Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
domingo, 22 de abril de 2012
AGORA PENTEIE O TOPETE
CHARME DISCRET DE LA BOURGEOISIE
A rica e numerosa família janta à luz de velas, exibindo suas jóias e seus sarcasmos, fora as alfinetadas de diamante que se distribuem gradativamente, forma elegante de se ofenderem sem se transparecerem mal educados, conservando uma tradicional e rigorosa educação francesa. O filho mais velho, após ter montado uma sala especial para projeções cinematográficas, amante da boa arte e distonante daquela insuportavel realidade social, se levanta para fazer um convite: "Gostaria de convidar a todos vocês para assistirem um maravilhoso filme de Luis Buñuel, "O Discreto charme da Burguesia", que vocês adorarão. Esta película é um marco do movimento surrealista, no cinema. Apresenta um grupo de burgueses marcando um encontro para um jantar. Os convivas chegam antes da data marcada. Resolvem ir para um restaurante. Vêem um corpo caído na sala e desistem. Marcam outro encontro. Desta vez chegam na hora marcada. Porém, os anfitriões não estão presentes, porque pularam a janela para fazer sexo no jardim. Os convivas desconfiam que foram chamar a polícia para prendê-los, devido seus envolvimentos com coisas ilícitas....por aí vai o belo filme!"
A mãe se levanta e diz: "Este filme não me interessa, porque já convivo com ele há anos, na nossa realidade. De vez em quando, nossos amigos nos convidam para jantarmos em restaurantes e nós não suportamos o odor de suor dos garçons, o cheiro de óleo queimado da cozinha, os garotos pedindo dinheiro na porta, as pessoas esbarrando na gente pela rua, com embrulhos sujos, o som alto dos restaurantes, a falta de gosto na estética dos salões, e muitas vezes nos retiramos, porque não suportamos esta sociedade suja. Este negócio de pular a janela, aqui em casa mesmo, já aconteceu uma vez, em que marcamos o jantar e seu falecido pai pulou a janela dos fundos, para fazer sexo com a empregada dentro da piscina. Ele tinha mania de sexo aquático. Acho que em outra encarnação ele foi um peixe espada violento.Para me engabelar ele declamou Fernando Pessoa, dizendo que "tudo vale a pena, quando a alma não é pequena", e eu retribuí imediatamente, que para "a empregada, tudo valeu a pena, porque a coisa não era pequena!". Quanto à polícia entrar aqui em casa, já aconteceu também anos atrás, quando em pleno jantar, fomos incomodados pela polícia federal à procura de envolvidos em máfias financeiras. Meu filho, veja se encontra um filme que se adeque a outra realidade. Uma realidade que não existe neste mundo, por exemplo!"
Para finalizar esta história, reconheço que é óbvio, que a burguesia possui o seu discreto charme!
SALVADOR DA PÁTRIA
Um intelectual percorre a exposição, observando detalhe por detalhe, enquanto uma senhora muito simples o acompanha. Democracia é assim mesmo. Portas e janelas abertas com possibilidades a todos. Pode ser que em algumas circunstâncias complique, mas vale a pena exercitá-la. Aliás, a democracia é como o ser humano: nasce do exercício em si.
Desta forma abriram a exposição em praça pública. Todas as obras de Salvador Dali, expostas num imenso salão sob os olhos atentos e curiosos das pessoas. O surrealismo contrastando com a decoração delicada da sala. Ora, entender Dali, não é simples. Suas introspecções a níveis intrapsíquicos nos confins do inconsciente freudiano ou coletivo junguiano, percorrendo a vastidão sexual e os campos oníricos, requerem uma base sólida de conhecimento, para interpretar suas obras. Por exemplo, através de um gafanhoto ele interpreta a perda e o medo; através da formiga, o fim, a destruição, o desejo sexual; o ovo representando o útero, o mundo; caramujo representa a cabeça do homem; o relógio a essência da teoria da relatividade einsteiniana; o elefante é o contraste espacial em sua distorção longitudinal. Na tela renasce a metafísica transcendida do mundo transcendental/onírico.
O professor permanece em silêncio diante do quadro "Crianças geopolíticas assistindo o nascimento do novo homem", de 1943. É um quadro profético. Após a segunda guerra mundial, acreditava-se que o homem seria outro, depois de tantos horrores passados. Dali não pensava assim. Tanto que o quadro mostra uma paisagem apocalíptica de um nascimento hecatômbico de um récem-nascido/homem saindo de um ovo(o mundo), sendo assistido por uma criança assustada e amedrontada e uma mulher-esqueleto/musculosa ao mesmo tempo. Os continentes saem do ovo em estado de degradação, inclusive da África Ocidental cai uma lágrima, enquanto um filete de sangue escorre junto com o naciturno.
Ao lado, um auto-retrato do pintor, com os olhos arregalados, os cabelos esvoaçantes, a boca semi-aberta num semblante desesperador.
A senhora pergunta para o intelectual? "Quem é ele?"
O professor responde: "É o Salvador Dali!"
"Coitado, merece toda esta homenagem. Com todo este mundo caindo aos pedaços, ele conseguir salvar tudo isto, não foi brincadeira não! Mas qual era o nome dele?"
AMIGAS EM PÂNICO
As duas amigas saíam sempre juntas, para tudo que era balada, circo, tourada e diversões. Resolveram aprimorar a audição e o olfato, procurando um recital que estava em moda na cidade. O título muito atraente, brilhava em constelações no estandarte do teatro: Le Fantôme de l'Opéra. Foram as primeiras a procurar ingresso. Quando aproximaram da bilheteria e olharam a cara do bilheteiro, quase cairam no chão. Um rosto comprido, um olhar vampiresco, brilhantina nos cabelos, um casaco vermelho e...e... e...os dentes caninos...os dentes caninos dele eram enormes!!!???!!! Deram o fora, com uma desculpa amarela, inclusive na fisionomia. Tomaram um táxi urgente e comentaram dentro do táxi: "Deus que me livre entrar ali!" O motorista, que fazia ponto na praça, entendeu logo o que se passara e respondeu: "Já sei o que aconteceu. Eu também não entro nesta. Com certeza vocês viram O Fantasma da Ópera dentro da bilheteria!"
SURF MORTAL
O rapaz era atleta, ninguém pode negar. Mas era estudioso também. Por que estes dois predicados não podem co/existir no mesmo verbo adolescer?
Pois bem, o garotão está lá na sala lendo em voz alta, uns versos do Navio Negreiro, de Castro Alves, para entender melhor a época da escravidão:
"Estamos em pleno mar.... dois infinitos,
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dois é o céu, qual o oceano?...
Na cozinha, preparando o jantar, a preocupadíssima mãe pensa: "Ah! meu Deus, ele agora vai procurar um tsunami para surfar!"
MÃE PSICOLÓGICA
A madame passeava com seu adoravel cachorrinho shih-tzu pelo calçadão. Vinha um senhor, intelectual de muitas bibliotecas inteiras, olhou bem o cãozinho e exclamou:"Nossa, ele tem a cara do Barão de Tamandaré!"
Uma semana depois, a mesma senhora, desfilava pelo calçadão vestida à moda da Princesa Leopoldina!
PORTUGUÊS EM FORMA DE CÃO
Foi o tempo de nossas avós. Não cabe mais português comer sabão pensando que é queijo. Nem adianta contar para seus filhos e netos, que um português viu a lua brilhando no fundo de um poço e pensou que era um queijo. Isto já passou. Estamos em outra época. Cinema em casa, comida instantânea, computador com todas as suas possibilidades, celular multi-uso, inclusive sendo enviado ao espaço, usando o sistema Android do Google, robôs evolucionários, nanoeletrônica baseada no spin, vídeos holográficos, oásis artificiais, e-book, etc.
Marido e Mulher, gajos legítimos do Porto chegam ao Rio para turismo. Entram em um grande supermercado e ficam impressionados com a riqueza do Brasil.
O maior sonho do Manuel: comer quibes brasileiros. Ele sabia que aqui se faz quibes mais saborosos que em qualquer terra árabe. A mulher queria agradá-lo a todos os custos.
Diante daquela montoeira de pacotes, encontrou o que queria: "Achei, Manuel, aquilo que você mais gosta de se por a comer!"
Todos os presentes arregalaram os olhos, quando viram na mão da portuguesa, um enorme pacote de rações para cães Deli Dog Carne!
PIROU O CABEÇÃO
O indivíduo começou a ler ininterruptamente tudo que era poesia: Drumond, Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Cecília Meireles e etc. Lia dia e noite, contando com a madrugada. Acabou na praça pública fazendo versos em voz alta para todos aqueles que riam e não queriam ouvi-lo:
"Mundo, mundo, vasto mundo,
se eu fosse uma pedra no meio do caminho,
no último andar eu queria morar,
para te oferecer meus versos de amor,
que seriam de rima e uma solução,
se eu não morresse amanhã cedo e as
flores não florescessem de outra maneira,
eu não teria este rosto de hoje, assim calmo,
assim triste, assim magro,
quando tive a idéia de cortar o tempo em fatias,
es tan corto el amor y es tan largo el olvido."
O homem pirou o cabeção!!!!!!!!!!!
Mário marieta
Mário mamou mamadeira mais ou menos até metade dos doze. Esta sequência de emes presopopou com mamãe me dá isto, mamãe mijei na cama, mamãe me dá um beijo, mamãe me passa a roupa, mamãe me arruma o cabelo, mamãe me dá o tênis, mamãe vou chegar mais tarde, mamãe mamei um dez..... mamãe este é o meu maior amor Márcio! Um Cê que se encaixou direitinho no meu meio!
LOBO MAU E CHAPEUZINHO VERMELHO
A menina começou hoje mesmo a trabalhar na loja da loteria esportiva. Fez um treinamento de uma semana, mas hoje foi seu primeiro dia. Também sua primeira surpresa ao lidar com o público. Um sujeito abaixou, olhou-a bem dentro dos olhos e disse: "Quero botar isto tudo na raspadinha!" A moça saiu correndo, até ao gerente nos fundos e disse apavorada e tremendo: "Chefe, me ajude que tem um tarado no caixa 9!"
CABEÇA DE MULHER NÃO ACEITA CHIFRE
Iselda desconfiava do Joaquim. Ele brincava ser bom de cama porque dormia bem e roncava muito. Mas ela estava de olho nos seus sonhos. Uma noite, meio dormindo, percebeu: "me beija gostoso, Josefina". Iselda não nasceu para ser mulher de Napoleão Bonaparte. Partiu para o contra ataque. Toda noite, antes de dormir, fervia uma água e colocava na garrafa térmica, para derramar no ouvido do safado, se ele sonhasse de novo. Não deu outra: "...me abrace e me morda...me aperte..." Ela apanhou a garrafa, tirou a tampa e esperou o filme chegar no auge. "Agora segure, mas não com força....isto, tá ficando bom..." Aproximou-se do lado dele para derramar a água quente, mas o azar foi grande. Escorregou num chinelo e caiu sentada no chão, derramando a água toda em suas pernas, queimando e gritando pela casa. "Josefina, você ficou doida! Já está caindo com água quente na mão!" Viram como ele trocou o nome dela? No desespero das queimaduras, não notou.
Mas o tempo voou por cima das panelas e das roupas para lavar e passar. Com ele trouxe o boato de que Joaquim foi visto várias vezes na praia com uma mulher.
Domingo de solzão rachando no céu e embaixo. A mulherada toda espichada igual abóbora madura ao sol. Joaquim, nada bobo, sempre dava um troco alto a dois garotos que vigiavam carros, para avisá-lo se Iselda chegasse. Deixava o carro em casa para não dar desconfiança alguma.
O moleque chegou esbaforido: "Seu Jô, ela tá aí te precurando!" Joaquim não perdeu tempo. Saiu abaixado entre as sombrinhas, os vendedores de picolé, de camarão frito, de óculos de sol: "Cuidado minha gente! Corram! Ele tá com um 38 na mão e vai atirar no que der e vier!" Aquilo deu um pânico geral na praia. Joaquim saiu pela beira praia, tomou um taxi e ficou sentadinho na varanda da casa lendo jornal. Dentro de uma hora, Iselda chegou toda suja e rasgada. "Fui assaltada perto da feira, mas não conseguiram levar minha bolsa!"
Cabeça de mulher não aceita chifre, mas malandro que é malandro não dá rasteiras em cobra.
Por que o homem saiu de cena?
Segundo seu neto, informações dadas ao pé de ouvido, ele era um homem comum, igual a qualquer outro. Bom pai de família. Bom marido e amigo incondicional de seus filhos. Tudo bem, era um ser do seu tempo. Trabalhava na roça o dia inteiro. Cuidava dela, diversificada entre o milho, arroz, feijão, legumes. Plantava o pomar em volta de casa. Tratava de galinhas e porcos e suas meia dúzias de vacas leiteiras. Seu moinho d'água fiava sem cessar pela correnteza morro abaixo. Sua engenhoca de cana, colocada no canto da estrada, era socializada para todos os viajantes que iam de um patrimônio ao outro. Aos sábados descia até ao patrimônio para jogar bola de pau com os amigos. Era assíduo em todas as festas e não perdia uma missa aos domingos. Inclusive levava o padre, em sua charrete, para almoçar em sua propriedade, uma galinha com quiabo.
A partir de um certo momento, tornou-se arredio e desapareceu do convívio permanente familiar e nunca mais foi à cidade, nem para ser abençoado pelo bispo semestralmente. Por que o homem saiu de cena? Esta é a pergunta fundamental e intrigante deste trágico acontecimento. Por que ele se afastou para sempre de todos e se escondeu de quaisquer pessoas que tentassem se aproximar dele?
Seu neto me desvendou toda a história, com o seguinte caso, embora também seja roceiro e não tenha conhecimento além do revelado pelo senso comum.
"Meu avô ficou deste jeito, desde que aqueles homens, isto há muitos anos atrás, estiveram aqui fazendo propaganda de um produto bom para matar formigas, o tal do DDD. Um veneno que mata de uma vez só todo o formigueiro e mata outros bichos também. Vovô chegou um pouco atrasado para a demonstração que foi no coreto da pracinha. Ele apenas viu o homem lá em cima do coreto, com um vidrão na mão falando: duas colheres disto no buraco do inseto, acabou. É só botar no buraco do inseto! Não fica mais nada vivo!
Daquele dia em diante Vovô Aniceto saiu de cena!"
CONCURSO DO CÃO
O tema do concurso era o seguinte: "SE VOCÊ SE ACHA PARECIDO COM ALGUM ARTISTA, VENHA NO SÁBADO QUE VEM AO PALCO MONTADO NA PRACINHA E AGUARDE SUA CHAMADA. A POPULAÇÃO É QUEM IRÁ DECIDIR O CAMPEÃO, VICE-CAMPEÃO E 3º LUGAR. OS PRÊMIOS SERÃO RESPECTIVAMENTE: UMA TELEVISÃO DE 42", UMA GELADEIRA E UM FOGÃO".
Eram 19:OO de sábado e a cidadezinha estava em festas. Veio gente de todas as cidades vizinhas. Um a um, de cada vez, foram se apresentando os sósias. O primeiro que apresentou-se foi uma espécie de João Paulo II, mais surrado que rato do Vaticano. Arrancou algumas lágrimas de uma senhora cega e nada mais.
O segundo veio como John Wayne, até que foi bem aplaudido, mas imediatamente preso pelo delegado, que o reconheceu como um feroz pistoleiro.
Surgiu um tipo Hebe Camargo que não chegou nem perto do SBT (sua besta traveca! conforme lhe xingaram!). Desta vez, um estereotipado de Lula com Dilma ao lado. Este foi com certeza o mais aplaudido de todos.
Apareceu um Ronaldinho Gaúcho e jogaram uma bola para ele. Ele não conseguiu nem levantá-la do chão e só com seus dentões não puxou muitos aplausos.
Sílvio Santos vem aí, mas como não era domingo à tarde, ninguém deu muita bola. Nisto chegou o tal camarada, o tal... e vocês vão ver no que deu.
Seu nome era Leandro, mas parecidíssimo com aquele monstro famoso, o Boris Karloff. Agora imaginem: um sujeito com cara de Frankenstein e vestido de vampiro! Fora da Transilvânia. Logo de primeira não ficou ninguém no palco. Principalmente porque era sábado de aleluia.
A multidão entrou em pânico. Apareceu um corajoso no meio da turba que gritou com uma estaca de bambú na mão: "Deixem que eu lhe dou um fim digno de um vampiro!"
Leandro pulou o palco pelos fundos e correu com o homem da estaca atrás. Leandro resolveu olhar para trás e cansado como estava semiabriu a boca, aparecendo os dois dentes caninos de cão pit bull que ele havia colado com durepox.
Quando o cara da estaca viu aquele semblante frankesvampirianobull, deu um grito: "Assim eu me frankspiro!" Desmaiou e caiu no chão. Leandro continua correndo até hoje por este mundo afora e o cara que desmaiou está tratando de mal de pânico.
MULHER PROFETA
Antes de redigir este fato, relembro que desde a Antiguidade foi comum o exercício da profecia entre as mulheres. Isto está comprovado na história do povo israelita, através da Bíblia, nas pitonisas do vasto mundo grego, nas sacerdotisas antigas, inclusive no Egito, entre os druidas, babilônicos, persas, hindus, etc e tal.
Vamos deixar de lado a história e entrar na nossa que é o que pretendemos. O casal está na sala. Brigam não sei o porquê. Em dado momento, a mulher diz pro marido: "Meu amigo, o seu nome é Pedro e lembre-se do que Cristo falou com Pedro: quem com ferro fere, com ferro será ferido!"
O marido respondeu logo em seguida: "Nem na última encarnação eu quero nascer mulher!"
Os vizinhos escutaram o desenrolar deste diálogo e ninguém entendeu nada. Eu entendi!
HORITO, O LIMPADOR DE TAPETES
Caso de japonês? Não tem não? Não brinque comigo, pois tenho muitos. E todos são verdadeiros. Este afirmação das verdades contidas em meus contos, é tão importante, que já me deu um prêmio em primeiro lugar, num concurso de mentiras.
Mas este é verdadeiríssimo! (existe este termo verdadeiríssimo? Parece uma mistura de verdade com Veríssimo! O caso aconteceu sim!).
Horito, ganhava sua vida limpando carpetes e tapetes numa área muito grande de condomínios em São Paulo.
Vou ser rápido, porque história de japonês, tem que ser de acordo com os movimentos nipônicos.
Certo dia, uma senhora burquesa viu o japonês dando uma sequência de saltos mortais no pátio do condomínio. Horito pulava pra trás e pra frente, inclusvie num magnânimo salto, pulou por cima de um palio da Fiat.
"Horito, meu filho! Eu não sabia que você pulava assim. Você é um artista nato. Se você for trabalhar num circo, vai ganhar dez vezes mais o que ganha, limpando carpetes e dando pauladas em tapetes, além de ganhar fama mundial!"
Lá do chão, agachado em prece hariquiri, Horito, conseguiu balbuciar: "Nô, nô sô atista nô! É proquê sinora nô sabe que é tomá uma paulada no saco!"
COISAS DE PORTUGUÊS
Casos de português, papagaio e gaúcho, eu tenho mais de mil. Mas o portuguesinho matriculado certinho, bem passadinho, comportadinho nos seus dez anos, foi para a escola no primeiro dia de aula. A professora advertiu: "Tudo o que eu fizer, vocês fazem. Dever não se esqueçam de fazer. Vou cobrar tudo o que eu fizer. Ouviram? Tudo o que eu fizer? Ouviu Manuelzinho Joaquim?" "Ouvi sim, professora, pode deixar comigo. Pode vir quente que eu já estou enfumaçando!"
Passado um mes, a professora chegou afoita: "Agora chegou a hora da cobrança. Quero ver tudo direitinho!" Todos os alunos mostraram seus deveres, só o Manuelzinho estava com o caderno todo em branco: "Olha aí, seu desobediente! Você não fez nada, nada, nada!!!!"
"Fiz sim professora. Eu fui o único que cumpriu seu pedido. A senhora disse que nós fizéssemos tudo o que a senhora fizesse não foi? Pois bem, a senhora escrevia no quadro e eu escrevia no meu caderno. A senhora apagava o quadro e eu apagava no meu caderno!"
Outra de português. A mulher perguntou para o portuga: "José por que você não me procura mais?" Ele respondeu: "Mas também tu não te escondes!"
A ressurreição do velho Sebastião
Sabia que muita coisa pode ser feita com uma casca de banana? Pode-se fazer papel, mas não aconselho fabricar papel higiênico com casca de banana, porque se alguém....deixa prá lá, a minha cabeça pensa demais.
Fazer doces cristalizados ou tipo em calda e também em forma de cocadinhas. Tem gente que coloca casca de banana na sopa. Mas tudo isto tem uma higinezação adequada.
Porém, depois que você comer a banana, porque sei que você gosta, cuidado pra não jogar a casca em qualquer lugar.
Pois foi assim que um mal educado fez, logo no meio de uma ladeira. Lá vinha Teresinha, toda pintadinha de batom. Pluft...!!!!...??? Caiu de pernas pra cima no meio da penumbra da tarde, com a calcinha decorada que nem papelzinho de bombom. O seu Joaquim que passava perto com sua dentadura relaxada, tomou um susto tão grande que a mesma voou dois metros pra cima e tomou direção em torno da velhinha Dona Naná. Quando, ela que enxergava pelas décimas partes, viu aqueles dentões vindo em sua direção, apavorou e gritou: "Sai fora falecido Sebastião, se você veio pra me buscar, não vai ser me abocanhando não!"
CÃO BOM DE BOLA
O professor tirou férias e baixou numa cidade interiorana. Colinas azuis, ar refrescante da manhã, rios cristalinos, moças bonitas com essência de lavanda, tudo o que ele queria. Voltar às suas raízes! Domingo pintadinho de missa, de vai e vém de vaqueiros, de cavalo arreado de cigano.... e de uma cervejinha no bar da praça. Escutou um tiroteio terrível de garruchas desemgasgadas e tres oitões desempenados a estrondo. Uma correria danada vinda do campo de futebol...um cara correndo com um rabo de cachorro na mão!
O professor perguntou a um bandeirinha vestido de vascaino: "Que aconteceu? Passou um cara aqui com um rabo de cachorro na mão!"
"Você não pode nem adivinhar. Tenho meia culpa nesta confusão e cheguei a engolir o apito que vou despachá-lo atrás do primeiro pé de bananeira. Foi o seguinte: os dois times daqui o Pau Dentro com o Pau Profundo estavam no auge do 2 a 2. Veja, quem fizesse um gol, ganhava o campeonato do ano inteiro. Um meia direita do Pau Dentro chutou uma bola de meio de campo que entrou nos fundos da rede do Pau Profundo. Eu estava na direita do campo, não vi direito e o juiz (cuja mãe foi mandada....) marcou o gol do Pau Dentro. Na verdade, tinha um cachorro na beirada do campo do lado do Pau Profundo, roendo um osso. A bola bateu na cabeça do cachorro e desviou pras redes do Pau Profundo. Nenhum de nós viu isto e o pau começou a comer depois do gol marcado. Com certeza o cachorro goleador foi a primeira vítima. O resto só mais tarde é que vamos saber!"
BORBOLETA DESLUMBRADA
É óbvio que isto aconteceu em tempos de modos passados. Numa época em que a repressão era muito grande. O sujeito quando queria desmunhecar era em terreno baldio ou num canto bem escuro, já com um cabra no cangote.
Só que desta vez, o camarada além do peso da vigilância social sexual, também carregava nas costas a cruz da religião. Então resolveu ir confessar com um padre.
Neste tempo, o confessionário dava uma fila grande igual a de Banco Pague Rápido e o padre ficava escondido dentro de uma cristaleira sem vidro, toda furadinha.
A fila foi andando e ajoelhou-se no confessionária uma mocinha dos seus treze anos nunca mais, que foi logo desadolescendo: "Seu padre me ajude, eu fico doidinha quando vejo os rapazes de short fazendo ginástica!"
O padre era muito velho e cochilou. A mocinha deu um reflexo de pensamento e arrependimento de ter falado aquilo, coisa de jovenzinha e saiu pela tangente, caindo fora.
Nisto chegou o rapaz alegre e ajoelhou-se. Aquele jeito exagerado dele de ajoelhar tipo miss, acordou o velho padre que disse: "Então você fica doidinha quando vê os rapazes de short fazendo ginástica?"
O alegrete levantou como uma dançarina do ventre e gritou bem alto: "Eta velhote adivinhão!" E caiu semi-desmaiada como uma borbleta deslumbrada.
CAMINHONEIRO CHIFRUDO E COMPADRE QUASE MORTO
É história de compadre sim, esta que vou contar, mas garanto que você nunca viu uma igual a esta. Em história de compadre, entra comadre e no encostamento um compadre cornudo. Infelizmente é assim, o que posso fazer? Ah! você quer que eu coloque os nomes aqui na internet dos personagens? Não sou besta não, dá processo, meu!
Vamos lá para o caso que nos interessa. O compadre estava numa boa com a comadre. Nos fundos da casa passava um rio bem largo (não posso colocar o nome dele aqui). E o compadre tá lá embolado com a comadre. O marido, é aquele personagem como vocês todos sabem, um caminhoneiro. É sempre assim, não é? Mas minha gente, o cara voltou com o caminhão para apanhar uma nota fiscal que ficou para trás!!!!!!!!!!!!!!!!!!! A comadre percebeu que o marido estava de volta. O compadre não perdeu tempo. Enrolou toda a sua roupa com sapatos, dentro de uma sacola de plástico de supermercados. Subiu na janela do fundo e pulou dentro do rio. Nadava igual a um peixe. Mas.... quando saiu na outra margem do rio sentiu um troço andando dentro de sua barriga. Chamou um taxi e rumou para o hospital que era ali perto. Quando chegou foi endereçado logo para o centro cirúrgico. Anestesiado rapidamente, o cirurgião rasgou logo sua barriga e retirou de dentro uma cobra d'água que ele tinha engolido quando mergulhou todo apavorado no rio. O médico suspendeu a cobra e gritou: "Minha gente, em vez da comadre engolir a cobra, quem engoliu a cobra foi o compadre!"
DOUTORA ALOPRADA
Doutora é doutora e fim de papo. Só que no caso aqui o papo não teve fim imediato, aconteceu sim o começo de uma grande confusão. Todos sentados na pizzaria, comendo, bebendo, lazerando em fim de sábado.
Amigos se cobram sempre, principalmente quando algum toma chá de sumiço.
"Amiga, você desapareceu do nosso meio! O que houve? Nem deu as caras, nem notícias, nem nada, nem um telefonemazinho sequer ou um emailzinho de linha e meia!"
"Querida, você não sabe o que aconteceu comigo lá no Rio. Você se lembra da Beta, aquela que morou numa república comigo? Aquela toda sardenta..... pois é minha filha, perdi minha amiga e estava sem cabeça!"
Neste momento, o amigo da ponta da mesa se assustou: "O quê, logo a Beta?"
"Sim, a Beta! Não dá para acreditar, ela que foi um ponto de apoio para mim, quando estudava!"
Um outro, da lateral da mesa: "Meu Deus, que destino teve a Beta!" "Ninguém imaginava isto, não é? Ela morou comigo conforme eu estou contando e era tão boazinha, a menina. Seus pais moravam em BH"
A primeira amiga volta em cena: "Mas me explica direito, como foi que arrancaram a cabeça da Beta?" O outro amigo: "Acho que foi decepada?" O terceiro amigo: "Algum esquartejador?"
"Não, minha gente. A Beta morreu de AVC!!!" "Mas como foi que ela perdeu a cabeça ou cortaram a cabeça dela?"
"Nada disto, vocês estão enganados, eu apenas disse que estava sem cabeça, eu!!! Eu estava sem cabeça!!!!! Apavorada!!!! entenderam??????"
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