy está procurando uma ótica, com certeza. Vem correndo em sentido contrário um rapaz, esbarrando em todo mundo.
Estas mulheres que param na calçada, quase sempre é pra ver como estão, no reflexo da vidraça. Com certeza logo em seguida entrarão na farmácia para ver o peso. Tenho pena da balança. Passa por mentirosa, porque ontem mesmo pesou as três, duas vezes!
Quatro estudantes vão para a escola, que fica uma quadra à frente. Elas sabem que já passaram de ano e estamos em abril, afinal de contas pagam direitinho todo o mês. Tem um homem mexendo no latão de lixo, em frente ao bar. Ele se alimenta assim. Uns são mais lentos, outros mais apressados, um rio de gente cada um com um rosto e uma história bem diferente.
Tem desempregados também. Assim como pessoas com esperança. À frente uma mulher e um homem levam uma criança que está doente. Se vão ao Posto de Saúde, irão ao Poço de Doença. A Saúde Pública no Brasil está um caos. Se colocar um "c" a mais, no meio, podemos dizer que está aos cacos.
Uns bem vestidos, outros mulambados. Uns bem empregados, outros vendidos à terça no mercado neoliberal.
Posso dizer que a rua é pública. Mas não posso dizer que não tenho nada com isto. A rua não é totalmente pública. É meio pública e meio palco. Um vai e vem de uma trágica comédia desumana do cruel capitalismo brasileiro.
FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA
A mulher chega primeira. Óculos escuros, sapatos altos, bolsa, joga tudo num canto da mesa e vai tomar banho de hora e meia. Em seguida chega o filho mais velho. Mal chega, mal sai, com um mouse na mão e uma mochila nas costas.
Agora é a vez da filha um pouco mais nova e muito apressada. Deixa a mochila na poltrona e esquece um sanduiche ao lado do computador, enquanto navega em direção da madrugada.
O marido chega meio lelé da cuca, vai até a cozinha, apanha um latinha de cerveza, senta-se na poltrona, liga o aparelho de televisão e crava os olhos nos noticiários esportivos.
Ah! Você percebeu que não falei o nome deles?
Mas será preciso dizer o nome. O nome não tem mais importância nenhuma. Antigamente sim, no tempo em que todos se sentavam em volta da mesa de jantar, cada um tinha um nome, um lugar definido no seio familiar, os pais eram muito respeitados e juntamente com seus filhos desfiavam um jantar, quase sempre depois das sete.
Mas para quê nome hoje em dia, seja individual ou de família?
Não existe mais família nuclear. Existe família no ar. Nome de família? Que família é aquela?
Não precisa, todos sabem pelas luzes acesas que o pessoal do 801 já está em casa.
Apartamento oitocentos e um. Oito mais um dá nove, "noves" fora nada!
CASA DOS AUSENTES
Marina morava numa casa no fim da alameda. As acácias e os flamboyants encurvavam quando a gente passava e num gesto de seja bem vindo, jogavam pétalas rosas e amarelas sobre nossa cabeça.
A casa muito antiga, conservava seus janelões azuis e exalava pelas suas telhas cumbucas um explendor esmaecido no esquecimento colonial do tempo.
As portas de braúna canela amarela, muito altas, não correlatas para os homens de sua época, exibiam embaixo um pequenino arco capaz de passar um gato expulso da dispensa, mas exímio caçador de astutos ratos.
Por maior que fosse aquela residência, um expert em história, percebia que ela fora construída com taquaras trançadas e rebocadas simetricamente por fora e por dentro com barro batido, misturado com cal e estrume bovino. Recebera também uma pintura de barro branco e Marina bem sabia onde se encontrava sua fonte, um pouco mais à frente, numa encosta do morro, conforme os contos noturnos de sua saudosa vovó.
Lá dentro era perfumado de antigamente. Cristaleiras com xícaras francesas, uma carabina pendurada na parede; o brasão tentando em vão dizer tudo nos desenhos de seus mitos genéticos, cadeiras de palhinhas, mesas de jacarandá, inclusive todo o assoalho.
Na cozinha, com o fogo aceso na lembrança, um enorme fogão de lenha, com suas trempes de ferro assoladas pelas décadas de desuso. Os últimos sopros de suas brasas reluziam dos retratos de avós e bisavós, tias-avós, parentes mais distantes que rodeavam todas as paredes do salão.
Depois Marina fazia questão de nos mostrar a segunda sala de retratos sem retratos, conforme mesmo ela dizia num sorriso pra dentro, tão pra dentro, que ela quase desaparecia num buraco negro da existência. Era um quarto de dormir, silencioso, espelhando um sono secular, com suas paredes repletas de molduras sem retratos. Ela disfarçava numa frase que tentava em vão justificar uma representação surrealista de fotografias.
Em seguida nos levava para o outro quarto, cuja parede de frente estava pintada com a figura do Big-Bang, a grande explosão cósmica, onde tudo começou para nós (tudo? como pode ser tudo? se existia uma massa intimamente conglomerada antes de explodir.... se explodiu em diversas formas-movimentos.... se houve uma força de explosão.... então havia matéria, movimento, espaço e tempo... não foi o início do início...). A gente divagava filosoficamente diante daquele espetáculo primordial da natureza.
Servia um café com biscoitos, falava de Drumond, Neruda, Picasso, Dali, Borges, Che, comentava sobre tudo. Um dia saí de lá com a verdade de Marina revelada instantaneamente.
O que mais lhe significava não era a sala dos retratos antigos. Ela nem olhava para eles com tanta atenção. O Big-Bang, primeiro boeing cósmico a desfazer-se em mil pedaços, foi o recurso que ela encontrou para reunir todos numa só caixa de presentes, amarrada com um laço do ancestro das origens. Todos? Sim, todos. Não aqueles do salão. Todos aqueles do quarto de dormir onde só haviam molduras desafiando a solidão de suas paredes. Eram os ausentes que mais significavam para ela. Aquele era o tabernáculo dos ausentes. Não dos antigos, mas dos mais recentes. Deles ela tinha uma saudade sem fim. Eles, ela carregava, uns na gangorra do fundo do quintal de sua alma, outro naquele guarda-roupa do canto, por cuja porta semi-aberta, percebia-se algumas camisas, calças, ternos e gravatas.
Marina morava no fim de uma alameda na casa dos ausentes.
ASSASSINATO EM MASSA DE ALUNOS/ESTUDANTES/SÍNDROME DE BURNOUT/BULLYING/ASSÉDIO MORAL
A Escola Municipal Tasso Silveira, do Bairro Realengo, Zona Norte do Rio de Janeiro, foi invadida por um atirador, disfarçado em palestrante, que disparando mais de cem tiros, contra alunos, matou imediatamente doze alunos; deixando dezenas de alunos feridos, alguns gravemente, podendo aumentar o número de óbitos, porque estão em estado grave. Ele estava super armado e manejava com maestria estas armas. Num confronto com a polícia que entrou no prédio, depois de avisada por um estudante ferido, ele suicidou-se.
Não podemos colocar um ponto final nesta história. Em primeiro lugar, ele é ex-aluno desta escola, que estava nesta semana comemorando seus quarenta anos de funcionamento. Em segundo lugar, já existem comentários de que ele sofreu bullying na escola. Como ex-estudante da mesma, era apelidado de Sherman, Swingue, mancava de uma perna e sofria críticas diversas de colegas. Aparecerão várias versões para esclarecer este ato de violência. Também se diz que ele estudava islamismo, como uma forma de aliar esta religião a um fundamentalismo irracional, violento e suicida. O que não é a verdade islâmica, que prega o bem, o amor a Deus e ao próximo, assim como o judaismo, cristianismo, hinduismo, budismo, zenbudismo, taoismo, etc. ou qualquer outra religião séria deste planeta. As religiões tem suas portas abertas para a humanidade e nós sabemos muito bem que até mesmo Judas Iscariotes entrou por uma delas. Obviamente este assassino era um doente mental. Filho biológico de uma doente mental que havia tentado suicídio várias vezes e finalmente adotado por uma família. Vítima da rejeição, de uma doença mental hereditária genética, de maus tratos na escola onde era apelidado de Swingue, Sherman, inclusive mancava de uma perna, e do sistema em geral, enfraquecido em suas raízes sociais para atendimento digno desde a infância. Nascido na geração do boom do neoliberalismo, cuja ação era enxugar o estado esvaziando o sangue das veias dos trabalhadores.
Mas devemos nos conduzir a um pensamento mais profundo. Investigar em nosso subconsciente educacional, que pessoas estamos formando. Realmente, nas últimas décadas, a partir da Ditadura Militar e da Ditadura de Mercado no Brasil foram retiradas disciplinas indispensáveis à formação cidadã e humana, como a filosofia e a sociologia. Agora recentemente elas foram incluidas, mesmo assim miudamente, com apenas uma aulinha semanal aqui numa série e outra em outra série, particularmente no Ensino Médio. Na Grande Vitória/ES, temos o fantástico exemplo da Secretaria de Educação de Cariacica, com a Secretária Célia Maria Tavares e o apoio do Prefeito Helder Salomão, que implantaram um projeto de filosofia e sociologia no sistema educacional do município. Um projeto que transcende as fronteiras educacionais de nosso País. Mas na Grande Vitória, em geral, todas as Secretarias de Educação, trabalham com valores éticos e cidadãos, com a disciplina de Ensino Religioso, intertransdisciplinarizada, também de uma forma exemplar e dígna dos maiores elogios, seja a Secretaria de Educação de Vila Velha-ES, um outro exemplo de respeito com os valores humanos e sociais, na aplicação desta disciplina, com total apoio da Secretária de Educação Maria do Carmo Camenote e do Prefeito Neucimar Fraga, dando condições para que estas disciplinas sejam aplicadas por profissionais especializados. Além do mais, nossos profissionais são exímios utilizadores da avaliação diagnóstica desde os primeiros contatos com os educandos. Assim, permite, através da percepção, avaliar transtornos emocionais, problemas psíquicos, juntamente com pedagogos, psicopedagogos, colaboração familiar, encaminhamento para profissionais adequados nos ramos da psicologia, psiquiatria, neurologia, evitando desta forma que eles se transformem em futuras doenças crônicas e incuraveis. Portam-se assim também com outras possibilidades de doenças. Hoje todo mundo já sabe o que é Bullying e pelo menos aqui na Grande Vitória/ES, existe uma preocupação educacional muito grande com este fenômeno e trabalhos tem sido realizados com bastante habilidade, através de Pedagogos, Coordenadores, Psicopedagogos, professores, etc.
Mas é preciso aprofundar mais na questão do Bullying, porque ele não é só apresentado entre alunos, mas entre quaisquer grupos humanos sobre outros grupos, ou indivíduos sobre indivíduos ou grupos. De maneira que poderá acontecer entre professores e alunos, devido à escala de poder em que está o professor sobre o aluno. Mas, pelo menos os professores que conheci, ou conheço, são de formação elevada e incapazes de tais atitudes. Bullying também é um assédio de poder sobre um ou vários indivíduos. Este comportamento é de origem intencional e repetida, violento tanto fisicamente como emocionalmente. Ele pode advir de gestores educacionais mal preparados e incapazes de lidar com tal função. Se um gestor exercer uma pressão de perseguição sobre um subalterno seu, ou vários, estes seres, começam a ficar doentes, adquirem stress, problemas emocionais, psíquicos, tem insônias, obtém desequilíbrio da pressão arterial, não se alimentam regularmente, se isolam, mesmo dentro da família. Em pouco tempo chegam as doenças psicossomáticas e deterioram seu corpo, sendo uma forma indireta de uma agressão física, inclusive aos membros de sua família e de seu círculo de convívio. Descontrola sua comunicação no meio em que vivem, na família, no seu círculo social mais íntimo, sendo também uma violência social, que esta pessoa está recebendo, dentro de um País em que se diz especialista na aplicação dos direitos humanos. Passam a usar medicamentos preventivos como ansiolíticos, psicotrópicos, alprazolam, clonazepam, fluvoxamina, lorazepam, citalopram, sertralina, fluoxetina e todos os tipos de medicações à base de diazepan, captropil, losartan, enalapril, etc. Há casos de gestores que usam o nome de seus genros políticos, de seus prefeitos, vereadores como forma de fazer pressão e assédio moral sobre os profissionais da educação. Apresentam superficialmente à primeira vista uma imagem educada e se apoiam muitas vezes nos axiomas das religiões. Usam como arma contra os educadores, nomes de pessoas dígnas e respeituosas! Na realidade são criminosos sociais, aparentemete bem formados, mas violentos destruidores de pessoas e famílias, afetando também a comunidade escolar em geral. O que nós não podemos fazer é transladar a culpa destes péssimos executivos, para os políticos que os indicaram, sejam de quaisquer âmbitos políticos, porque pessoas deste tipo de comportamento, na presença de seus superiores se transvestem de anjos. Por outro lado, os políticos atuais não são algozes, nem francoatiradores, destinados a moer em carne viva a educação brasileira, nem cometem crimes contra a humanidade. Os políticos que conheço, de quaisquer partidos políticos, querem o melhor para todos os envolventes do sistema educacional. No final das contas, estes políticos também acabam como alvo destes falsos amigos e sanguinários administradores. Infelizmente, isto em cadeia, derruba grandes planos governamentais sonhados por muitos eleitores.
Outra questão a ser tratada é sobre a Síndrome de Burnout, muito comum em diversos setores de trabalho. No caso, me dedico ao setor educacional, onde encontrei meu rumo e meu pássaro cantor. Ela é um distúrbio psíquico de esgotamento emocional e funcional, levando o indivíduo a um caos intrapsíquico, com depressão, vazio interior, afetando os contatos sociais, familiares, lazer, com uma obsessão pelo trabalho e pela perfeição, o que no fundo leva-o às profundezas da ansiedade e da angústia.
Na minha opinião toda esta obstinação e compulsão que inicia por uma ansiedade muito grande pela perfeição e acaba numa desilusão no fundo do poço, ela se principia a nível do próprio sistema, quando não reconhece o verdadeiro terreno em que se desenrola a educação. São raízes do neoliberalismo, que ainda permanecem trançadas nas camadas mais profundas da educação brasileira. A cobrança exagerada de índices, de valores numéricos em provas, de dados estatísticos de aprovação, de resultados imediatos de aquisição de conhecimentos, sem avaliar a situação psico/histórica/social em que todos os componentes e agentes do sistema estão inseridos, assim como as comunidades. Outro ponto a ser tocado é a questão salarial dos professores que vem sofrendo há décadas, uma defasagem salarial muito grande. Houve alguma recuperação parcial nos últimos anos, mas deixa muito a desejar pelo que ficou perdido historicamente. Acreditamos que as administrações se envolverão com mais afinco, para se aproximar de uma justiça salarial mais correlata com o trabalho dos educadores, exigindo de todos os envolvidos um cuidadoso comportamento dialógico, sem perder o fio mestre do tear, da intercomunicação compreensiva, saudavel, a partir do campo político ao campo social/salarial.
Por esta razão, digo, que apesar dos inúmeros congressos educacionais que se realizam neste País, ainda assim, a realidade mesma, aquela que está à flor da pele educacional, não está sendo tratada com uma percepção de fundo mais acurada, investigadora e reflexiva.
BUM BUM ZIRIGUIDUM
O camarada tinha três brinquedos pula-pula na praça. Chegou uma mulher e perguntou-lhe: "Moço, por quanto o senhor poderia alugar seu pula-pula pra mim?"
O homem mediu-a da cabeça aos pés e disse: "Pra senhora meu pula-pula é de graça. Até gostaria que a senhora me acompanhasse na praça!"
A mulher abaixou a cabeça, sem graça, e foi direto para casa falar com o maridão. Ele ficou furioso: "Vamos resolver este barato lá agora!". Chegou na praça e foi direto falando: "Quer dizer que o senhor cantou minha mulher!" "Não senhor, eu não cantei ela não. Eu apenas ofereci uma sociedade para ela. Quando ela chegou aqui na praça, encheu de crianças em volta dela. Eles pensaram que ela era um tiranossauro!"
O marido não sabia o que falar e a mulher envergonhada, aliás, forte como era, arrastou-o até a pista: "Vamos embora querido, aquele cara deve ser doido!".
O marido vendo a mulher em estado muito triste e depressivo, resolveu mudar a trajetória: "Que tal se a gente fosse numa churrascaria, e esquecer tudo isto que passou?" "Grande idéia, maridão!" Na churrascaria a coisa piorou. Apesar de terem comido bem, o marido não aguentou e foi direto ao gerente: "Moço, vê se este povo seu tem mais respeito com minha mulher. Ficam os garçons todos de plantão, olhando pro bumbum dela!" O gerente deslanchou na ribanceira da picanha: "Meu amigo, é que houve um comentário que nós aqui do restaurante estávamos matando anta do pantanal para servir pra clientela. Então veio um povo do IBAMA pra cá, com aquelas roupas parecidas com as dos nossos garçons, para fiscalizar. Eu acho melhor o senhor ir pra casa com sua mulher e comer em casa!".
Enquanto iam pela rua, um bebum cantarolava atrás: "Bum bum ziriguidum, bum bum deste tamanho, ainda não vi nenhum!"
Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 16:42 0 comentários Links para esta postagem
sábado, 2 de abril de 2011MALUCO BELEZA
O camarada quis dar uma de engraçadinho, lá pelas redondezas dos seus quarenta, chegando em casa no dia primeiro de abril, dois adolescentes em cada espanto, a mulher esperta professora de português; depois de umas meia dúzias de amarelinhas e proclamou: "Hoje é dia primeiro de abril e eu sou o homem mais GOSTOSO do Brasil!".
A mulher não perdeu tempo e completou: " E está ficando cada dia mais senil!"
O filho surfista acrescenta: "Começou tomando uma, agora barrigando mil!"
A filha arremata: "Cada vez mais "D" "O" "I" "D" "A" "O" TIL !"
UNIVERSO DIVERSO
O fundamento do universo é de que nada é igual a nada. Nenhum grão de areia é idêntico ao outro, nenhuma estrela a outra, nenhuma árvore a outra, nenhum fruto a outro, etc.
Nenhum homem é igual a outro homem, mesmo os gêmeos. Até uma sala cheia de japoneses, cada um é diferente do outro. Nos polos, cada palmo de gelo é diferente do outro, inclusive de cores diferentes.
Mas o universo é um todo diverso. É único em seu conjunto global. O sentido de união é a alma do universo.
Um grão não é igual ao outro, mas é grão pela diferença no outro. Uma árvore não é igual à outra, mas toma sua identidade através da diversidade da outra. Um átomo não é igual a outro, mesmo do mesmo elemento, ele pode estar num tempo/espaço diferente do outro, numa composição transladada em outro plano.
Um homem não é outro homem, por isto é um homem em sua identidade, em seu eu mais profundo. Nenhum sistema solar é igual ao outro. Porém há uma dependência para que todos sobrevivam em suas complexidades. Quanto nós matamos uma lagarta no jardim, estamos interferindo no brilho das estrelas.
Assim, temos o prazer de admirar cada coisa em seu lugar, fazendo parte do resto imenso universal.
Desta forma podemos compreender que a união se torna perfeita com pares de opostos diferentes. Não é necessário que as pessoas concordem com tudo o que pensamos, para que as tenhamos no círculo de nossas amizades.
Isto demonstra que nossos eus interiores, são pedaços de um único eu, de um só universo.
Feliz o homem que encontra beleza em todas as coisas, sem perder a unicidade com o Eterno. Maravilhoso o homem que vê no outro o seu auto-retrato.
Há uma força de união que aglomera todo o universo. Sem esta força ele ruiria.
Esta diversidade contém e sustém a universalidade.
CAIPIRA PIRA PIRA NA CIDADE GRANDE
Su Tião, era o nome dele. Mas no grotão onde vivia não cinematografava graça alguma, porque na originalidade das tetas, o nome ao contrário era porta-seio. Depois de muito pitar e cismar à beira do rio, no barulho dos bagres, cascudos e lambaris, resolveu visitar seu filho no Rio de Janeiro. Lá poderia reviver o tempo da pintada aterrorizando as matas, pelas grades do zoológico, conforme uma carta chegada de relâmpago num sedex amarelo. De primeiro era o passar do tempo que amarelava as coisas, agora era a rapidez expressa.
Chegou por conta própria com a patroa do lado. Caipira de verdade não é casado, é patronado. Costume antigo com raízes no voto de cabresto da obediência aos "coroné", que perpetuava na imensidão da sombrinha da mulher, ou do rolo de fazer macarrão.
Com tudo escrito na mão, endereço e escambau a quatro, conseguiu chegar no prédio, passar pelo porteiro e tirar o chapéu diante de sua camisa branca com gravata preta. Entrou no elevador com muito custo guiado pelo acessorista e quando chegou no oitavo andar, saiu e disfarçando educação citadina, perguntou quanto era o preço da viagem de subida.
Entrou no apartamento pela primeira vez. Aliás pela última vez, porque a não adaptabilidade afugentou-o enrolado nos lençóis de mil desculpas. Olhou pelo varandão e vendo as pessoas andarem lá embaixo igual formiguinhas, pensou: "cuspir não posso. Se não posso cuspir, não posso mudar de idéia e não tenho causo algum para contar."
Deu-lhe uma dor de barriga danada e entrou naquele quartinho apertado, sem a liberdade de vento à proa atrás de uns pés de bananeira. Tudo diferente na cidade grande.
Olhou pro forno de microondas e pensou que era um grande relógio. Já tinha visto no patrimônio um relógio digital. Leu 11:56 e ficou desesperado por imaginar que as horas voaram enquanto subira naquela caixa de lata para o oitavo andar, pois lá embaixo, escutou o porteiro gritar para uma servente, que eram 19:00 horas.
Olhou pela LCD digital/plasma, ultramoderna, e vendo o presidente Sarkozy, chamou sua patroa e disse: "vem cá pra vê, eu sempre disse procê que o Pastor Josias gostava de muié nova. Olha lá ele aqui no meio dos outros pastores, com aquela potranca do seu lado!". No outro dia, seu filho levou-o para passear pela cidade, num carro de vidro fumê, logo após as 14:00 hs. Em seguida ligou o parabrisa para limpar o vidro da frente e o pai exclamou: "nossa, como escureceu rápido e começou a dar um toró duma hora pra outra!". A risada da nora e dos netos, deixou-o como uma preá assustada.
A cidade era grande demais, embora seu mundo de onde viesse fosse bem maior em rios, florestas, passarinhos, insetos, frutas, legumes, mas só que lá ao redor do seu ranchinho ele era um rei absoluto e não um androide de botinas e chapéu de palha.
PORTUGUÊS FAZENDEIRO
Manuel Joaquim Pinto dos Miranda Alenquer resolveu vender sua padaria e partir para outro ramo de negócios: fazenda. Com a coragem varonil daqueles que atravessaram o atlântico em cima de um baú flutuante de interesses financeiros, o portuga comprou uma enorme propriedade, dedicando-se à criação bovina.
Um dia chamou sua mulher Joaquina Manuelina Bem Vinda Alenquer, para mostrar sua raça de touros espanhóis. Ficaram em pé no alpendre da casa, enquanto os campeiros expunham a boiada à frente do terreiro. Nisto, veio um touro ansioso e viril e começou a traçar tudo quanto é vaca que via pela frente. Manequim (seu apelido), deu aquele sorriso do tamanho da aba do chapéu: "Tá vendo Joaquelina (seu apelido), este aí me puxou. Tem o mesmo ímpeto que eu tenho!" "Com certeza Manequim, a gente percebe pelo que ele tem na cabeça!"
Ele quis caprichar em sua propriedade à beira do asfalto. Arrumou tudo bem direitinho e colocou duas placas informativas: "Cuidado, devagar, animais racionais e irracionais na pista" e "Não pari na estrada".
Passava um casal, deste que vê as coisas, mas quer saber minuciosamente de tudo e se preocupou com aquelas placas. Primeiro: animais irracionais, o que é isto? e depois... porque era proibido parar na estrada? e se desse um defeito no carro? se o pneu furasse, por exemplo?
Resolveram ir até a sede da fazenda, para que o dono explicasse o que significava aqueles avisos. Além do mais, a segunda placa estava com um grave erro de português: "não pari na estrada".
Manuelito foi rápido, curto e grosso, como o seu charuto predileto: "É que eu tenho muitos animais que podem atravessar a pista e além de tudo, eu tenho doze filhos, a maior parte ainda é pequena e não tem muito juízo na cabeça. Quanto a "não pari na estrada", esta placa não é para vocês, é destinada às minhas vacas. A semana passada uma pariu no meio da estrada e provocou um acidente entre um gol e um fiat, fora que perdi minha própria cria!"
CADA BRASIL FALA DE UMA FORMA DIFERENTE
Em cada região do Brasil há uma forma de falar, completamente diferente de outros lugares. Um sujeito quase foi morto a pancadas num restaurante do nordeste, devido a um mal entendido linguístico. O local era muito bom. Meninas lindas serviam com um sorriso dourado a cada cliente. O camarada chegou para o proprietário e disse: "eu tô afim de comer uma galinha aqui!". Pra quê! Comer galinha com quiabo em Minas Gerais é uma festa régia, mas conforme o lugar do nordeste em que você está, pode levar uma surra por um pai enciumado.
Então vamos ao caso que nos interessa. O camarada não era nada bobo não. Mas estava muito distante de sua terra natal. Encostou seu carro num posto de gasolina e perguntou pro gerente: "Onde fica o mictório?" O gerente, muito tirado a sabido respondeu: " O mictório fica lá naquelas salinhas do fundo, onde se lavam os carros. O oratório fica no morro de cima, onde está a Igreja. O parlatório fica na Câmara Municipal no centro da praça. O crematório fica na saída da cidade....." Antes que eles continuasse com seu "discursório", o ganjão lhe respondeu: "E o sanatório fica na quinta rua à esquerda. Depois que eu urinar, vou providenciar as guias para o seu internamento, porque sou médico psiquiatra! Seria bom, você ir antes a um armarinho da esquina e comprar um calça com suspensórios"
EMBOLANDO O VISUAL
Outro dia, passei por uma estrada no Rio de Janeiro e li a seguinte a placa: "compre aqui os filhotes de peles!". Entendi que ali estava vendendo "filhotes de pelés", com certeza faltando um acento na palavra "peles", mas não compreendia o que seria estes "filhotes de pelés!" Pensei que era alguém que treinava garotos para jogar futebol e vendia os passes deles para times que interessassem.
Uns cinco quilômetros mais a frente, estava a resposta num brilhante cartaz no morro à esquerda: "daqui a cinco quilômetros, vocês podem comprar FILHOTES DE PEIXES". Não foi difícil perceber que na primeira placa o "X" teria se apagado.
Já lhes contei a confusão que deu um casal, quando chegaram a um restaurante, cujo nome era: "RESTAURANTE BOM RATO". Com muita dificuldade descobriram que aquele "P" que faltava no título "RESTAURANTE BOM PRATO", tinha ido para a p.q.p.
No interior tinha um roceiro, que quando achava alguma coisa engraçada, ele exclamava: "ISTO É UMA PAIAÇADA!". Se alguém perguntasse a ele, porque ele falava paiaçada e não palhaçada, ele dizia "QUE ERA PRUQUÊ TINHA UMA FAIA NOS DENTES!".
Mas a maior mesmo, aconteceu com a mulher que estava danada da vida com o médico que consultou seu marido. Ela reclamava com todo mundo: "Ele é um médico burro demais. Não consegue entender o que a gente fala. Eu falei que o João solta gás a noite inteira. Ele não acreditou em mim. Marcou um teste para ele fazer de ressonância gasenética!"
Outra interessante é o indivíduo que vai visitar um parente, depois de viajar uma noite inteira e não conseguir dormir no ônibus. Para compensar, dorme a tarde inteira, na casa de sua sobrinha. Acorda meio tonto, cabelo estraçalhado e diz: "Não tenho costume de dormir de dia, isto afeta meu relógio zoológico!". A sobrinha olhou para o imenso pescoço do tio e disse: "Com razão! O certo era o senhor estar com o pescoço espichado espiando as belas paisagens que tem nossa cidade!"
CUIDADO COM O QUE FALA
Um professor, certa vez, chegou à Escola e logo na entrada o coordenador falou: "Abre o teu ôlho, porque hoje tem uma reunião feia com você. É sobre uma adolescente que parece que você falou alguma coisa estranha ou deu uma cantada nela!"
O professor ficou superpreocupado, mas tinha certeza absoluta do seu comportamento ético. Chamado para uma reunião, lá estavam a Diretora, as Pedagogas, os Coordenadores e os pais da aluna. A Diretora pediu à mãe da aluna que dissesse o ocorrido. A mãe disse:"Senhora Diretora, este professor está aconselhando a minha filha a fazer nenem" Todos se entreolharam, enquanto o professor replicou: "Realmente, eu disse não só para sua filha, mas para toda a turma que se preparasse para a prova do ENEM!"
Rabino SHLOMO AMAR
Rabino Chefe Sefardita de Ysrael, dá um show de sabedoria, com
a riqueza de suas palavras, tecidas à luz dos antigos sábios judeus, revivendo o conhecimento perdido nas areias do tempo, desde as puras palavras de Daniel, de Isaías, Jeremias, e tantos outros sábios hebreus, como o próprio Gamaliel, ou o Rabino Hilel, que viveu no sec. I a.C., que entre seus ensinamentos incentivava o amor ao Eterno sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. São coisas simples que o Rabino AMAR explica que devemos seguir, mas sua simplicidade é plena de sabedoria, enriquecida de Kheter, Hockmah e Binah.
O Rabino AMAR ensina "que o maior perigo que enfrentamos é nós mesmos e não o terrorismo!". Quanta verdade existe na pureza desta ensinança sagrada! O mal reside dentro de nosso coração. O inimigo que temos de vencer, são as nossas mediocridades interiores. Estes foram os ensinamentos que os antigos deixaram para nós.
Ele também diz que o alicerce de um povo é a sua unidade, mas quando o amor aos bens materiais é maior do que o amor ao outro, este alicerce se corrompe e se desgasta. Mais uma ensinança profunda. Quando somos demasiadamente presos à matéria, nos afastamos da luz abençoada do Eterno. Isto cria desunião, exploração do próximo, discriminação, má distribuição de rendas e divisão da nação.
Ele nos alerta que devemos acordar de manhã e retirar todo o ódio e todo o apego de dentro do coração. Este é o caminho da salvação. Esta é a senda da paz. Só assim realizaremos o Messiah dentro de nós.
Portanto, Shalom do fundo do meu coração, para você RABINO AMAR.
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