sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

REGINALDO ROSSI NUMA CANÇÃO TRÊS EM UM

Ele aparecia lá pelo sábado à tarde em ponto. Na hora mais alta do sol se pondo. Violão debaixo do braço e me dá logo uma gelada aí seu moço, sem antes de um cumprimento mais social.
Em seguida começava a cantar: "Garçom, aqui nesta mesa de um bar..." Todos já conhecem esta canção. O cara descobre que sua ex-noiva vai se casar com outro. Enlouquece, bebe e canta. Mas de tantas tardes repetidas e preso na mesma canção, colocaram-lhe um apelido singular: Reginaldo Rossi!
Chegou um momento que o garçom não aguentou mais e pediu as contas. Sumiu, porque às vezes sumir é encontrar uma saída, nem que seja no fim do beco onde morava.
O bebum começou a ajudar o dono do bar e na situação que estava, desempregado, amargurado, ficou no lugar do garçom. Mal ou bem dava o recado. Muito mal, continuava cantando como um desvairado.
O patrão também tinha seus problemas emocionais. Uma noiva que anos atrás jogara-lhe na cara um longo vestido branco, uma dúzia de presentes, umas flores murchas e uma aliança, também partira para a terra do não volto nunca.
Uma bela noite, enrolou o bebum numa toalha branca e realizou com ele todo o seu sonho perdido. Desta forma Reginaldo também se plenificou sendo um ébrio, um garçom e uma noiva.
Todos viveram felizes para sempre como num conto e num canto de um bar.

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