domingo, 22 de abril de 2012

SOMBRINHA SEM SOL

sexta-feira, 22 de outubro de 2010Editada a Parábola Social, escrita por Adameve El Salem, no blog www.adameveelsalem.blogspot.com. Atenção: Adameve El Salem virá ao Brasil com certeza no ano que vem. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 05:28 0 comentários Links para esta postagem MANEQUIM MANÉ O cara era professor de desenho industrial de uma escola técnica. Não posso aqui citar nomes não, que ainda tem coelho fora da toca por aí (cale-te boca!). Mas foi verdade de arregalar o umbigo. A escola era enorme e com dois andares, sendo o pátio interno em forma quadrangular, com os respectivos andares em suas laterais. O danado era engenheiro e metido a besta desenfreada que só vendo. A garotada não parava de gritar: "Manequim! Manequim! Manequim!". Chegou um momento que o bicho desconfiou que era com ele a ponto de transcolorir sua careca draculiana. Diziam que se adaptasse dois dentes caninos longos nele e uma capa vermelha, seria imediatamente contratado por Hollywood para trabalhar num filme mais ou menos assim: "Drácula vence a estaca!". Como disse, o ganjão desconfiou que o negócio era com ele mesmo. Conversa aqui, futuca ali, fofoca acolá: "É comigo mesmo!". Ele era a fotocópia, o irmão gêmeo, o auto-retrato perfeito, limpinho, passado a ferro trifásico de um manequim de uma imensa loja que se instalara no coração da cidade! Foi lá bem disfarçado, com um boné do flamengo na cabeça, viu, conferiu, mediu o boneco e não teve dúvida nenhuma: "Alunos miseráveis, descobriram meu protótipo aqui! Vou pedir a minha mulher para comprar este vascaino pelo preço que der. Vou botar fogo neste cruz-credo na primeira encruzilhada que encontrar pela frente!". A mulher partiu destroloucadamente de viés para a loja e foi logo mandando: "Moço, quanto você quer neste manequim?" Minha senhora, a loja de sexy shop fica no segundo quarteirão!" "Não moço, né prá isto não. Isto não funciona lá em casa já faz tempo. Se um me mata de raiva, dois nem pensar, quer dizer, você não entende o que eu falo, estou falando demais, mas eu queria levar ele pra enfeitar a minha sala, quanto você quer nele?" "Senhora, isto aqui não vende manequim. Nós vendemos de tudo desde roupas a eletrodomésticos, mas este aí não!" O vendendor deu aquele sorrisinho de lado e deslanchou:"A senhora não sabe o lucro que este bicho tá dando prá nós! Depois que botaram ele aí, nossas vendas cresceram tres vezes mais. Ele já se tornou nosso garoto, ou melhor dizendo, nosso careca propaganda! Tem mulheres que já beijaram a careca dele!" "Moço, se beijaram a careca dele, manda elas levá ele pra casa!" Desaba a mulher numa ponta de ciume. "Minha cara, se nós não vamos vender o cabra, dar ele pros outros muito menos!" A mulher começou a pensar:"Lá em casa ele só enche o saco. Os vizinhos não gostam dele. Ele é considerado antipático por todo mundo. Agora aqui na loja o bicho é querido por todos. Não dá pra entender este mundo. É por isto que as lagartixas ficam em cima do muro tribatendo as cabecinhas e dizendo: este mundo tem coisas, este mundo tem coisas". Em volta dela havia dezenas de alunos que se revezavam na loja para ver o manequim parecido com o professor. Ela não os conhecia. Seu diálogo com o vendedor foi pego desnudo. No dia seguinte enquanto o professor passava no pátio, os alunos gritavam: "Manequim mané! Manequim mané! Manequim mané!". Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 03:28 0 comentários Links para esta postagem sábado, 16 de outubro de 2010PAZ E AMOR Conheço um sujeito chamado Seu Patrício, que apesar da nacionalidade de seu nome, é muito mais meu conterrâneo do que seu. Uma vez, acompanhei-o até a Farmácia para comprar um analgésico.É até dificil de compreender como um homem pacífico igual aquele, tinha dores de cabeça. O farmacêutico era muito velho, mas levando em conta sua longevidade, não estava ficando biruta, pelo contrário, era mais vivo que o seu próprio celular. A farmácia naquele momento matinal, ainda vazia, somente com uma senhora envolvida numa meia discussão com o farmacêutico: "eu não estou entendendo esta letra do médico não, minha senhora! Só ressuscitando Champollion para decifrar estes hieróglifos! Deixa eu ir lá dentro perguntar ao meu filho para ver se ele entende!" Enquanto o farmacêutico estava lá dentro, a mulher voltou-se para Seu Patrício: "este farmacêutico tá tão velho, que tá caducando! ele nem sabe mais ler nome de remédio nas receita!". Seu Patrício retrucou: "concordo plenamente com a senhora!". Nisto o farmacêutico voltou com o remédio na mão: "tá aqui, minha senhora, meu filho descobriu o quê que é!". A mulher levou o remédio e ainda deu uma olhadinha de soslaio e sorriso por meu amigo que lhe retribuiu subliminarmente. Meu amigo pediu a aspirina e nisto o farmacêutico sussurrou-lhe: "esta mulher tá ficando doidinha da silva! Não tem mais paciência prá nada!" "Com certeza, concordo plenamente!", retribuiu meu amigo. Na saída, já na calçada da rua eu não aguentei e falei: "Seu Patrício, não estou entendendo mais nada. Quando a mulher falou que o farmacêutico estava ficando doido, o senhor concordou com ela. Quando o farmacêutico disse que a mulher estava ficando maluca, o senhor concordou com ele! Afinal de contas, quem é que está certo nesta história?" Seu Patrício olhou para mim e replicou: "Você também está com a razão. Concordo plenamente com você!". Se pudesse mudar o nome das pessoas, mudaria o nome de Seu Patrício para PAZ E AMOR. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 05:14 0 comentários Links para esta postagem sexta-feira, 15 de outubro de 2010INCÊNDIO E PREGUIÇA O camarada se chamava Mané do Trato(porque ele não cumpria nada que combinava com as pessoas), de forma que ele afirmava uma coisa e deixava o sujeito no maltrato. Mané do Trato foi cincoenta por cento responsavel pela saída do padre pra sempre. Mané era muito preguiçoso. Vamos começar pelo padre, conforme nos indica o título deste caso. O padre organizou uma festa muito grande no dia da padroeira. A Igreja ficou apinhadinha de gente que nem pé de jabuticaba no cio. O padre ficou do lado de fora preparando os incensários, porque ele queria fazer um fumacê danado de cheiro de incenso para deixar em delírio a comunidade. O homem estava todo entusiasmado. O fumacê começou na entrada da Igreja. Dois puxa sacos balançavam os incensários de forma que no meio daquela bruma doida de fumaça, quase não dava pra ver o padre, a não ser a sua carecazinha de Santo Antônio que saiu boiando sobre a penumbra cheirosa dos incensos ardentes. O padre foi entrando, foi entrando, foi entrando devagar.... até que um garoto soltou o grito: "O padre tá pegando fogo minha gente! O padre tá pegando fogo minha gente!". O povo pulou em cima do padre com tapetes na mão, rasgaram o resto de sua roupa, embrulharam ele numa toalha. Ele queimou um pouco as pernas, pois o fogo começou a pegar pelas bordas das suas vestes sacerdotais. A festa acabou sem começar. O padre marcou para outro dia, mas ficou muito envergonhado e sem graça. Agora vamos voltar pro Mané do Trato. Este cabra era preguiçoso de inchar. Ele tinha uma carroça de burro para fazer uns pequenos biscates. Ele ganhou uma tinta vermelha para pintar a carroça. Como ele era muito prequiçoso, resolveu pintar a carroça com o burro amarrado. Pegou jornais e papelão e forrou o burro para ele não pegar tinta. Colocou o latão de tinta ao lado da carroça e com uma bomba manual de pulverizar insetos, ele conseguiu pintar mais ou menos a carroça. Ele cansou logo porque era preguiçoso demais e resolveu deitar debaixo de uma árvore na praça, para descansar e também esperar a tinta secar. Nisto vem o padre, o tal que pegou fogo. Quando ele passou perto da carroça, devido ao cheiro da tinta, ele deu um espirro. O burro se assustou debaixo de seus jornais, enfiou o rabo no latão de tinta, bateu com ele prá lá e prá cá, dando como resultado o padre pintado de vermelho. Imaginem vocês, um padre careca pintadinho de vermelho dos pés queimados até a cabeça! O padre não aguentou. Apesar de toda a sua fé, arrumou a mala e nunca mais voltou naquele lugar. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 17:45 0 comentários Links para esta postagem terça-feira, 12 de outubro de 2010ENVIO UM ABRAÇO AO ESCRITOR EDSON LOBO TEIXEIRA A QUEM TANTO ADMIRO E A TODOS OS MEUS COLEGAS DA ACADEMIA CALÇADENSE DE LETRAS. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 02:44 0 comentários Links para esta postagem ACIDENTE INEXPLICAVEL Como foi que a irmã de caridade segurou o Damião e soltou o Cosme, isto ninguém saberá, porém o resto vamos ver com o desenrolar da estória. Tá certo que a curva era perigosa. O movimento intenso, a chuva fina e que todos estavam a mil por hora. Mas como entender tudo aquilo? Amontoados num canto da estrada: duas rodas de bicicleta sem o resto da mesma, o capô de um fiat, o banco lateral de uma moto, o resto de uma cadeira de primeira classe de circo, o pedaço de uma placa advertindo Devagar Escola, um carrinho de picolé (o vendedor estava do outro lado rezando o terço e se benzendo), um São Cosme quebrado sem o São Damião ao seu lado (a única coisa que rimava naquela situação). O saldo de feridos era o seguinte: um rapaz apressado perguntava se alguém havia visto uma orelha por perto, ao que um outro respondeu: "vi um cachorro carregando a mesma!". O outro acidentado era um senhor sem as duas pernas e que dava gargalhadas por não ter morrido ali no acidente... o vendedor de picolé se benze tanto que parece pai de santo no auge da incorporação... a irmã de caridade foi socorrida por uma beata... o dono do fiat todo arranhado gritava: "fui enganado agora é tarde!". Ninguém entendia o que aconteceu. "Cadê as pernas do moço?" Um bêbado respondeu: "A cigana jogou no poço!". "Cadê a orelha do motoqueiro?" "O padre jogou no galinheiro!". "Cadê o circo que perdeu a cadeira?" "Tá com o palhaço falando besteira!" "Onde foi parar o São Damião?" "Foi dar na sua mãe um pescoção!" "Tirem este bêbado daqui senão ele vai pra lista dos acidentados!" "Eu não saio porque sou a única testemunha que viu e que sabe como foi o acidente!" Berrou o bêbado. "Então explica pra nóis devoto do conhaque São João da Barra e da cachaça Santa Terezinha, como foi tudo isto?" "O que vocês pensam que é roda de bicicleta, cadeirinha de circo e homem sem pernas, é um deficiente físico que vinha em sua cadeira de rodas pelo asfalto, em grande velocidade, fez a curva engavetando sobre o vendedor de picolé, ambos se embolaram e se arrastaram até o ponto de ônibus, atropelaram a irmã de caridade; em direção contrário vinha o fiat e a moto que se embaralharam, encapotaram, a placa de sinalização pendeu e cortou a orelha do motoqueiro... agora se vocês me perguntarem como foi que a irmã de caridade segurou o Damião e soltou o Cosme, isto eu não sei responder não!". Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 01:45 0 comentários Links para esta postagem domingo, 10 de outubro de 2010Referente ao blog www.adameveelsalem.blogspot.com / ATENÇÃO URGENTE: O Sábio AMMAR AL AMMAR não é o poeta AMMAR AL ANDALUS que viveu no ALGARVES, região árabe de Portugal - respondendo a um email de um leitor. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 13:47 0 comentários Links para esta postagem URGENTE: LEIAM O BLOG www.adameveelsalem.blogspot.com, onde o sábio escritor Adameve El Salem narra maravilhosas histórias do Oriente Próximo. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 12:35 0 comentários Links para esta postagem sábado, 9 de outubro de 2010ESPERTEZA SÍRIO-LIBANESA Naquele tempo, não estou falando do tempo em que os bichos falavam, mas do tempo em que os turcos comerciavam à vontade entre as serras interioranas; tudo era diferente e ninguém passava desodorante debaixo do sovaco, porque as outras coisas todas cheiravam todinhas, desculpem-me o pleonasmo; mas era assim mesmo, pois laranja perfumava do pé até a beira do rio e se você colocasse uma meia dúzia de goiabas dentro de casa, ela ficava toda engoiabada. Seu Serafim sofreu derrame e ficou entrevado (nós da cidade já falamos AVC e paraplégico) e pediu para seu sobrinho (saudades do "bença pai, bença mãe, bença padinho, bença madinha", infelizmente o tempo prá crescer e vigorar como tempo, precisa de devorar as coisas boas); então como dizia, Seu Serafim derramado e entrevado pediu ao seu afilhado (já está parecendo aquela poesia da pedra no meio do caminho de Drumond), mas volto de novo; Seu Serafim entrevado e derramado pediu ao seu afilhado para comprar na Loja do Turco um São Jorge. Todo mundo tinha este quadro na sala de visitas. "Seu Mamed, meu padinho mandou comprar um São Jorge pra ele!" O turcão foi até as fundos da loja e revirou tudo quanto é santo de forma que até Santa Terezinha dos Indigentes ficou coitadinha de pernas pra cima, em posição caridosa, sem nenhum pudor. Não achou de jeito nenhum o danado. Então ele pensou: "Se o fim do Serafim foi ficar abobado e travado, ele nem sabe mais como é o São Jorge e vou enfiar nele este São Pedro aqui, por que também aquele menino é novo e não vai desconfiar de nada." O menino olhou bem pro São Pedro, com aqueles olhinhos azuis e um molho de chaves na mão e bradou: "Né esse aí não! O que o padinho quer é aquele que tá montado num cavalo alazão, vestido de soldado, com uma lança nas mão enfiada na guela de um dragão!" O velho turco não perdeu tempo: "Menino, deixa de sê bobo! Quê quê cê tá prendendo no grupo escolar? Não viu que os tempo mudaram? São Jorge vendeu o cavalo, a sua espada, sua lança, sua armadura de prata e juntou dinheiro. Com o dinheiro juntado comprou um carro. Tá vendo o molho de chaves na mão dele? É chave do carro, da garagem e da casa nova que ele comprou!" O menino enfiou o quadro debaixo do braço e o turco anotou na caderneta do Seu Serafim o preço do São Pedro no lugar do São Jorge, para aumentar milagrosamente sua fortuna. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 02:26 0 comentários Links para esta postagem sábado, 2 de outubro de 2010SALIM ASSIM ASSIM É impossivel a gente imaginar uma cidade interiorana sem um turco. Turco? Turco é a mãe! Eu sou sírio-libanês! Eles reagem assim assim. Para eles o turco é porco, sem capricho, relaxado, come com a mão e prepara a massa do pão com os pés. Embora toda a reação e salvando-se todas as mamães, os sírio-libaneses continuam turcos para sempre. Salim era um destes. Começou como mascate e arrecadou além de uma bela fortuna, mais anedotas que as mil e uma histórias contadas por Sherazade ao Rei Baribê. Certa vez, ele chegou em uma fazenda com seus dois animais abarrotados de mercadoria. Estava torto de cansado, porque morto, nem quando dormia com um olho para vigiar suas mercadorias com o outro. O que ele queria mesmo era comer e dormir. Acontece que a mulher do fazendeiro, casadinha de novo, estava para dar a luz. Ele já chegou correndo: "Ah! que bom Seu Salim! Preciso que o senhor volte urgente para a Vila trazer uma parteira para minha mulher, que já está às portas de dar a luz!" O turco replicou imediatamente, para poder dar seu golpe no inexperiente marido: "Não precisa disto não! Eu fui o parteiro oficial de todo o Líbano e toda a Síria! Ajudo a sua mulher a dar a luz e ainda confecciono um patuá para o bebê! Só que para fazer o patuá, eu preciso de comer bastante e me trancar num quarto porque vou rezar a noite inteira pelo destino do menino! Este patuá nunca poderá ser desmanchado de forma alguma!". Vocês entenderam, não é? O golpe dele era simples. Ele tinha noções de parteiro de tanta estrada que andou. O negócio do patuá era para ele poder comer bem e dormir sem ninguém incomodá-lo. Os anos passaram. A fama de Salim comeu poeira de todas as encruzilhadas. Todo mundo já sabia que ele era bem mentiroso. Dez anos depois, o fazendeiro resolveu desmanchar o patuá costurado e pendurado com um cordão de nylon no pescoço do Yazib (nome que o turco teve a honra de dar ao menino). Sabem o que estava escrito? Não? Pois vejam: "SE PARIR PARIU, SE NÃO PARIR VAI À PUTA QUE PARIU!". Gente, um abraço e um bom final de semana a todos vocês. Se onde vocês moram é tudo serra, é porque vocês não vão votar na dilma. Essa última é dilmais, mas não é minha. A minha é marina. Moro à beira do mar. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 11:39 0 comentários Links para esta postagem VEJA UM ARTIGO INTERESSANTE QUE ESCREVI SOBRE KANT, ONDE VOCÊ ENTENDERÁ A BELEZA DO ESPAÇO E DO TEMPO E A INTIMIDADE DA GEOMETRIA COM A MATEMÁTICA NO BLOG www.joseluizteixeiradoamaral.blogspot.com Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 03:58 0 comentários Links para esta postagem terça-feira, 28 de setembro de 2010INÉDITO: ARTIGO CIENTÍFICO DO DR.ANTONIO TEIXEIRA DO AMARAL JÚNIOR NO BLOG www.sosbrasileiro.blogspot.com Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 01:52 0 comentários Links para esta postagem sábado, 25 de setembro de 2010CUIDANDO DE SI Meu prezado amigo e irmão, não somente deixeis que morra vosso pássaro cantor, mas não permitais que o levem ou que o aprisionem em gaiolas aparentemente de ouro. Muito mais que fingir-se fraco quando estiverdes fortes, ou fingirdes fortes quando estiverdes fracos, estejais atento para perceber o momento certo de colocar cada roupagem. Não vos incomodais com as pedras que vos atiram. Aproveitai todas elas. Transformai estas pedras em ladrilhos para que possais forrar vossa escada de Jacó. Não se separais do todo, do invisivel, do inominável, pois nenhuma folha cai de uma árvore e se perde, nenhuma gota que esvoaça, desaparece e nenhum ramo de erva que seca se evapora; todos eles voltam ao seio do grande uno para que possa permanecer a constante sinfonia universal. Muitos dirão de vós que falais de coisas estranhas, mas não lhes deis ouvidos, pois vós não tendes culpa alguma da pequenez de seus universos mentais e sabeis que uma lesma não é digna de alçar o voo de uma águia. Aprendeis com os mais simples, porque eles estão mais próximos da origem do cosmo. Compreendeis os mais fracos porque eles são conforme suas próprias medidas. Ajudai dentro de vossas possibilidades aos necessitados, mas não o fazeis isto para ganhar coroas de ouro, como fazem os fariseus, e que seja esta atitude o vosso natural de viver. Quando não fordes compreendidos, não vos revolteis, porque Aquele que vos dará vosso salário é o Pai da Compreensão. Estes outros são filhos da inveja, do verbo latino invedere, isto é, ver com maus olhos e esta não é a forma de olhar do Eterno, que só vê com bons olhos, porque tudo que Ele vê, Ele vê que é bom. Não vos identifiqueis com o vosso ofício ao ponto de pensar que é o todo de vós. Ele é apenas uma parte de vós, de onde ganhais vosso pão, mas ele não sois vós. Somente vossa alma unida ao uno sois vós mesmos. No universo ninguém trabalha por conta própria. Considerai o local de vosso ofício como um espaço sagrado onde se reunem todos aqueles que não por uma coincidência, mas por uma sincronia divina, ali estão reunidos, para junto de vós completar uma jornada. Amai ao uno sobre todos as coisas, cuidai de vós mesmos como uma mãe cuida de uma criança, considerai vosso próximo no respeito e na tolerância, mas não percais a reverência por todas as coisas, porque elas são o fruto do sacrifício cultural de todos aqueles que vos antecederam. Não vos preocupeis exageradamente, pois a própria palavra preocupar carrega a sua ingenuidade própria: pre(antes), isto é ocupar-se de uma coisa antes que ela aconteça! Estejais atentos a cada minuto de vossa vivência, pois é o único que vos pertence. Para o passado mandai uma mensagem de perdão, não só para aqueles que vos prejudicaram, mas também para todos aqueles que tenhais prejudicado. Para o futuro mandai uma mensagem de promessa e de esperança, porque tendes certeza que viveis da forma mais correta possivel. Nunca percais a confiança. Confiança tem muito a ver com "fiar", com "fé", na sua origem léxica, portanto, não abandoneis o tear sagrado onde aprendeis a tecer o manto da sabedoria. Eu vos desejo um bom final de semana. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 03:33 0 comentários Links para esta postagem quinta-feira, 23 de setembro de 2010IMPOSTO COMPLICADO O cara era cabo eleitoral do deputado - seu nome: Bonifácio. Vocês percebem que pela raíz latina significa bem feito, coisa que foi feita certinha. Mas não foi isto que aconteceu não e vocês me acompanham que vão ver. Bonifácio morava num lugar de divisa. Você sabe o que é lugar de divisa? É aquele que passa um rio no meio de duas cidades que fazem divisa entre dois estados. Pois é aí que a coisa pega. O deputado colocou Bonifácio como fiscal de barreira no outro lado do rio, lugar certo para puxar a sardinha pro lado de cá, ou melhor para o seu estábulo eleitoral. Com uma caneta Bic, um lápis e uma prancheta o dito cujo botou pra quebrar. Um dia ele recebeu o seguinte telegrama: "vistorie todo o dorso do rio, veja quem está passando mercadoria sem imposto e guarde sigilo." Bonifácio largou a boca da ponte onde trabalhava, arrumou um barco, arregaçou as mangas e partiu para a sua missão. Uma semana depois respondeu o telegrama da capital, com o seguinte telegrama: "vistoriei, ouviruei e tocaruei não só pelo dorso, mas também pelo amargorso de todo o rio, prendi vários vigaristas, multei, mas não vi em lugar nenhum o tal do SIGILO, que deve ter fugido prá bem longe." A Direção vendo a incapacidade do homem, transferiu-o para uma parte mais distante da beira-rio, onde tinha somente uma ponte de madeira com pouco movimento. Mas Bonifácio não estava para perder tempo. Vinha um enterro do outro lado e Bonifácio exigiu que mostrassem a nota fiscal do caixão. Como não tinha, ele prendeu o caixão com o morto dentro. "Isto só vai dar sequença, quando as nota tivé nas minha mão!" A viúva chorava e gritava:"Ah! meu Deus, o Beto quando era vivo nunca pagou imposto nenhum e agora depois de morto vai ter que pagar imposto do seu caixão!" Bonifácio retrucou: "Então vocês levam o morto e deixam o caixão aqui!" Bonifácio saiu correndo e apanhou uma toalha da repartição: "Aqui, enrola o morto nisto e toca o enterro!". Assim fizeram. Um bêbado vendo o enterro passar com aquela toalha selada ALFÃNDEGA, gritou: "Até que enfim vocês reconheceram a morte do nosso sistema tributário brasileiro!". A viúva continuou chorando:"Ah! meu Deus, o Beto nunca me falou que ele sofria do sistema urinário dianteiro!" Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 16:17 0 comentários Links para esta postagem sábado, 18 de setembro de 2010VEREADOIDO / VEREADOR DA DOIDEIRA O cara era mais enfeitado que burro de cigano. Estava completo, enlatado para empaturrar o distrito e colorir o poente. Cirurgiando-o dos pés à cabeça, lá vai ele todo produzido: canivete corneta pendurado na presilha sobre a banda da bunda à direita, um espelho ovalado com uma figura repartida de uma sereia mestiça com miss missanga, na presilha da banda da bunda à esquerda, um cortador de unhas de lagarto na presilha da frente, camisa xadrez, calça tropical, chapéu de palhinha. Uma botina vulcabrás ainda batizada de lama com estrume num barulho treco-treco pendurando pelos degraus da escadaria em direção à Igreja. Testemunha de casamento que chega atrasado, com certeza está prá lá de suado e soltando bafo de pintada pelas ventas. A Matriz repleta dos santos fazer caretas, de São Sebastião esquecer de suas flechas alojadas no corpo e de São José quase deixar o menino Jesus cair na careca do padre, porque mijar já havia acontecido pela santa providência de uma goteira paciente no teto. Do jeito que o homem chegou, o homem entrou como um asno engasgado com mamona. Mas onde se alojou? Certinho em cima do rabão do vestido da noiva. Com um empurrão de um boiadeiro, conseguiram tirá-lo de cima. Caiu sentado no colo de uma velha rezadeira, que lhe plantou uma mordida na orelha com dentadura de dezoito dentes e meio, sendo o arco de baixo em forma de serrote, além de enfiá-lo guela a dentro, um rosário de cinquenta anos de rola-contas. Mas o cara continuou assim mesmo como testemunha. Afinal de contas como candidato a vereador não podia dar vexames. Um menino gritou: "lá vai a noiva Vulcabrás!", enquanto sua calda deslizava pela nave paroquial, com o selo da botina borrada. Por incrivel que pareça, o noivo se chamava Brás, de forma que toda a roupa suja foi lavada em casa. Assim, de batizados, casamentos, enterros e festas de aniversários o cara virou vereador. Para Presidente da Câmara foi apenas um salto mortal de doideiras. A loucura no Legislativo foi tanta, que veio gente da República pra vistoriar o tresloucado. Examinaram a papelada toda e um promotor gritou: "O senhor merecia ir para um sanatório!". O maluco não sabia o que significava isto. Tinha escondido por trás de uma santa padroeira na cozinha da Câmara, um pai dos burros completo.Em homenagem a ele, colocou o nome de seu jegue preferido de 'ORÉLIO'. Abriu o livrão. Mas não se lembrava do nome para onde tinha que ir...."ssss....se....sen......sena....SENADOR: alto representante da república brasileira!" "Nossa mãe, onde foi que o promotor me colocou! Alto político da minha nação!". Voltou troteando: "Obrigado, muito obrigado, eu não merecia tanto!". "Merece sim, e com camisa de força!" "Nossa, o homem quer que eu seja promovido já!". A doideira continuou a todo o vapor. O danado traçou um projeto revolucionário de abastecimento de água. Um engenheiro contratado avisou: "Presidente, o seu projeto desobedece a lei da gravidade!" "Não tem problema não, nóis reuni a Câmara e faizi um projeto de lei mudando esta tá de lei da gravidadi!". Prezado leitor, vou dar uma paradinha por aqui. Infelizmente o nosso Brasil é todo assim. A maior parte de nossos políticos nos matam de vergonha, mas mesmo assim continuamos a escolher os piores representantes de nossa Pátria. Vamos dar as mãos, pois está se aproximando a data de outra eleição e procurarmos fazer de tudo, para escolher pessoas dígnas que nos representem honradamente e que tenhamos orgulho de elegê-los. Um bom final de semana. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 13:27 0 comentários Links para esta postagem sábado, 11 de setembro de 2010MAZZAROPI IMORTAL O caipira é um Mazzaropi imortal. Mazzaropi foi um gênio, uma mistura casamental de Carlitos com Mané Garrinha. Melhor seria seu nombre soando "Mazzaritos". Leitores assíduos, nesta verduralíssima estória vamos rememorar o caipira. Porém, segura-se aí frente à tela do seu computador, senão você cai e pira. Ele não é nada bobo. Quando lá nos cantos de serra donde vim, um deles chegava numa venda, com sua dona ao lado, perguntava: "moço cuanto custa isto?" "é tanto!" "tudo isto moço?, eu só tenho isto aqui!" "Ah! vai por isto mesmo!". Assim o caipira ia comprando tudo pela metade do preço e levava em sua conversa miúda os turcos no embornal. Um dia, um deles entrou na Matriz e ficou olhando tristonho para Cristo crucificado. No alto da cruz estava escrito a sigla latina INRI (IESU NAZARENUS REX IUDAEORUM), ele não sabendo o significado perguntou a um outro caipira, mais letrado: "Zé, quê quê tá scrito na cabeça do condenado?" "Óia Bastião, é INRI" "Quê qué dizê INRI?" "Óia Bastião é a aberviatura do carpinteiro que fez a cruz e se chamava INRIQUE!". Interessante quando foram na Capital e na beira da estrada viram aquele casarão bonito com um nomão galã de cara. "Zé, quê queê stá scrito lá?" "Bastião, é MOTEL!" "Quê qué moté?" Enquanto Zé pensava, um velho sentado atrás no ônibus sussurrou no seu ouvido:"É lugar de encontro de casais!" Zé olhou para Bastião e falou no seu ouvido: " Na nossa terra Bastião nós fazemu bobice atrás da moita. Aqui é muito grande, eles fazi no Moitel!". Mas os anos passaram e Bastião resolveu de corpo e alma,com dois remendos na bunda, entregar-se a Jesus: virou evangélico. Venha como vier e deixe Jesus entrar! Já tinha aprendido a juntar palavras e gaguejar um alqueire de palavras sobre um livro. O pastor mandou seu recado: "Bastião, si tivé arguma duveda, mi pregunta, tá?". Um dia ele chegou correndo: "Pastô Sálvio Pinto, Jesus era casado?" "Tá doido, Zé, onde tu tirô istu?" "Na biubla eu li: Jesus táva na cruiz e aos seus pé jazia a sua Tunica!" "Né Tunica não, é túnica uma capa que se usava naquele tempo!". Duas semanas depois: "Pastô Sálvio Pinto, casado eu sei que num era, mais ele era muito complicado e difici de se lidá!" "Pelo amor de Deus, pu quê sê fala asi?" "Óia, li na biubla. Jesus vinha de jirico e entrou na cidade de jerusalé de jumentu. Que diferença faz ocê tá no lombu dum jirico e passá pru lombu dum jumentu?" "Né jirico não Bastião! É da cidade de Jericó!". Bastião baixou sua cabeça e jurou não falar mais nada. Até que um dia... "Pastê Sálvio Pinto, agora num dá não. Este tá de Paulo eu num quero lê não! Ocê sabi qui sou flamenguista e este homem só iscreve carta pros corintio!" Bastião deu uma querentena de descanso ao pastor. Mas era inquieto demais. Não aguentava ficar sem uma real explicação. "O sinhô sabe quandu Jesus vai vortá?" "Nem os anju do céu sabi, Bastião!" "mais divia sabê. Ocê já pensô si ele vié entre dezembro a março? Du jeitu caqui chovi, pastô, o coitadinhu vai moiá de dá dó!". Se você amigo leitor, nasceu em uma cidade grande e não tem raízes interioranas, assista aos filmes de Mazzaropi e conhecerá mais de perto a alma sertaneja do Brasil. Também adquira obras de Guimarães Rosa, que trazem relatos e vivências importantíssimas sobre este assunto. Um abraço e um bom final de semana! Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 06:44 0 comentários Links para esta postagem terça-feira, 7 de setembro de 2010UM NUEVO OLHAR SOBRE O MITO DO ÊXODO Segundo a Bíblia, Moisés é filho de AMRAM e JOCHEBERT, da casa judaica de Levi, da linhagem de Jacob e Abraão. O Egito temendo o número crescente de judeus, mandou matar todas as criancinhas. Seus pais o esconderam por três meses em casa e depois colocaram-no em um cestinho no rio, onde a filha do Faraó Seth I banhava-se. Moisés foi criado como príncipe, sendo muito amado por Seth I, que desejava fazê-lo faraó, o que trazia a inveja de Ramsés II, seu filho. Posteriormente vou escrever uma maravilhosa narrativa a respeito de tudo isto. Porém, agora, o que me interessa é desvendar este mito, de forma espiritual. Vamos lá. Moisés somos nós mesmos. Temos nossos pais verdadeiros, essência do Ein Sof divino, mas desde cedo somos jogados no rio da vida, onde banha uma princesa que é nosso ego, parte de nossa personalidade. Nosso ego nos assume, mas em certo momento, tomamos consciência de nossa verdadeira essência e para escaparmos do egoismo total, somos obrigados a renunciar a tudo que a vida nos oferece, em outras palavras, precisamos de lutar contra o Faraó. O Egito representa a terra de nossa escravidão, ou o mundo ao qual estamos presos. Mas sairmos sozinho não adianta. Ir para Midian (outro lugar), se casar com Zípora (ter outras idéias) a filha de Jetro (o mundo do conhecimento), somente não basta. É necessário voltar e buscar os outros que estão escravos, isto é, estão presos também às obediências egoísticas. A saida para o deserto representa a coragem de começar tudo de novo, herança muito viva até hoje dos filhos de Israel. O manah, alimento que IAVÉ mandava todos os dias, significa o sustento espiritual que o Eterno derrama sobre aqueles que decidem mudar de vida. Moisés tinha dois irmãos: Myriam, que tem tudo a ver com a terra e Aaraom, espécie de sacerdote, ou forma de ligar-se da terra ao céu. Aos pés do monte Sinai (Monte Horeb), os judeus ficaram quarenta dias esperando Moisés descer com o TORÁH, o ensinamento sagrado. Quando Moisés desceu, grande parte dos judeus adoravam a um bezerro de ouro (Boi Ápis). Iavé decretou que nenhum daquela geração chegaria a Canaã, a terra prometida. Isto indica que devemos ter paciência, para que possamos receber todo o ensinamento e que também se ficarmos presos ao passado, não chegaremos a um estado superior de espírito. Moisés vagou com seu povo, quarenta anos pelo deserto. Por aí se vê, que o trabalho em busca da iluminação espiritual não é rápido e nem fácil. Vamos pensar um pouco nisto? A palavra ÊXODO, ex - sair para - odus - fora, caminho, significa sair para fora, largar o lugar onde está. Ora, você quer curar a sua depressão? Então me escute. Saia para fora de onde está. Abra-se ao mundo, ao universo, a novas idéias. Faça boas alianças, reata seus laços familiares e sagrados. Faça como fez Moshe! Olhe o que Moisés fez: fez uma aliança com o ALTÍSSIMO, O EU SOU, IAVÉ! Mas também fez alianças com personas boas, como seu irmão AARAON e sua irmã MYRIAM. Não cortou seus vínculos ou laços. Antes de sair do Egito (da escravidão) reconheceu seus pais e abraçou seus irmãos, não passando por cima de seu povo. Pois bem, uma pessoa com depressão, se ajoelhar-se e pedir a benção do ETERNO, se reconhecer seus vínculos, saber-se inserido em uma família, em uma irmandade, se também atar laços com boas pessoas, que pensem positivamente, que construam novas oportunidades e abrindo-se a renovadas idéias e pensamentos transcendentes, com certeza a depressão não encontrará lugar para fundamentar suas raizes. Esta também é uma outra visão do mito do êxodo. Moisés manda construir uma ARCA DA ALIANÇA e dentro dela coloca as duas tábuas da lei, a vara de AARAOM e um vaso de maná. O que isto serve para a minha compreensão? Ora, a ARCA DA ALIANÇA é o seu próprio coração. É nele que você tem que guardar a revelação divina, a presença do sacerdote e o instante primeiro em que recebeu todas estas dádivas. Vamos pensar um pouco nisto? Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 07:28 0 comentários Links para esta postagem segunda-feira, 6 de setembro de 2010LEIA O BLOG www.maconariaartigos.blogspot.com / LINDOS ARTIGOS MAÇÔNICOS Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 10:22 0 comentários Links para esta postagem domingo, 5 de setembro de 2010FERREIRA GOULART: UM GÊNIO NECESSITANDO DE UMA RESPOSTA Com todo o respeito pela vida e pela obra do grande poeta Ferreira Goulart, escrevo este artigo com o objetivo de responder-lhe uma inquietude, onde na entrevista de hoje, na CONEXÃO ROBERTO DÁVILA, ele a deixou bem claro, quando afirma que DEUS foi uma invenção humana. Declarou na entrevista, não ser contra às religiões e que elas exercem um papel relevante dentro da sociedade. Mas em seu olhar tão doce, percebi um pouco de amargura, pela insegurança ante à reposta da falta de sentido ao mundo e à vida. Ferreira Goulart é acima de tudo um gênio. Em nosso país, onde vemos cada vez mais o vazio da criatividade em quaisquer áreas, no seio de nossa sociedade, nos encurvamos diante deste valor sobrehumano, na arte do pensamento da poesia e da filosofia. Nós podemos fazer cafezais, plantando pés de café. Estar na lista dos maiores produtores mundiais de petróelo, explorando nossas costas marítimas. Ser um dos primeiros no mundo, na elaboração da pedra mármore. Porém, seres humanos, não se elaboram assim. Portanto, é com imenso orgulho e respeito que escrevo, assim como respondo ao nosso poeta maior Ferreira Goulart. A pintura não é somente misturar cores. A pintura tem que te levar para a emoção. Ela precisa de convidá-lo a entrar com o espanto para dentro da tela. A música necessita de mexer com o seu estado emocional. Ela tem urgência que interfira no seu estado anímico, para um mundo lúdico e fenomênico. Toda arte funciona desta forma. A resposta ao insondavel, nunca será satisfeita, porém, é mister que a procuremos por trás das telas dos pintores geniais, entre cada palavra da poesia perpétua, assim como no reino invertido da arte. Pois, você poeta, entenderá nas linhas mais abaixo, que faz parte deste jogo. Engraçado, quando Ferreira Goulart depõe sua idéia sobre capitalismo e socialismo. Ele sabe perfeitamente que o capitalismo chegou a um nivel desastroso de desrespeito humano a partir da revolução industrial. Também sabe que o socialismo foi uma resposta para reorganizar este movimento. O capitalismo é a própria natureza. Ela é selvagem, porém inventiva, criativa, multirelacional, amoral e caótica, porém produtiva incessantemente. O socialismo já é uma invenção humana, ou melhor, uma intervenção da consciência para corrigir a selvageria do capitalismo. Agora imaginem um país dominado por uma dúzia de socialistas, enquanto outro país é controlado por milhões de capitalistas. Portanto, depois que criaram as leis trabalhistas e as leis reguladoras do capital, o capitalismo ficou mais social. Pois bem, o capitalismo, se deixar, ele chega ao extremo, pois é a própria natureza. Ele precisa é deste termostato de leis sociais para controlá-lo. Agora sim, é que vou responder, repito, com toda a reverência, à dúvida de Ferreira Goulart, quanto à existência de DEUS. Quando o poeta diz que a vida não tem sentido, ou DEUS foi inventado pelo homem para dar significado a ela e que ELE foi criado para surpreender o acaso (por exemplo, confiando em DEUS eu me esquivo de balas perdidas), o grande literata necessita de uma ajudazinha aí. Na mesma entrevista, ele fala que não compreende o universo. Vivemos como um insignificante microgrão, dentro de uma galáxia com outros trilhões de planetas, astros, estrelas, etc.... além do mais existem bilhões de galáxias assim, com quatrilhões de corpos celestes... não dá para entender, a ciência não explica nada até agora. Também relata que o BIG BANG é uma teoria vazia. O poeta captou a mesma idéia que tenho, ou talvez nós poetas somos filhos da mesma luz. Pois é, meu amado poeta Ferreira Goulart. Pense ao contrário. Tudo é divino e maravilhoso, já dizia Milton Nascimento, antes de nós. Você é divino e maravilhoso. Esta inspiração que o faz escrever poemas fantásticos vem da luz divina, para que nós humanos possamos ver, o que os nossos olhos objetivos não alcançam. O universo é infinito porque é divino. O universo não é humano. O humano também tem uma fagulha da divindade em si. Não é através de nossa imensa mente racional que vamos compreender tudo isto. É somente pelas frestas desta atômica chispa divina que há em nosso ser, que poderemos entender todo o manancial cósmico, por uma integração com ele. Antes do Big Bang? Com perguntas como antes, depois, qual foi a primeira coisa criada, não chegaremos a lugar algum. Este é um procedimento racional. O proceder da resposta vem da permanência da dúvida e do campo intuicional. O Big Bang está acontecendo em milhares de lugares do universo, agora, em maior ou menor proporção, inclusive no nosso próprio corpo, com átomos, células, sistemas, etc. Mas meu caro poeta, não se preocupe demais. Você tem a alma pura e o coração de um menino. Você está equipado para entrar no reino dos céus. Ele começa a entrevista dizendo sobre a solidão. Não é possivel estar sozinho não é meu poeta? Se você escreve, tem o papel que foi feito por alguém, tem a caneta, ou o computador, o teclado, a tecnologia. Está tudo isto junto comigo. Estou aqui escrevendo este blog, por exemplo. Estou só? Talvez a vizinha debaixo diga que sim. Mas quem fez todo este aparato tecnológico? Quem colocou os janelões do meu escritório? Quem deixou este apecto de limpeza nele? Quem podou as árvores do meu jardim? Se continuo a perguntar, deixo de ser um solitário e passo a ser um solidário. O poeta também se refere à questão de insistirmos em ter razão. Ora, de que adianta você ficar com toda a razão deste mundo e ficar sozinho? Você tem razão, repito, mas está completamente só. Não é preferivel ter menos razão e estar junto com todos? Pois é justamente isto que os homens tem que aprender para acabar com as brigas, as polêmicas intermináveis, as inimizades, as separações, inclusive as guerras. O judeu tem razão, o palestino também tem suas razões. Se ambos procurassem ter menos razão viveriam melhor, com menos prejuízos de vidas, de alegria, de sentido de viver. O poeta fala também sobre a arte. Pois é, o que me faz aceitar que uma obra é artística realmente? Ora, quando ouço Beethoven eu sei que é bom. Quando vejo Cézane, também sei que é pintura de qualidade, etc. Quando leio Drumond ou Ferreira Goulart, sinto que são poetas de excelente qualidade. A poesia organiza verbalmente a lógica e a ultrapassa como norma de linguagem. Assim também toda a arte se comporta. Se digo, "vou comprar pão, isto não é poesia". Ferreira Goulart, você está com sua eterna poesia, mais perto do céu, que muitos outros carregadores de livros sagrados debaixo do braço, ou que vivem a bradar o nome de DEUS a todo momento, mentindo, explorando o próximo, enganando em nome de DEUS à Humanidade. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 18:07 0 comentários Links para esta postagem HISTÓRIA DA MAÇONARIA NO www.joseluizteixeiradoamaral.blogspot.com HISTÓRIA DA MAÇONARIA no www.joseluizteixeiradoamaral.blogspot.com. Não deixe de ler, pois também é um excelente documento de história. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 12:41 0 comentários Links para esta postagem Postagens mais recentes Postagens mais antigas Início Assinar: Postagens (Atom) Pesquisar este blog tecnologia Minha lista de blogs http://cafepoema.blogspot.com/ EU, ELA E A JANELA 4 dias atrás http://minipalavra.blogspot.com/ DOAÇÃO FANTASMAGÓRICA - Miniconto 208 6 dias atrás http://joseluizteixeiradoamaral.blogspot.com/ FANTÁSTICO! 1 semana atrás http://adameveelsalem.blogspot.com/ PERDÃO: CURA DE TODOS OS MALES 2 semanas atrás http://shalomelshadai.blogspot.com/ JOSUÉ, O SOL, TORÁH E A CABALÁH 2 semanas atrás http://bombeirosdoriodejaneiro.blogspot.com/ BOMBEIROS SOTERRADOS 2 meses atrás http://sosbrasileiro.blogspot.com/ GOOGLEM EM BLOGGER 3 meses atrás http://projetolorena.blogspot.com/ BELO TEXTO DO PROFESSOR LOACYR CLÁUDIO (PROF.CICA) PARA O DIA DAS MÃES 4 meses atrás http://rabinoyoussef.blogspot.com/ DIRETORA COMETE ASSÉDIO MORAL, MAS É UMA QUESTÃO PSICO-ESPIRITUAL 4 meses atrás Descrição do Autor Ex-servente: um herói da resistência brasileira. Escreve: poesia, contos do absurdo, regime militar. Relato meus contatos com os grandes mestres literários: Geir Nuffer Campos, Luiz Fernando Valporto Tatagiba, Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Nejar. Quem sou eu José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem Escritor, poeta, inspirado pelas luzes dos antigos sábios e ensinamentos sagrados, herdados da Península Ibérica, através dos filhos de Abraão. Visualizar meu perfil completo Seguidores Arquivo do blog ► 2011 (141) ► Setembro 2011 (2) O VAI E VEM DO RECADO AMOROSO A REVOLUÇÃO DOS MARIDOS ► Agosto 2011 (9) EXPERT EM FUGAS DE PENITENCIÁRIAS SUPERCUIDADOSO O OUTRO MESMO ORIGEM SAUDADE BRUMA A ANFITRIÃO CUIDADOSO PIANO FRANCÊS NO LIXÃO AMIGOS PARA SEMPRE 1000! ► Julho 2011 (11) A chave que abria todas as portas! Por favor, tire... HISTÓRIA VIVA NINFA RESSURGE NA AVENIDA, vejam este lindo poema ... Contos maravilhosos: "Anjo Gabriel anuncia criança... 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