domingo, 22 de abril de 2012

BESTA SELA

sábado, 10 de setembro de 2011O VAI E VEM DO RECADO AMOROSO Anita mergulhada em sua solidão, apanhou um papel, escreveu seu recado, colocou-o dentro de uma garrafa. No outro dia, levantou-se cedo, foi até à beira da praia e jogou-a ao mar. Todos os dias, as ondas iam e vinham até a areia, enquanto vinha e ia Anita, num vai e vém de vontade e natureza que não parecia ter mais fim. Um dia, ela levantou-se cedo, para ver o sol nascer no espelho das águas e encontrar uma resposta para o seu recado amoroso. Foi quando viu sua garrafa na boca de um robalo morto. Não era esta sua intenção. Nunca pensou em tirar a vida de um peixe, por causa de um simples poema de amor. Retirou a garrafa e jogou-a de novo no mar. Dias depois, recebeu um embrulho sedex do correio. Abriu-o. Era a garrafa. Junto estava escrito: Sou pescador. Esta garrafa veio na rede e como estava escrito "quero que volte para mim, mesmo que seja assim, depois do fim" e como tinha seu endereço, resolvi enviá-la para você. Afinal de contas, sou supersticioso e acredito que devo ser honesto com minhas intenções, principalmente quando há um desejo envolvido num objeto, desta forma. Anita pensou: "Agora jogo só o papel, sem a garrafa e seja o que Deus quiser, já que a garrafa está me trazendo danos" Amassou o papel na mão e foi para a praia. Jogou-o no meio das ondas. Havia um homem sentado a uma certa distância, que saiu correndo, nadou, apanhou o papel, chegou até Anita e disse: "Não é assim que se faz! O papel tem que ser jogado dentro de uma garrafa, senão traz azar para você! Venha cá até o quiosque e vou arrumar uma garrafa para você" Segurou a mão de Anita, que meio tonta, acabou cedendo à insistência do homem. Quando chegaram ao quiosque, Anita estava cansada e sentou-se numa cadeira, diante de uma mesinha de aço. O homem percebendo que ela estava exaurida, trouxe uma garrafa de cerveja e dois copos: "Vamos tomar um pouquinho. Cerveja demais faz mal, mas um copinho de leve, não mata a ninguém!" Conversa vai, conversa vem. A maravilha do sol, as nuvens brancas no céu azul, o mar inundando de beleza toda a enseada, a areia branca faiscando astros.... A garrafa esvaziou. Anita apanhou o bolinho de papel e jogou-o numa latinha de lixo. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 12:25 0 comentários Links para esta postagem sábado, 3 de setembro de 2011A REVOLUÇÃO DOS MARIDOS Sandra chegou em casa toda feliz. Correu direto para um cantinho da cozinha, formando uma única estatueta entre o bujão, a pia e o fogão, com um celularzinho colado na orelha: "Pois é Marthinha, ele escreveu um poema sobre as minhas unhas decoradas!" "É mesmo? Fez um pra você também? Sobre o quê? Sobre suas sandálias? A Célia também tá na jogada? Ah! é mesmo? As sobrancelhas dela! Ele se inspirou e lançou no seu último livro? Não brinca?" Eduardo assiste futebol pela tevê, mas está de ouvido em pé. Aliás sua audição já se sente uma dançarina no gelo! Está mais para escorregar e cair, do que ficar em pé. Quem seria este cara que está incendiando sua mulher e as mulheres de seus amigos? Quem poderia ser este novo galã que conseguiu pegar em bloco um grupo de mulheres? Só esperou Sandra sair no outro dia cedinho e correu pros contatos mais rápidos e desconfiados possíveis: "É o Juca? Meu amigo, nós temos que abrir os olhos! Tem um cara lá no escritório de nossas mulheres que tá um furacão! Fez poemas para as unhas da Sandra e as sandálias de sua mulher!" "O quê? Poema para Marthinha?" "Fez sim! e tem mais. Fez um para as sobrancelhas da Célia!" "Ah! deixa comigo. Vou ligar para o Clóvis" "Então liga mesmo, porque o sujeito é o bicho!" "Alô Clóvis? Aqui é o Juca da Marthinha. Nem sei se sou dela mesmo. Aliás, nem sei se a Sandra é do Eduardo e se a Célia continua sua! Tem um boca de melado lá na firma, ele fez um belo poema para as sobrancelhas de Célia. Dizem que de agora em diante, durante todo o terceiro milênio, ela só vai usar aquele tipo de sobrancelhas!" "Mas quem te falou isto?" "Quem? Foi o Juca. A mulher dele só fica com um papel na mão, lendo e olhando para as unhas. A Marthinha caiu no meio da sala, enrolada no tapete, enquanto lia o poema olhando pras sandálias! Você sabe que ela já não bate bem da cuca!" "Nós temos que inspecionar este cara!" "Bicho é a coisa mais fácil do mundo. Já sei. Ele fica no final de semana quase todo lá na praia. Sabe aquele quiosque do Sardento? Pois é. A última mesinha debaixo do coqueiro. Bem de frente pro mar! Eu já estava desconfiado com ele!" "Vamos marcar nós três e fingir, dar uma de bobo e orelhar o cara?" Os três marcaram para sábado de manhã. Disfarçados em turistas. Chegaram perto da mesa: "Olá cara! Como é a maré aqui? Nós somos de BH e estamos de passagem. Queremos saber como é a maré aqui?" "A maré é aquele vai e vem das ondas rendeiras, que desenham bordados quando se jogam na areia!" "Pois é cara, queremos saber como é o mar? É bravo? É fundo? É frio?" "O mar? O mar é outro suporte do céu. É verde aqui e azul no distante, onde abraça o horizonte e se funde com o céu!" "E aquele trampolim lá? É perigoso?" "Aquele trampolim? É como a própria vida. Como mais alto as pessoas tentam se lançar, mais funda é a queda!" "E o mulheril?" "Mulheril? Poetas não conhecem mulheril! Poetas conhecem milharal! Poetas conhecem pessoas que são seres humanos dígnos do maior respeito. Poetas não as aglutinam desta forma. Cada mulher tem sua beleza, que se translada para o cabelo, para as unhas, para a roupa, para a casa em geral. Mas a verdadeira beleza da mulher é intocável. Não há homem que a saberá jamais. Apenas os poetas percebem a sua periferia. A mulher do poeta é a poesia!" Eduardo se apressa: "Tá bom cara! Nós temos que ir, se voltarmos, depois a gente pode se sentar, tomar uma aguinha juntos e conversar mais. Precisamos de conhecer o resto da praia!" Os três saem estonteados. Juca desabafa: "Caras, aquele sujeito não é nada do que pensávamos. Nem bonito ele é. É apenas um poeta!" "Apenas?" Retruca Clóvis. "Apenas? Ele é tudo aquilo que nós não somos e que as mulheres adoram! As mulheres gostam de ser elogiadas. Em outras palavras. Elas gostam dos homens sensíveis. Mas isto não significa que não amem a seus maridos!" Agora Sandra não só se alegra com suas unhas, mas também com seus vestidos que Eduardo observa constantemente. Célia conserva suas sobrancelhas e seu batom. Só usa um tipo. Não tem problema. É aquele que o Clóvis elogia todos os dias! Marthinha é quem tem de se cuidar. Ela é estabanada demais. Enrolou suas sandálias no tapete, lendo aquele poema entre as mãos e quase quebrou o aparelho de tevê? Imaginem vocês o que não poderá acontecer, com Marthinha, após esta revolução dos maridos, com os poemas que o Juca faz para ela sobre suas calcinhas? Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 04:29 0 comentários Links para esta postagem domingo, 28 de agosto de 2011EXPERT EM FUGAS DE PENITENCIÁRIAS Adolfo teve tudo na vida para a senda do sucesso. Desde criança, com meio quilo de barro fazia pequenas estátuas dos colegas. Na escola, compensava os três e os dois, com suas estatuetas da Diretora, dos Professores, Coordenadores, Funcionários em geral, equilibrando para uma média que o adiantava ano após ano. Mas seu caminho mesmo era o vigarismo. Um ismo a mais no mundo. Mas um ismo cujo destino não é outro do que a prisão, quando não, outra coisa pior. Agora, adulto, atrás das grades pela enésima vez, bola mais uma fuga. Teria que fugir na ponta dos pés. A penitenciária era de segurança máxima até um certo ponto. Aquele pontozinho de intuição que Adolfo trazia dentro de sua mente. Observou a cela em 3D, holisticamente palmo a palmo. Qualquer um afirmava por b mais a igual a bá, que seriam cinco anos contadinhos como os dedos de sua mão direita de larápio. Adolfo fingiu-se enforcado na grade, com retalhos da colcha, bem protegido por uma coleira feita de madeira da pequena mesa, único objeto a mais, além da cama. Quando o carcereiro se aproximou, Adolfo apontou-lhe a arma e pediu-lhe o controle remoto da grade e da prisão. Prendeu o quarda em sua cela. Algemou-o e cobriu-lhe a boca com a fronha do travesseiro, bem amarradinha na nuca. Vestiu sua roupa e partiu silenciosamente, por mais uma vez. Só restou ao guarda deitar-se em sua cama e esperar que o presídio percebesse o acontecimento. Mal deitou-se, a cama caiu. A cama só tinha três pés. O quarto pé era a arma que Adolfo, após engenhoso trabalho artístico, apontara-lhe minutos atrás. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 06:12 0 comentários Links para esta postagem domingo, 21 de agosto de 2011SUPERCUIDADOSO As portas estavam bem trancadas. Impossiveis de serem violadas. Controle total. Portões de aço sem condições de serem abertos por fora. Algumas mesas repletas de copos dormitando restos de bebidas. Dois rapazes conversando normalmente. Um deles mastigava um palito. Uma mulher com vestido decotado, blusa vermelha, sutiã branco, tonta de cansaço, deitou-se no ombro de seu par, que orgulhosamente conversava com um senhor de chapéu preto à sua frente. De óculos escuros também, ora veja! Uma senhorita sozinha, com batom lilás e aparecendo quase tudo, abraçava-se ao costado de sua cadeira, deixando alguns homens à sua frente, quase loucos entre a bebida e a volúpia. Certos casais dançavam na pista em frente, ao centro. Rostos colados. Tentando acompanhar o som orquestral que inundava o ambiente. O anfitrião, este sim, o foco principal da festa, bem localizado à direita do palco em uma grande mesa lotada de bebidas diversas, também de chapéu preto e terno preto. Ah! sim, quase ia me esquecendo. De óculos escuros também. Apresentava meia idade e meia tranquilidade. Meia, porque recebera um telefonema anônimo na semana passada que o deixara muito preocupado. "O senhor será assassinado na grande festa da semana que vem. Abra seu olho e coloque o melhor detetive no salão!" Mas ele não era nada bobo. Suas festas eram portas de saída para dois desafios difíceis: lavagem de dinheiro sujo pela máfia e o segundo? Construir uma grande possibilidade de conquistar uma vaga na câmara dos deputados. Beco para todas as saídas colaterais, devido suas facilidades para apagar quaisquer manchas que o maculassem. "Nesta noite vão te matar. Te cuida! Arruma o melhor detetive para vigiar o salão!" Pois ele não era besta. Cuidadosamente selecionou os convidados. Levantou fichas até de suas mulheres. Precaução é a maior intuição de uma fera! Contratou o melhor detetive da região, para disfarçadamente entranhar-se no meio da festa, com lupa cirúrgica na atenção global. Ninguém iria suspeitar que aquele homem super educado, era um espião de primeira linha. O investigador passava entre os casais, sorria, cumprimentava e até mesmo dava uma beliscadinha em algumas bebidas e salgadinhos. Olhava sinistramente cada movimento. Ele estava bem equipado. Super armado para qualquer eventualidade. Inclusive carregava no bolso da calça o controle dos portões de entrada e saída. Estava preparado. As horas corriam. O velho capo já bebia tranquilo, por volta das duas da madrugada. Pensava quietamente. Aquele telefonema não poderia ser um trote....um trote.... um trotear passo a passo...sereno...cadenciado...quando o detetive se aproximou e efetuou-lhe sete disparos mortais. O corpo caiu pisoteado no meio da confusão e do corre corre. Enquanto isto pelas ruas dos fundos, um homem saía calmamente com seu chapéu preto, no levantar suave de seus calcanhares. O inverso do calcanhar de Aquiles. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 05:50 0 comentários Links para esta postagem O OUTRO MESMO O carro da polícia rodopiando suas luzes vermelhas chamou a atenção da rua inteira. De metralhadoras nas mãos os caras sairam e com chute brutal arrebentaram a porta da frente da casa nº7. "Passaram-se dez anos. Você está preso Renato!" "Sem problemas eu vou no lugar dele!" "Não queira nos enganar Renato. O tempo se foi, mas sua fisionomia é a mesma! Mudou muito pouco!" "Sim, eu sou Renato, mas vou no lugar do outro mesmo! Eu sou o verdadeiro Renato. Renascido, refeito, reformulado. Mesmo não existindo o outro, eu vou no lugar dele! Para mim não faz diferença. Não custa nada para quem já fez tudo por ele!" Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 05:25 0 comentários Links para esta postagem sábado, 20 de agosto de 2011ORIGEM No início, sim, era o verbo. Mesmo repartido em setenta e duas partes, ele necessitou se expandir para um espaço do livre arbítrio. Setenta e duas variações de seu mantra sagrado. Este novo vaso, Kli, encheu-se do verbo. O verbo estabeleceu o sujeito. O verbo era só amor e vontade de doar. O sujeito era só desejo. Enchendo seus cântaros de desejos, tornou-se objeto. Como objeto se sistematizou e se cristalizou em dogmas. Estes dogmas se transformaram em objetos indiretos. Representavam o inverso da intenção verbal. Transmutaram-se em complementos vazios, entremeados pelo caos. No coração do caos há um átomo do verbo primitivo. No início era o verbo. O verbo era sábio e divino. Embora tenha criado o livre arbítrio, ele tinha plena consciência de que carimbara sua obra. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 04:29 0 comentários Links para esta postagem SAUDADE O violão permanecia sozinho ali no canto do quarto. Luana? Ela se foi. Tomara que seja verídica, mas mística a frase de Lavoisier: "na natureza nada se perde, nada se cria e tudo se transforma". Que ela tenha se transformado num anjo e habite lá nas últimas esferas das camadas mais refinadas da árvore da vida. Tomara, repito, porque Luana não era uma adolescente qualquer. Então, uma parte dela, aquela do amor profundo por todos os seres humanos e pelo universo, deveria regressar para sua fonte natural. Ela colocava seu tênis batido e com os cabelos soltos distribuia seu sorriso para preencher o mundo de alegria e paz. Quando tocava o violão sua alma esparzia a felicidade e a bondade. Agora aquele violão tangia sua solidão. Quando uma brisa corria pelo quarto, ela passava por suas cordas de onde emanavam mantras que percorriam o planeta. Eram sons imperceptíveis aos ouvidos humanos, mas atravessavam a consciência dos homens. Quando o sol banhava seu dorso, seu som se associava às músicas galácticas das esferas. Decidiram que ninguém o tiraria daquele canto. Ali, Luana se sentava para cantar suas canções. Pois ali, ambos ergueram o seu shekinah. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 04:19 0 comentários Links para esta postagem BRUMA Não se podia negar que o clima havia mudado. Observava-se os pinheirais distantes, úmidos com alguns reflexos do sol dourando seus últimos contornos. Uma casinha branca lá no fundo do vale, guardava em silêncio a mudez de um monge. Na estrada não havia mais ninguém. Terminava em uma curva continuando até o fim do mundo. As margens da mesma representavam a ausência e a solidão. Mirelle estava encapotada. Seu rosto gélido. Seu corpo frio. Diante de toda aquela monotonia não apresentava nenhum movimento que fosse além do similar. Permanecia assim como uma múmia observando a antiguidade do tempo. Foi esta sua última resposta à brusca frenagem diante da cerração baixa. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 04:09 0 comentários Links para esta postagem A ANFITRIÃO CUIDADOSO Adam folheava um antigo pergaminho, em sua imensa sala templária no seu castelo solitário. Nas paredes os escudos e as espadas refletiam cores opacas sob as luzes dos candelabros pendurados nas colunas. Aguardava a antiga serviçal colocar a mesa de jantar. Todos os cavaleiros foram convidados. Esta a razão da mesa ser longa, repleta de velas, com pratos e talheres bem colocados. Adam exigiu de seus emissários velozes que cada cavaleiro só deveria vir acompanhado de outro cavaleiro. Como eram em número de sete, colocou cuidadosamente quatorze assentos suntuosos, mais o seu à cabeceira. Um a um foram chegando, com suas armaduras e insígnias. Sentaram-se. Serviram-se. Adam os observava. Eram filhos da mesma escola templária. Elevavam seus brindes às missões realizadas. Percebeu que um cavaleiro levantava sua taça, enquanto o que estava à direita permanecia calado. Um cavaleiro parecidíssimo com o outro. Nunca soube de que na escola em qualquer lugar havia entrado irmãos gêmeos. Pablo e seu convidado à direita continuavam a jantar e a brindar. Ele era o único que havia realizado a verdadeira missão. O cavaleiro ao seu lado era sua alma gêmea e se chamava Amour. Todos nós temos uma alma gêmea. Ela está dentro de nós mesmos. É a chama que o Eterno lançou em nós no dia do nosso nascimento. De cada nascimento. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 04:01 0 comentários Links para esta postagem sábado, 13 de agosto de 2011PIANO FRANCÊS NO LIXÃO Do meu livro "Lembranças do outono" Um piano francês no lixão? Com certeza, você meu amigo ou minha amiga leitora tomaram um susto. Uma surpresa, talvez. Questão da crise mundial? Ou quem sabe o euro foi pras cucuias. Nada é impossivel para esta união europeia, diria a professora de história. Na Europa ninguém gosta de ninguém. Todos eles já se guerrearam entre si durante séculos. Duas guerras mundiais de fazer inveja a trogloditas da Idade da Pedra! Uniram-se como último meio para enfrentar os blocos econômicos mundiais! Rosnam-se uns aos outros quando se juntam! Vamos parar de delirar minha gente? Não é nada disto não. Simplesmente um piano no lixo! Basta levar em conta a morte do último membro daquela família burguesa: a mãe! Bem lembrado: penúltimo membro! O último? Um motoqueiro e roqueiro viciado em crack. Neto saído de viés sob uma constelação de estrelas. Não encontrando ninguém para comprá-lo às pressas, deixou-o na calçada perto da lixeira. Usou sua última dose: overdose. Os coletores de lixo colocaram-no no caminhão. A pressa do pós meia noite não os levou à penumbra da avaliação. Foi para o destino final. Rodeado de pneus velhos, sacolas vazias de leite, mangas de camisa, latinhas de cerveja e o resto todo que vocês já sabem. O sol bate sobre ele de fazer dó. O ré, mi, fá, lá um pouco fora de si, ecoam sob os saltos itermitentes dos urubús. Um som não clássico, porém fúnebre atravessa o lixão. A morte em silêncio dança sua valsa desconcertante. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 03:33 0 comentários Links para esta postagem sábado, 6 de agosto de 2011AMIGOS PARA SEMPRE 1000! Do meu livro "Lembranças do Outono" Dois amigos para sempre! Nem Carlos's, nem zinho nem ooró, mas para a eternidade. Inseparaveis. Como nunca antes existiram. Paulo e Silas, solados e saltos canônicos. Paulo entra na relojoaria. O melhor rolex no pulso. Brilhando todos os reflexos de seus dezoito quilates. Silas apressado esbarra e empurra Paulo. Aparece como um raio. Paulo xinga, inclusive o vice-versa da mãe. Paulo saca um revóvler. A rapaziada abaixa e pula no chão. Outros para o banheiro e se trancam chorando shampoo e sabão. Enquanto a tremedeira lá dentro reequilibra a liquidação total, os dois amigos, numa kitinete embutida nos fundos de um quintal, combinam o preço de venda do relógio, assim como a próxima emboscada. Se os bandidos tem seus planos secretos, o comércio também tem suas sociedades, embora não secretas, mas associações que levantam assuntos diversos. Desde o decote das clientes, até o boicote dos mal pagadores. Em surdina também planejam as jogadas do mercado. Paulo agora está na mira. Dentro do alvo desejado: a melhor sapataria da cidade. Sapato cromo alemão. Já encomendado. A atendente vem correndo com um 42, segundo sua lábia de vendedora, puríssimo couro de búfalo do oeste americano. Ainda pinta um quadro com palavras reluzentes. Búfalo Bill num cavalo árabe. Rifle cuspindo chumbo. Paulo mergulha seus pés na escuridão, ao mesmo tempo em que Silas entra correndo e começa outra loucura do disse que não disse. Revólver em punho. Atendentes e clientes deitados nos corredores. Fingem uma perseguição e desaparecem. O pequeno espaço da kitinete, torna-se menor ainda para o desespero de Paulo e a surpresa de Silas. Abaixa a cortina do drama para entrar claridade. -Como tirar os pés de um pseudo par de sapatos cromo alemão, fabricado na cochichina à mão de obra queima de arquivo, enlameado até às bordas de super bonder? Quatro linguas pra fora! Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 06:58 0 comentários Links para esta postagem Postagens mais antigas Início Assinar: Postagens (Atom) Pesquisar este blog tecnologia Minha lista de blogs http://cafepoema.blogspot.com/ EU, ELA E A JANELA 4 dias atrás http://minipalavra.blogspot.com/ DOAÇÃO FANTASMAGÓRICA - Miniconto 208 6 dias atrás http://joseluizteixeiradoamaral.blogspot.com/ FANTÁSTICO! 1 semana atrás http://adameveelsalem.blogspot.com/ PERDÃO: CURA DE TODOS OS MALES 2 semanas atrás http://shalomelshadai.blogspot.com/ JOSUÉ, O SOL, TORÁH E A CABALÁH 2 semanas atrás http://bombeirosdoriodejaneiro.blogspot.com/ BOMBEIROS SOTERRADOS 2 meses atrás http://sosbrasileiro.blogspot.com/ GOOGLEM EM BLOGGER 3 meses atrás http://projetolorena.blogspot.com/ BELO TEXTO DO PROFESSOR LOACYR CLÁUDIO (PROF.CICA) PARA O DIA DAS MÃES 4 meses atrás http://rabinoyoussef.blogspot.com/ DIRETORA COMETE ASSÉDIO MORAL, MAS É UMA QUESTÃO PSICO-ESPIRITUAL 4 meses atrás Descrição do Autor Ex-servente: um herói da resistência brasileira. Escreve: poesia, contos do absurdo, regime militar. Relato meus contatos com os grandes mestres literários: Geir Nuffer Campos, Luiz Fernando Valporto Tatagiba, Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Nejar. Quem sou eu José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem Escritor, poeta, inspirado pelas luzes dos antigos sábios e ensinamentos sagrados, herdados da Península Ibérica, através dos filhos de Abraão. Visualizar meu perfil completo Seguidores Arquivo do blog ▼ 2011 (141) ▼ Setembro 2011 (2) O VAI E VEM DO RECADO AMOROSO A REVOLUÇÃO DOS MARIDOS ► Agosto 2011 (9) EXPERT EM FUGAS DE PENITENCIÁRIAS SUPERCUIDADOSO O OUTRO MESMO ORIGEM SAUDADE BRUMA A ANFITRIÃO CUIDADOSO PIANO FRANCÊS NO LIXÃO AMIGOS PARA SEMPRE 1000! ► Julho 2011 (11) A chave que abria todas as portas! Por favor, tire... HISTÓRIA VIVA NINFA RESSURGE NA AVENIDA, vejam este lindo poema ... Contos maravilhosos: "Anjo Gabriel anuncia criança... 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