domingo, 25 de dezembro de 2011

PAPAI NOEL? VERDE, AMARELO, AZUL E BRANCO: PÁTRIA QUE TE QUERO VER-TE!

As botas com canos compridos, pretas, bem envernizadas brilhavam sob a enorme porta de vidro. A roupa toda vermelha, com punhos e barras da calça brancos, encaracolados. Um chapéu cônico pendente para trás, também vermelho com uma bola branca no ápice. O rosto pálido e frio com um olhar perdido na beira da multidão. Uma criança se aproxima: "Papai Noel! Meu presente?" Ele a observa de soslaio sem sequer escapar um meio fio de sorriso. A mãe busca urgentemente a criança. Outras se aproximam. As mães as retiram com urgência. A meninada esperneia. Alguns querem voltar. Outros são arrastados, embora com c rosto e o dorso virados em direção àquela exótica figura.
Vendo-se assim incomodado, retira e joga ao lado suas vestes chamativas. Preferivel continuar com seus mulambos, do que vestir aquela suntuosidade encontrada na grade de uma rica mansão.
Com suas vestes habituais estaria mais perto de um sinal de pena ou de algumas moedas domingueiras de beatas singelas, ávidas por ganhar o céu e uma flor amarela da virgem maria.
Vestido daquela forma estaria sendo confundido com um deus imaginário infantil.
Agora sim, voltara à sua verdadeira realidade. Sem nenhum Noel após o nome. Sentado ali no beiral da calçada. Esta também é do povo como a praça é dos ambulantes.
Ali assumiria sua própria identidade. Devolveria à Pátria o seu falso Noel. Uma pátria que não é Pai, não é Mãe, não é Noel de ninguém.

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